Linha Direta com o Inferno

04

A sala se encontrava vazia e estaria silenciosa se não fosse o zumbido do portal que fora deixado ligado.

- Vamos agir rápido! Enquanto você distribui as cargas em volta do portal enquanto faço o mesmo na sala de controle!

Não havia muito que discutir com Felicia, ela parecia estar em seu elemento, então Tomaz simplesmente obedeceu. De forma diligente espalhou os explosivos mas parou para contemplar o portal que vibrava sem parar. A luz negra oleosa parecia vibrar criando ondulações em meio ao aro. O padre se aproximou e levou a mão, parando-a a centímetros da luz.

- É fascinante não?

- Mcdamill?! – o franciscano virou e fitou o ex-pastor que o observava de uma plataforma.

- A Escuridão é tentadora não é? Poucos são aqueles que conseguem resistir ao seu chamado. Então padre, que tipo de pessoa o senhor será?

- Ei, Coisa Ruim! Não fique pondo minhoca na cabeça do padre!!
Mcdamill voltou-se a tempo de ver Felicia apertar o gatilho da submetralhadora que carregava. Seu corpo foi atingido por dezenas de projéteis até que despencou imóvel.

Felicia desceu as escadas se aproximando do franciscano. Entregou-lhe o detonador.

- Vamos acabar com isso e cair fora desse asilo de loucos!

O padre consentiu e ia apertando o botão quando...

- Hahahahahhaha! Belo disparo minha cara. Belo disparo.

Para a surpresa de Tomaz o pastor voltou a levantar mesmo tendo seu corpo crivado de balas. A freira pareceu pouca surpresa e antes mesmo que Mcdamill terminasse de falar ela começou a disparar sua pistola. Só que desta vez ele não caiu; as balas entravam em seu corpo como se este fosse feito de espuma.

- Não percebeu que suas balas nada adiantam?

- Percebi! – Felicia jogou a arma fora – Com você vai ser do jeito antigo!

Num salto inacreditável a freira se atirou sobre o pastor, que caiu, iniciando um combate corpo a corpo violentíssimo. Mas o pastor desviou-se de seus golpes e, após agarrá-la pelo ombro, lançou-a em direção a uma das paredes. Então voltou sua atenção para o padre e num piscar de olhos já estava junto ao clérigo.

Assustado pela rapidez e proximidade do outro o padre recuou alguns passos.

- Seria melhor se você me desse este detonador padre! Seria melhor para nós dois...

Tomaz sentia o hálito de enxofre que lhe tonteava ao mesmo tempo em que sentia um desejo enorme de entregar o aparelho para Mcdamill, que parecia babar. O frade chegou a estendeu a mão.

- Nããããooooo!                 

O grito de Felicia pareceu arrancá-lo de um transe. Puxou a mão de volta e olhou firme para Mcdamill; que estremeceu.

- “Só quem perseverar até o fim, será salvo!” – o franciscano citou e apertou o botão. O som das explosões reverberou por todo o aposento e o aro de metal ruiu sob os escombros. Mcdamill soltou um grunhido que gelou o coração do padre.

- Agora você via morrer padre maldito!! – garras, que antes eram dedos, avançaram em direção a garganta do frade.

- Não se esqueça de mim!!

O ataque de Felicia foi tão inesperado que lançou Mcdamill entre os escombros. Mas ela não poderia fazer outro ataque como àquele, Tomaz pensou, observando os ferimentos que expunham a carne da freira. Então decidiu agir; decidiu usar um conhecimento que usara poucas vezes desde que fora ensinado. Os escombros se agitavam enquanto Mcdamill procurava se recuperar. O franciscano ajoelhou-se e tocou no óleo que encharcava o piso desde as explosões. O ex-pastor se levantou e seu olhar colérico fitou Felicia, que se pos entre ele e o padre. Tomaz pronunciou uma prece e agarrou o máximo de óleo possível e passou na frente da freira.

Neste instante Mcdamill avançou, rosnando de fúria. Tomaz permaneceu imóvel até que a criatura estivesse perigosamente próxima; então levantou a mão com o óleo e;

- In Nomine Patris... – a mão desceu aspergindo o olho sobre a criatura que parou assustada.

- Et Filit... – a mão fez outro movimento da esquerda para a direita, aspergindo mais óleo sobre Mcdamill – Et Spiritus Sancti. Amen

O ex-pastor caiu de joelhos urrando como se cordas o apertassem. Felicia caiu de joelhos, juntou as mãos, fechou os olhos, e iniciou uma prece silenciosa.

- Sit haec sancta et innocens creatura, libera ab omini impugnatoris incursu et totius nequitiae purgata discessu – Tomaz continuou – Sit fons vivus aqua regenerans, unda purificans:

O padre aspergiu mais uma vez a cruz de óleo sobre Mcdamill que urrou mais alto. Seus olhos brilhavam de fúria assassina.

- Ut omnes hoc lavacro salutifero diluenti, operante in eis Spiritum Sancto, perfectae purgationis indulgentian consequantur.

O corpo de Mcdamill começou a se contorcer frenéticamente. Seus olhos viravam e uma baba esverdeada escorria de sua boca em meio aos rosnados.

- Unde benedicto te, creatura aquae, per Deum vivum, per Deum verum, per Deum Sanctum; Per Deum qui in principio verbo separavit ab arida:

- Eu te amaldiçôo!! – a criatura deformada pelos espasmos pronunciou entre os dentes cerrados.

- Cuius spiritus super te ferebatur!!

Um novo urro, animalesco, sobrenatural, demoniaco encheu toda a fortaleza fazendo Felicia tremer. Mas, em seguida, caiu o silencio. Um silencio sepulcral, tão intimidador quanto urro final de Mcdamill.

Tomaz tocou no ombro de Felicia; que abriu os olhos.

- Está tudo terminado – ele disse procurando sorrir – Vamos sair desse lugar maldito.

Eles correram escadarias acima e encontraram os templários esperando, apesar de já ter passado os cinco minutos estipulados por Felicia. Ela sorriu, parecia ter certeza de que o oficial templário a estaria esperando.

Conclui em... 7 dias!


Espero que tenham apreciado. Espero seus comentários...


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