Mondaiji tachi ga Isekai kara Kuru Sou Desu Yo Opening (HD)

Tatsunoko vs. Capcom Intro

O REPÓRTER E A MERCENÁRIA

00

O cargueiro abandonou o hiperespaço e tomou o rumo de um dos inúmeros gigantes gasosos do sistema; ponto de referência para o próximo hipervoo.
Seu capitão está na sala de mapas fazendo a conferência das últimas coordenadas da rota que havia tomado. Era apenas procedimento de rotina, pois em vinte anos de carreira, acabara decorando as coordenadas de uma centena delas.
– Capitão?! – a voz do imediato chegou através do comunicador – Seria melhor que o senhor visse isso...
Todos a bordo sabiam que seu capitão não gostava de ser incomodado quando fazia a conferência das cartas estelares. Ainda mais agora, que ele acabara de ser substituído pelo imediato, depois de doze horas na ponte, e estava louco de vontade de tirar um cochilo. Então, perguntou-se, que motivo seria este que os obrigava a incomodá-lo e correrem o risco de serem repreendidos?
– Estou indo... – respondeu – Nunca há descanso para meus velhos ossos...

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Os destroços flutuavam aleatoriamente no vácuo. Era um breve momento antes de se precipitarem em direção ao gigante gasoso e serem incinerados em sua atmosfera.
– Mas que diabos houve aqui?! - o capitão exclamou ao observar a cena pela vidraça.
– Nossos sensores indicam que deve ter ocorrido há pelo menos uma semana, sir. Neste momento, estamos escaneando à procura de sobreviventes...
– Nada poderia sobreviver por tanto tempo...
– É o protocolo, sir.
O capitão olhou para seu imediato. O rapaz, que tinha idade para ser seu filho, poderia ter um futuro promissor na companhia, se parasse de seguir protocolos e começasse a cumprir prazos.
Ele tinha certeza de que era uma tarefa inútil que apenas fazia-os perder um tempo precioso. Portanto, resolveu ordenar que parassem com aquilo e voltassem à rota original. Chegou a abriu a boca, mas o bip do scanner fez com que a fechasse novamente, e ele limitou-se a fazer uma careta. Detestava ser contrariado.
– Biossinais localizados. Chegando coordenadas. Parece ser um módulo de fuga...
– Recolha-o e retome o curso – disse, irritado - Espero que este infeliz esteja vivo depois de nos atrasar.

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Próxima III estava em polvorosa.
O deputado Armani Kelly, um proeminente líder da Câmara Governamental e principal articulador da proposta da emancipação político - administrativa do planeta em relação à República Solar, foi acusado de aliciamento de menores, extorsão e chantagem contra desafetos políticos.
As palavras: investigação, cassação e conspiração solar eram ouvidas nas ruas e nos meios de comunicação há todo momento. Nenhum cidadão proximaense se ausentava em dar sua opinião.
J.M. Mokdessi sorriu antes de fechar o jornal, onde lera a última sobre o escândalo. Sua matéria tinha rendido mais do que imaginara.
Está certo que, por ter incomodado gente graúda, o dono de seu jornal o afastou das reportagens investigativas e depois o despediu por publicar a segunda parte de sua matéria num jornal concorrente. E ele achava que o cheiro que sentia no escritório do editor fosse de mofo, mas era o cheiro da corrupção mesmo.
Deu de ombros. Que tudo pegasse fogo.
Levantou os olhos e leu no painel o anúncio da partida de seu voo. Depois de quase ser atropelado, de um modo totalmente suspeito, resolvera aceitar a sugestão de um amigo e desaparecer por uns tempos. Uma viagem pelos territórios da dispersão terrana lhe faria bem e ainda poderia render um livro de viagens, quando voltasse.
Pegou a mala, e o casaco, e se dirigiu ao portão de embarque.

01

A moça largou o copo sobre a mesa. Lançou um olhar para o local de onde vinha à balbúrdia. Estreitou os olhos e se levantou.
Gorians são humanoides robustos de pele enrugada que atingem dois metros de altura. É uma raça militar: eles vivem e acreditam piamente que a força e as habilidades marciais são as qualidades mais desejadas entre os indivíduos e os lideres.
Aparentados com os golins estes seres são frequentemente contratados pelos mercadores galácticos como mercenários, chegando a constituir o grosso de suas forças militares.
Quando não estão trabalhando para seus primos costumam invadir planetas e colônias, com suas frotas de aprisionamento, em busca de escravos. E é esse passatempo que levou os principais planetas terranos a classificar os gorians como povo hostil.
Como povo hostil os gorians não costumam se relacionar com as raças, ditas, civilizadas. Quando o fazem é porque seus empregadores e chefes tribais assim exigem. Este parecia ser o caso dos três gorians, sentados três mesas à frente de onde ela estava.
Entediados, decidiram dar vazão aos seus instintos selvagens bolinando a pobre garçonete terrana que fora incumbida de atendê-los.
- Nããooo!! - ela protestou, assim que um deles segurou-a pelo braço, impedindo que se afastasse.
Desesperada, a garçonete olhou em volta, mas tudo o que viu foi à covardia envergonhada dos outros clientes e garçons.
– Que é isso, gracinha! Venha sentar com a gente, e se gostarmos de você, podemos até levá-la conosco para nos satisfazer.
Um deles exibiu os dentes de leão amarelos e fétidos maliciosamente e tentou puxa-la para seu colo. A garota não se moveu. Um braço segurava-a pela cintura. A garçonete soltou um suspiro de alivio.
– Vocês não podem monopolizar a garçonete assim. Ela tem que atender os outros clientes – uma voz feminina e debochada soou atrás do ouvido da atendente.
– Quem é você?! - o mais afoito deles se levantou, encarando-a.
Ela soltou a garçonete e empurrou-a para longe.
 - Alguém que pretende lhes mostrar como se deve tratar uma dama...
Cadeiras foram empurradas e os gorians cercaram-na.
– Você fala demais, fêmea! É muito abusada!
– Mas você não pode com esta abusada aqui.
A mulher estufou o peito e levantou o queixo, em sinal de desafio. Não acostumados a serem desafiados por uma fêmea, os gorians avançaram, dispostos a ensinarem àquela mulher o seu devido lugar.
Mas não seria tão fácil.
Num rápido movimento ela lançou a mesa sobre o que estava mais perto. Ele foi ao chão sobrepujado pelo peso da mesma, pelos talheres e garrafas. O da direita soltou uma imprecação, em seu idioma gutural, avisando-a.
Este foi seu erro.
Um giro de perna, que pegou em seu pescoço, lançou-o sobre as mesas próximas. Infelizmente, o movimento deixou-a de costas para seu próximo atacante. Ela pôde sentir seu bafo raivoso quando seus potentes braços a aprisionaram.
O gorian chegou a esboçar um sorriso, mas sua aparente vitória foi interrompida em questão de segundos.
– Argh!!!! – Soltou um gemido feroz antes de recuar por causa do golpe de calcanhar que atingira seu aparelho reprodutor.
Vendo-se livre, ela avançou.
Primeiro desferiu um golpe de direita. Depois um ataque certeiro, desferido de baixo para cima, em seu queixo, fez com que fosse arremessado sobre as mesas adjacentes. O som de algo se quebrando misturou-se ao de pratos e garrafas.
Respirou, por alguns segundos, contemplando sua obra.
Uma pausa mortal.
– Atrás de você!
O alerta nem havia terminado e a arma aparecera em sua mão, como por mágica.
Um giro de corpo.
Um disparo certeiro.
E o gorian traiçoeiro foi desarmado; sua arma foi ao chão e ele acudiu a mão ferida. Bufava de dor e ódio.
Ela sorriu.
– A festa acabou gracinha - a voz do primeiro gorian fê-la lembrar de que se descuidara novamente - Solte a arma lentamente...
"Droga", praguejou mentalmente enquanto procurava um meio de reverter à situação. Não precisou.
– Acho que quem deve largar a arma é você, meu amigo.
Alguém apontava uma pistola para a cabeça do alienígena.
– Não se meta terrano, isto não te diz respeito!
– Ah, diz sim! Porque, apesar de todo o empenho desta dama, vocês ainda não aprenderam a tratar as mulheres alheias com respeito...
– Ora seu...
– Rápido! Meu dedo está coçando...
Ouviu-se o som da arma se chocando contra o chão.
– Bom garoto. Agora, se você e seus companheiros desaparecerem de minha frente, talvez... Talvez, eu não dê queixa à segurança da nave...
Resmungando em seu idioma nativo, os gorians acudiram seu companheiro inconsciente e desapareceram.
– Obrigada, senhor - ela agradeceu, devolvendo a arma no coldre - Cheguei a pensar que não havia homens a bordo...
– Percebo... - ele respondeu após olhar em volta e ver os homens com olhares assustados quase a beira do pânico.
 - Mas espero que me considere um homem, apesar de me demorar em socorrê-la, porque parecia que estava tudo sobre controle.
– E estava. Até estes infelizes sacarem as armas. Bando de porcos. Dão uma de valentões com uma pobre coitada, mas quando aparece uma mulher de verdade, eles apelam.
– Não se exalte, ao invés, permita-me pagar-lhe um drinque.
– Bom, depois deste exercício, molhar a garganta não seria mal - ela sorriu - mas mamãe me proibiu de beber com estranhos.
– Não seja por isso: John Martin Mokdessi a seu dispor – ele fez uma mesura, fazendo-a sorrir novamente - E sua graça?
– Silvana, sua serva – ela estendeu a mão, que foi apertada esfuziantemente por JM - Agora que nos conhecemos, que tal me pagar aquele drinque?
Ele sorriu e indicou-lhe a saída.

02

O uísque, de terceira categoria, desceu queimando a garganta de JM e sua careta foi imperceptível. Estava viajando a tanto tempo que começava a se acostumar com aquelas beberagens das naves de carreira.
Apesar de que, naquele momento, o que menos importava era a bebida, mas sim a companhia; sentada à sua frente, segurando uma caneca de cerveja enquanto olhava pela vidraça, estava uma das mulheres mais belas que já vira.
Sua pele morena, seus olhos brilhantes amendoados, e seus cabelos negros como o vazio estelar, cortados na altura do ombro, formavam um todo harmônico com seu corpo de proporções perfeitas.
– Me diga, “seu” John...
– Por favor, me chame de JM é assim que meus amigos me chamam.
– JM então – ela tomou um gole da cerveja – Como ia dizendo... O que o traz para estas paragens? É óbvio que não é destes lados, por causa do modo que se veste e como trata uma mulher...
– Vou aceitar como um elogio – ele sorriu, pensando em como alguém podia esquecer que ela era uma fêmea.
Ela retribuiu o sorriso e seus dentes eram alvos e perfeitos. Era um sorriso franco e cristalino como as águas das fontes de Themari Quatro.
JM pensou sobre como o destino podia ser irônico: se Silvana tivesse nascido em Próxima III, em Guimaraes, ou até mesmo na Terra, poderia ser uma celebridade. As carreiras de atriz, modelo ou cantora estariam sempre à sua disposição.
Mas, na Dispersão, se não quisesse se tornar esposa de algum barbudo suado, ou prostituta em alguma taverna de asteroide, sua única opção era a carreira de mercenária.
- Mas você ainda não respondeu minha pergunta...
– Digamos que estou aqui por força de minha ocupação. Sou jornalista, acabei incomodando gente graúda e decidi escrever um livro de viagens...
– Essas coisas acontecem com muita frequência...
– E você? Está viajando a trabalho ou a lazer?
– Nem um, nem outro – ela voltou o rosto para a vidraça como se meditasse por alguns segundos – Se eu lhe dissesse que estou numa jornada para descobrir quem sou, você acreditaria?
JM levantou uma sobrancelha. O tom melancólico das palavras aguçou sua curiosidade jornalística.
– Não lhe disse que sou repórter? Você se espantaria com as histórias que ouvi...
Silvana molhou mais uma vez a garganta. Não sabia se deveria contar. Não era do tipo que gostava de falar de sua vida com qualquer um.
"Senhores passageiros: dentro de cinco minutos estaremos fazendo uma parada de rotina, com duas horas de duração, na estação Hekakken. As comportas serão abertas para aqueles que desejarem visitá-la. Repetindo: Senhores passageiros...".
O sistema de som da nave tirou-a da dúvida.
– Desculpe-me, JM, mas vou ter que deixar para a próxima – disse, se levantando – Pretendo ficar por aqui.
– Não seja por isso, se pretendo escrever um livro de viagens, preciso conhecer a fauna local...
– Cuidado jornalista! Por aqui, a fauna costuma engolir os incautos!
– Estarei sendo protegido por duas mulheres.
 JM deu três palmadinhas no coldre, onde a pistola descansava.
Ela sorriu.
– Que seja. Nos vemos daqui a cinco minutos.

03

Hekakken fora, um dia, um próspero entreposto espacial. Mas agora não passava de uma estação semimorta, habitada por aqueles que não haviam conseguido partir.
Silvana e JM caminhavam pela área das docas, único setor que parecia continuar habitado, o que não queria dizer que seu estado era menos deprimente.
– Este lugar tá quase morto – ela comentou, observando o estado de abandono dos edifícios - E haviam me dito que isto era um importante entreposto... hunf!
– E foi. Pelo menos, até as rotas de comércio serem desviadas para longe deste sistema. E a situação vai piorar. Antes de partir descobri que a nave que pegamos pode ser a ultima a voar por este setor...
Entretido na conversa, JM não percebeu um menino que vinha em sua direção. O choque é inevitável e os dois quase vão ao chão. JM se concentrou em manter o equilíbrio e a criança continuou seu caminho, sem olhar para trás.
– Será que não ensinam educação às crianças nesta estação? – Silvana resmungou - O que foi?
Desconfiado, o repórter revistava os próprios bolsos. Como se procurasse algo. Que não encontrou.
– O moleque roubou minha carteira!

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– Maldito moleque! Quando pegá-lo, vou bater tanto que esquecerá o caminho de casa!
JM xingava e corria ao mesmo tempo. O suor escorria de sua testa.
Silvana sorria ao ouvi-lo. Era um típico citadino. Muito trabalho mental. Pouco preparo físico. Mal a perseguição começara e começava a mostrar sinais de cansaço.
– Concentre-se em correr! Senão terá um enfarte!
Ele fechou a boca, após mais um resmungo. Ela voltou sua atenção para o pivete à sua frente. Num primeiro instante, Silvana pensou que a perseguição seria inútil. O garoto provavelmente conhecia a estação como a palma de sua mão.
Teve que reavaliar seu pensamento.
Ele tinha pernas fortes e era ágil. Mas por algum motivo, não conseguia desvencilhar-se deles. Não o alcançavam, mas nunca o perdiam de vista. Quatro ou cinco vezes ele desapareceu, após dobrar uma esquina. Ganhando uma vantagem preciosa. E, assim que eles dobravam a mesma, lá estava ele. Como se os esperasse, para poder reiniciar o jogo de gato e rato.
Mas, quem era o rato? Quem era o gato?
– Vamos nos separar JM! Talvez possamos cercá-lo...
Ele balançou a cabeça, concordando, e ela desapareceu por um beco.

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O repórter parou. O moleque desaparecera mais uma vez.
Sua respiração arfava e seu coração parecia querer sair pela boca. Pôs as mãos nos joelhos e procurou controlar a respiração.
“Droga!” – soltou uma imprecação mental – “Devia ter frequentado mais a academia. Seguido o conselho dos amigos ao invés de cultivar aquela barriguinha de boa-vida”.
- Tá cansado, moço?
Olhou para frente. O moleque tinha voltado e exibia um sorriso zombeteiro.
– Quando eu acabar com você, filho de chocadeira...
– Você tem uma língua afiada, “seu” repórter.
JM se levantou num átimo. Seus olhos miraram o homem que apareceu atrás do garoto. O verdadeiro vilão havia aparecido.
Lógico! Onde havia menores infratores, sempre havia alguém no controle. Estes eram os verdadeiros trombadinhas. Ou melhor: trombadões. E, como os ratos que eram, sempre andavam em bandos.
Quatro. Cinco. Talvez seis. Todos armados.
– Se eu fosse o senhor não pensaria nisso!
JM afastou a mão do coldre. Suava frio. Estava cercado. Já prenunciava seu fim; seria espancado até a morte e depois depenado. Com sorte, seu corpo seria expelido pelo sistema de detritos da estação. Se não fosse deixado para apodrecer ali mesmo.
– O que vocês querem?
– Não preciso dar respostas a um morto...
O trombadão deu uma gargalhada sinistra e apertou o gatilho.
JM fechou os olhos.
Era o fim.
A sombra da morte surgiu à sua frente envolvendo-o em seus braços e arrastando sua alma condenada para o inferno.
O impacto contra o piso frio da estação foi mais dolorido do que imaginava.
– Levante-se, homem ou morrerá ai mesmo!
Espantado, abriu os olhos a tempo de ver Silvana sacar a arma e disparar contra os homens mais próximos. Um grito de morte foi ouvido.
A sombra que JM achou ser a própria morte era, na verdade, Silvana que surgira de repente puxando-o para a proteção de um contêiner de detritos.
– Como você chegou aqui?!
– Agora não é hora para perguntas.
Silvana se abaixou procurando proteção dos disparos inimigos que resvalavam na borda do contêiner.
- Nem para respostas! – completou a frase.
Silvana levantou-se e disparou. Um corpo foi ao chão.
Menos dois. Faltavam quatro.
Uma nova saraivada de lasers fez com que Silvana voltasse a procurar abrigo.
Desta vez, demorou mais. Mas quando terminou, Silvana se levantou pronta para revidar.
– Abaixe-se!
JM gritou ao mesmo tempo em que puxava a mercenária para baixo. Apontou a arma e disparou. No alto da escada de incêndio, o bandido levou a mão ao peito antes de despencar. Houve um estrondo quando ele se chocou contra o piso.
Não havia tempo para agradecimentos. Novos disparos fizeram com que eles se abrigassem. Seus adversários estavam furiosos. Perderam três companheiros e nem haviam conseguido feri-los.
A raiva deixa o homem imprudente. Novamente, os disparos demoravam mais que o normal. Novamente, seus inimigos estavam se movendo. A caça-fortuna olhou para JM e ele entendeu o recado. Ela levantou a arma e disparou a esmo. Os disparos em retaliação aumentaram.
Neste instante, JM rolou para fora da proteção. Ao vê-lo, os dois meliantes que avançavam, procurando uma melhor posição de tiro, pararam e vacilaram.
Foi seu último erro. A pistola de JM foi certeira. Quando seus corpos tocaram o chão, já não respiravam.
O restante se desesperou e tentou fugir. Na pressa deu as costas aos seus adversários. Também foi o último erro seu. A força dos balaços impulsionou seu corpo para frente antes de despencar, sem vida, sobre uma poça de óleo.
Silvana sorria. Sua arma fumegava. Não desperdiçara munição.
– Estes nunca mais vão importunar os turistas.
JM pegou sua carteira, que estava jogada no chão. Não havia o menor sinal do moleque.
– Assim que voltarmos, avisaremos o delegado da estação...
– Está louco! Quer ser detido por assassinato? Além do mais, é óbvio que eles devem estar mancomunados com a polícia local...
– Mas... Não podemos deixá-los aqui!
– Por que não? Não era isto que iam fazer com você? Bah! Faça o que quiser. Vou voltar para as docas...
Silvana deu as costas aos cadáveres e seguiu rumo às luzes. O repórter permaneceu alguns segundos contemplando-os, mas após um suspiro foi atrás dela.

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Não demorou muito para que retornassem a área das docas. Silvana dirigiu-se a um hangar aonde poderia alugar um escaler.
– O que pretende fazer? – JM, que continuava acompanhando-a, perguntou.
– Lembra que falei que desceria por aqui? Então, pretendia visitar um posto de fronteira aqui perto nos próximos dias. Mas graças a este incidente vou ter que acelerar meus planos. Quanto menos tempo ficarmos, melhor...
JM sabia que ela tinha razão; quando achassem os corpos dos bandidos, o exame pericial indicaria a hora da morte. Um rápido rastreio nos registros das docas mostraria quais eram as naves atracadas no momento. Quais tripulantes e passageiros haviam descido. Então, para se chegar a eles seria um pulo. E um exame de balística encerraria o caso.
Olhando para seu lado pessoal, JM tinha um agravante a mais. Ele duvidava que a arma de Silvana fosse registrada, mas a dele era. Seu indiciamento seria uma questão de tempo.
– Vou com você...
– Não vai, não! – ela parou e o encarou - Você vai voltar para a nave e seguir seu caminho...
– Escuta! Fui eu que te meti nesta enrascada, então não posso sair assim. Deixe-me ficar com você até abandonarmos está área. Pense Silvana. Ainda irá demorar para que a nave parta.
– Lembre-se que aquele pivete desapareceu, e ele pode muito bem dar queixa, alegando que dois turistas malvados mataram seus irmãos. Tudo regado com as caudalosas lágrimas de uma criança assustada. Não quero voltar para lá e esperar um policial corrupto de meia pataca me pegar.
Mesmo com toda sua argumentação, parecia que ele não a havia convencido. Então, partiu para seu ultimo recurso: juntou as mãos em forma de suplica e fez sua melhor cara inocente.
- Por favor... Eu prometo que não vou atrapalhar. Ficarei dentro do shuttle, o tempo todo se você quiser... Por favor...
Ela coçou a cabeça e depois sorriu.
– Você não presta!

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A luz era fraca. Por momentos os corpos mesclavam-se com as sombras, que se projetavam sobre eles. Corpos abandonados que demorariam mais que o necessário para serem achados. Contemplando aquela arena de morte havia alguém envolto num sobretudo negro, que escondia duas pistolas em sua cintura. Sua expressão era de indiferença ante a cena que contemplava.
– É por isso que dizem; não mande crianças fazerem serviço de homem. Estes incompetentes não conseguem dar cabo nem de um repórter afetado...
Não ignorava o fato do jornalista ter tido ajuda. Mas, este detalhe não conseguia explicar o porquê de seis homens perderem para dois. Acendeu um cigarro e deu uma tragada. Saboreando cada momento antes de soltar a fumaça.
– O que você tem pra me dizer, moleque?
Ao ser indagado o trombadinha saiu das sombras e se aproximou. Seus olhos estão fixos nos corpos dos companheiros mortos. Olhos de medo e desespero.
– Desembucha!
– Eu os segui, como o senhor ordenou, até as docas. Onde alugaram um escaler e partiram. O dono me disse que eles iriam pro posto do exército...
Uma nova tragada.
– Tome! - lançou alguns créditos aos pés do menino - Pelo menos você, deste bando de imbecis, fez seu trabalho direito.
Deu uma nova tragada e pôs-se em movimento. Desta vez não delegaria suas responsabilidades a terceiros.

04

O escaler cortava o vácuo em direção ao posto militar abandonado.
Havia muitos, como aquele, naquela zona. Durante vinte anos, aquela fora uma área de conflito. Os assaltos aos cargueiros tornaram-se endêmicos. A Companhia das Índias Galácticas construiu dezenas deles para monitorar as vias de navegação.
Mas há cinco anos a paz foi alcançada, e com o desvio das rotas de comércio para outros sistemas, a região se transformou numa área estéril. Pelo menos este era o ponto de vista dos piratas. Os postos, então, perderam sua função, e começaram a serem paulatinamente desativados.
– Sendo curioso: o que você vai fazer num posto fantasma?
– Há três anos um cargueiro localizou nesta área os destroços de um transporte militar, e resgataram o único sobrevivente...
– E este sobrevivente seria você?
– Lembra quando te disse que estava numa jornada de autodescobrimento? Então, quando acordei, dois dias depois, não me lembrava de nada. Somente tenho um nome porque carregava as placas de identificação.
Silvana enfiou a mão dentro da camiseta e puxou uma corrente que trazia na ponta duas placas de identificação militar.
– Porque não procurou ajuda? Um exame de DNA teria lhe revelado quem era.
– Mas não traria de volta minhas memórias. De que adiantaria eu saber que sou filha de fulano de tal, um general ou que tive um esposo e dois filhos maravilhosos se não me lembraria dos momentos em que passamos juntos? Mesmo sabendo que tivera este relacionamento com eles agora, para mim, eles seriam completamente estranhos...
Ela suspirou, enquanto ajustava a rota da nave.
– Então decidi retornar para meu lugar, se eu tiver algum, somente quando conseguir me lembrar das alegrias e tristezas de antes daquele acidente.
– E pretende encontrar respostas neste posto?
– É o mais próximo da área onde fui encontrada. Talvez o transporte onde eu viajava tenha saído daqui. Olha! Lá está ele!
Ela aponta a estrutura discóide fracamente iluminada pela luz da estrela do sistema.

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A comporta da câmara de descompressão se abriu e duas figuras, vestidas em trajes de vácuo, entraram no corredor debilmente iluminado.
– Pelo menos, as luzes de emergência ainda funcionam – JM apontou para os globos presos ao teto que imitiam uma luz avermelhada.
– Espero que algo mais funcione – Silvana olhou para o pulso, onde um mostrador digital indicava a composição atmosférica.
 - Tá meio viciado, mas é respirável.
Um leve zumbido, provocado pelo escape do ar, foi ouvido quando soltaram os lacres e retiraram os capacetes. O ar viciado irritou-lhes a garganta e os olhos. JM teve um acesso de tosse.
– É melhor você me esperar aqui. Volto logo - sem esperar resposta ela desapareceu na curva do corredor.
Imediatamente o repórter voltou a colocar o capacete e respirou aliviado. Não estava acostumado com aquele tipo de atmosfera. Tinha cheiro e gosto de ovo podre. E ovos sempre lhe causaram náuseas.

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Silvana prosseguiu pelo corredor até chegar a uma porta de elevador. Digitou alguns comandos no painel e a porta se abriu. Sorriu ao constatar que os geradores auxiliares ainda funcionavam.
Entrou e digitou o andar de destino.
Se os esquemas que ela tinha adquirido em Rhotundaa eram realmente de um posto espacial Tipo G-13, dentro de alguns segundos ela estaria no centro de comando.
O elevador parou e a porta abriu.
Silvana sorriu. Os esquemas haviam valido cada crédito.
A sua frente se estendia uma profusão de painéis e consoles. As telas dos computadores estavam escuras e a luz avermelhada dava-lhes uma coloração estranha.
Silvana se aproximou de um dos painéis agachou-se, destravando e retirando uma placa de plástico que escondia uma série de chaves e cabos. Fez uma comparação mental entre os esquemas elétricos da planta que comprara e o que via a sua frente.
Mudou um cabo. Mexeu numa chave. Mudou outro cabo. Mexeu outra chave. Devolveu o primeiro cabo a seu lugar original e manipulou uma terceira chave.
As telas de cristal líquido ligaram, uma a uma, como uma cascata.
Rapidamente, Silvana retirou um pequeno aparelho do macacão e se aproximou do primeiro console. Ela o colocou sobre o teclado e puxou dois fios que foram conectados as entradas auxiliares.
Digitou uma sequencia de cinco números. Quase de imediato, todos os números passaram pela pequena tela do aparelho. Cinco números foram selecionados e um bip imperceptível anunciou a quebra da senha.
A tela mudou o tom azulado e exibiu o logo do exército espacial e seus menus. Então, retirou um disco de memória e colocou no drive.
Sentou-se e começou a vasculhar a máquina.
Silvana sabia que os arquivos importantes haviam sido copiados e em seguida deletados. Inclusive o backup.
Mas ela apostava que não consideravam os históricos de pousos e decolagens como de suma importância e, se seus arquivos tivessem sido apagados, não se preocupariam tanto em se desfazer do backup que o computador central fazia automaticamente.
Clicou uma letra e o histórico apareceu. Sorriu por que estava certa. Ainda mais porque desconfiava que estivessem criptografados e trouxera o disco de memória. Não sabia lidar com linguagem criptográfica, mas conhecia um amigo em Kariath-Yarin que era mestre no assunto.
Deu o comando e esperou.
Seus olhos percorreram o aposento e pararam curiosos sobre uma tela, num dos consoles; caracteres se autodigitavam tendo ao fundo várias imagens de uma das baias de atracagem externas:
"Atenção: Nave atracando"
Seus olhos se arregalaram. Pulou da cadeira.

05

JM retirou o capacete e respirou a atmosfera calma e pausadamente. O enjoo ameaçou voltar, mas ele aguentou.
Seus olhos já não ardiam mais. Mas sua garganta parecia uma lixa. Seus pulmões doíam e o estômago girava.
Somente sua teimosia não o deixava colocar rapidamente o capacete. Estava disposto a conseguir respirar normalmente naquele tipo de atmosfera, por mais repugnante que parecesse.
O enjoo aumentou e diminuiu diversas vezes. Sua intensidade foi diminuindo, assim como o ardume em seu pulmão. Somente a garganta continuava irritada, mas ele sabia que uma boa dose de uísque resolveria o problema.
Sorria para si mesmo. Parabenizava-se por ter conseguido, apesar de ainda sentir como se estivesse num esgoto.
Foi neste momento de realização que as luzes da comporta de descompressão começaram a piscar. O repórter não se demorou em pensamentos. Procurou um lugar seguro e sacou a arma.
A comporta se abriu e deu passagem a um homem de sobretudo preto. Seus olhos de gavião perscrutaram toda a extensão do corredor. E quando parecia que tinha tomado à decisão de qual lado seguiria, JM decidiu se revelar.
– Pode parar ai mesmo, moço – disse apontando a arma para o peito do estranho.
Este apenas olhou para ele e esboçou um sorriso em seus lábios de granito.
– Senhor Mokdessi, eu presumo?!
– Antes de responder como é que sabe meu nome, é melhor se livrar disso aí – ele apontou para a pistola que aparecia sob a aba do sobretudo - Bem devagar...
O homem parou de sorrir. Começou a desafivelar, lentamente, o cinturão e retirou-o levantando até a altura dos olhos de JM.
 – Jogue para cá! – o repórter ordenou.
Ao ver o cinturão ser lançado, em sua direção, os olhos de JM seguiram sua trajetória. Por uma fração de segundo o forasteiro desapareceu de sua vista.
Uma fração de segundo mortal.
Os olhos do repórter se arregalaram ao ver aparecer, na mão esquerda do homem, outra pistola Gauss. Seu sangue gelou quando percebeu que ela cuspiu sua carga de morte. JM sentiu a dor dilacerante do impacto em seu ombro direito e num ato reflexo acudiu-o, soltando a arma.
Em meio a dor que estreitavam seus olhos, pode ver o sorriso perverso do homem de sobretudo. Ele disparava novamente.
Dois disparos. Suas pernas fraquejaram ante o impacto dos balaços. JM recuou até encostar-se à parede, escorregando até se sentar no piso frio da estação.
– Maldito! – gemeu – Foi você... que mandou aqueles bandidos me pegarem... ah... ah... por isso sabiam que eu era um repórter. O que eu fiz para... ungh... você?
– A mim, nada – sorria sarcasticamente – Mas deve ter mexido com alguém que não gostou.
“Armani Kelly”.
O repórter lembrou-se de seu desafeto atual e a causa dele ter resolvido viajar pelos territórios da dispersão. Infelizmente, o braço corrupto de Kelly parecia ter um alcance bem maior do que imaginara.
Um som agudo, de carga elétrica, retirou-o de seus pensamentos.
O assassino tinha se aproximado e sua Gauss estava a poucos centímetros de seu rosto.
– Entenda, não é nada pessoal. É apenas um trabalho. Se tiver que culpar alguém, culpe apenas sua bisbilhotice.
Seus lábios sorriram irônicos, e o repórter viu seu fim chegando.
– Olá, Ernest!
Em toda sua vida, JM nunca imaginara como a voz feminina pudesse ser tão doce. Tão angelical.
– Olá Silvana... – Ernest respondeu sem afastar a arma do rosto de JM – O que a traz a estas bandas?
– Esta pergunta é minha. O que acha que pretende fazer com meu amigo?
– Vocês se conhecem? – JM pergunta entre um gemido e outro.
– Transamos algumas vezes – ela respondeu, sem tirar os olhos do adversário – Antes de descobrir que tipo de homem ele era...
– E como ela trepa, meu amigo! Como trepa! – Ernest maliciou – Já teve a oportunidade? Não?! Que pena, não sabe o que perdeu...
– Cale-se Ernest! Não mude de assunto! Afaste a arma dele bem devagar...
– He, he. Por quê? Por acaso pretende atirar se eu não fizer isso? Sabe que mandaria seu amigo para o inferno antes de apertar o gatilho.
Ernest sorriu e encostou a arma na testa de JM, pressionando-a. O repórter gemeu. Seus ferimentos queimavam como fogo e a falta de sangue começava a turvar-lhe a mente.
– JM!! – Silvana gritou, preocupada, desviando o olhar, para o amigo.
Algo que não devia ter feito.
Saltando de dentro da manga do sobretudo, uma minipistola laser cai na mão de Ernest. Ele sorri, triunfante, apontando-a para sua antiga amante.
– Ora, Ora. Parece que agora tenho a faca e o queijo na mão. Ou seria; o frango e a galinha... he... he. Que tal ir largando a arma Silvana e, em nome dos velhos tempos, posso te deixar viver. Isto é, se você me agradar.
– Canalha! – o repórter grita.
– Cale-se, idiota. Você já é um homem condenado – Ernest pressiona ainda mais o cano contra a testa de JM.
– Vamos, solte logo esta arma, piranha!
Silvana pensa, mas não consegue encontrar uma saída. JM está sangrando, quase inconsciente e tem uma arma apontada para sua cabeça. Ela, por sua vez também está sob a mira de outra.
Sem alternativa, ela obedece. A pistola desliza de seus dedos e começa a trajetória de encontro ao chão.
Então, o improvável aconteceu.
– Silvana!
O repórter gastou suas últimas forças para gritar. E lança-se contra a arma que estava apontada para sua cabeça, afastando-a e desequilibrando Ernest.
– Maldição!
O assassino grita e dispara contra Silvana. Mas ela já não está mais no lugar. Seu corpo está caindo acompanhando a trajetória de sua pistola.
– Repórter desgraçado! Agora vai morrer! – ele grita enfurecido, apontando para o rosto contorcido de JM.
– Ernest!
Ao ouvir seu nome, ele vira, atrasando sua ação por um milésimo de segundo, a tempo de ver a pistola pousar na mão da caça-fortunas.
Ela dispara.
Ele arregala os olhos, incrédulo, antes do liquido quente e pegajoso começar a escorrer de sua testa.
Um tiro perfeito.
O corpo de Ernest desaba inerte. De olhos arregalados.

06

O iate espacial começou a se afastar do posto fantasma.
– Como você está? – Silvana perguntou assim que entrou na sala.
JM estava deitado numa das camas, tendo o ombro e as pernas envoltas em bandagens. Vários eletrodos estavam ligados a seu corpo, monitorando suas funções fisiológicas.
– Estou quase pronto para outra – procurou sorrir, mas ao invés, gemeu.
 – Obrigado Silvana. Se não fosse a sua ajuda agora eu estaria no inferno...
– Agradeça ao Ernest, não a mim, por ter uma nave toda equipada. Senão, você realmente estaria a caminho do inferno. O cara montou uma verdadeira sala de emergência aqui!
– Me lembre de agradecer-lhe quando nos encontrarmos novamente.
– Lembre-se sozinho; eu pretendo curtir a vida durante muito tempo antes de ir pro inferno. E, aproveite para dizer-lhe que estou cuidando muito bem da nave dele.
O silêncio toma conta da sala durante alguns segundos, até ser quebrado pelo repórter.
– E agora, o que pretende fazer?
– Bem... – ela fungou – Apesar de ter baixado os arquivos da estação eles estão criptografados. Por isso, vou atrás de um conhecido que pode convertê-los. Mas antes vou ajustar o curso para que possa interceptar a nave antes que eles iniciem o hipersalto...
– Peraí! Quem disse que quero voltar para a nave?! Vou ficar com você...
– Está louco! Quase morreu...
– E teria morrido se não fosse você – ele procurou se sentar – Te devo minha vida, duas vezes. É uma divida que não tenho como quitar. Por isso, pelo menos me deixe ajudá-la a encontrar seu passado. Além do mais, se eu ficar junto a você, o livro que escreverei será muito diferente de um livro de viagens...
– Não sei não – ela balança a cabeça desconsolada – Você vai é acabar morrendo...
– Por favor. Pelo menos diga que vai pensar, temos um bom caminho até nos encontrarmos com a nave...
– Vou pensar...
Alguns segundos se passam até que ela resolve se levantar e retornar a cabine. Mas, antes de sair, olha por sobre o ombro.
– Já pensei...
Ele a fita, curioso e esperançoso.
– Será bom tê-lo como parceiro.
A porta se fecha deixando JM sozinho, com um sorriso bobo na cara.

 FIM

  
  

Março Sangrento

Março será um mês de muita ira, sangue e ressentimento no universo DC! Chega às bancas do país em breve o aguardado segundo volume de Tropa dos Lanternas Vermelhos — dando continuidade às violentas desventuras do alien Atrócitus e sua instável tropa de soldados da fúria!
O encadernado — incluindo as edições 8 a 12 de Red Lanterns, mais a número 0, que traz as origens da tropa — pega a saga de onde o anterior parou. Além de ter de encarar uma rebelião interna em suas fileiras de servos, Atrócitus também vai ter de lidar com Rankorr, um novo e problemático recruta vindo da Terra, e com uma praga que ameaça realizar o trabalho que nem os Guardiões do Universo conseguiram: exterminar a tropa dos lanternas vermelhos!
Tropa dos Lanternas Vermelhos 2 terá 132 páginas, capa couché, papel pisa brite, lombada quadrada e custará R$ 13,90.



Fonte:Wizmania 

CANHÕES DE MARTE


EPILOGO

Francisco sorveu o café fumegante.

Os dias transcorriam iguais desde que haviam cumprido a tarefa que os trouxera a Marte. Todos tiveram um desempenho além do esperado e o mais importante: não acontecera nenhuma baixa. Agora estavam espalhados por Marte tentando levar a vida até o dia D.

Liambos, Felisatti e Bilatto haviam se juntado a resistência e eram os principais responsáveis pelas sabotagens e atentados dos últimos dias. Ibañes, dizendo que sempre tivera vontade de conhecer as minas carboníferas de Marte, partira para Cimmeria, onde se empregou como mineira. Fisher se embrenhou na rede de bordéis de Olimpus. Estava aproveitando as férias, segundo suas palavras.

Francisco, por outro lado, havia conseguido um emprego como caminhoneiro. Para ele a guerra estava acabada. Quando voltasse casaria com Melissa, após a guerra deixaria a farda e, quem sabe, compraria um caminhão e iriam conhecer o mundo.

Sorriu ao lembrar-se de Melissa. Estava com saudades.

– O que está acontecendo lá em cima? TODOS! Venham ver!

Alguém gritou, apontando para o céu, do lado de fora da lanchonete. Todos correram. Francisco foi um dos últimos a sair. Ainda segurava a caneca de café. Havia uma comoção em todos os expectadores.

Lá em cima, sobre o céu estrelado da noite marciana, fachos de luz cortavam o éter enquanto que estrelas efêmeras surgiam e desapareciam.

Francisco sorveu o café sorrindo.

Dentro de pouco tempo ele estaria sorvendo os lábios de sua doce Melissa.

 A luta pela libertação de Marte durou exatos seis meses marcando a guinada na guerra espacial a favor dos mundos aliados.

Mesmo a ferocidade das batalhas no teatro de operações de Jupiter e Saturno não impediram o avanço das forças terrestres e marcianas em direção a seu destino final: Oberon.

A órbita de Urano se tingiu de vermelho quando a, outrora, gloriosa marinha de guerra uranita lançou seu ultimo e desesperado ataque. Um ataque efemero que tentava impedir o vagalhão inevitável.

Após combaterem numa cidade após a outra as forças de desembarque aliadas se aproximaram da capital planetária, arrasada pelos bombardeios orbitais. O fim da maior guerra que os filhos do sol presenciaram estava próximo.

E ele chegou com um suicídio.

FIM


E assim chegamos ao fim de mais uma história, espero que tenham gostado e aguardem que em... 7 DIAS tem mais!

Blue Comics

A Blue Comics é uma nova editora de quadrinhos digitais que trabalha com material 100% original e produzido no Brasil. A editora conta com uma grande equipe de roteiristas, desenhistas, coloristas e tem a proposta de trazer seus heróis em um universo compartilhado, semelhante ao que a Marvel e a DC fazem lá fora.

Os primeiros títulos já foram lançados e ainda nesse mês, teremos mais novidades. No facebook da Blue Comics é possível ver prévias dessas e de outras HQs.

CLIQUE NA IMAGEM PARA ACESSAR O SITE DA EDITORA

Visto no Joe de Lima