CANHÕES DE MARTE

QUARTA PARTE


Danton era uma cidade de médio porte tipicamente marciana com suas casas e prédios de cor avermelhada. O sol começava sua jornada ao poente quando eles vislumbraram as primeiras construções e poucos minutos depois estavam recebendo o aceno de um guarda uranita para que parassem, duma barreira na entrada da cidade.

– Os documentos! – Pediu, encarando os seis ocupantes do hovercraft com desconfiança. Outro uranita começou a dar a volta no veiculo. Segurava um equipamento que parecia fazer leituras do veículo. Um terceiro mantinha-se à distância, observando. Três outros observavam do lado oposto.

– O que vieram fazer em Danton? – O uranita perguntou, observando os papéis.

– Estamos fazendo uma visita a um parente! – Liambos apressou-se em dizer.

– Posso saber quem é este parente? – O guarda correu os olhos, incrédulo, pelos ocupantes do veículo.

Todos olharam para Liambos.

– Gilbert Parcem! Ele tem uma mercearia na cidade, a “Parcem e filhos”. O senhor conhece? – Ela sorriu. – Ouvi dizer que é o mais barateiro da região!

O guarda do aparelho terminara sua volta ao veiculo e fizera um sinal para o que estava olhando os documentos.

– Os documentos estão em ordem! Podem ir!

Francisco agradeceu e ligou o hovercraft. Queria ganhar distancia o mais depressa possível, mas tinha que ser cauteloso, então deslizou o veiculo devagar até virar na primeira esquina e sumir da vista do pessoal do posto de controle.

Um suspiro coletivo de alivio foi ouvido dentro do hover.

* * * * *

O hovercraft estava estacionado nos fundos da Parcem e Filhos, parcialmente oculto dos olhares curiosos que vinham da rua. A mercearia estava vazia àquela hora e apenas um atendente permanecia no balcão, com olhos sonolentos e expressão cansada após um dia de trabalho.

Francisco e seus comandos estavam alojados numa sala localizada no depósito da mercearia, logo atrás de uma série de prateleiras pesadas. No local havia uma dispensa razoável que foi prontamente assaltada por Ibañes e Bilatto, à procura de vinho. Havia ainda várias camas, dois sofás e uma mesa; um mapa-múndi marciano numa das paredes e diversos mapas, táticos ou viários, sobre a mesa. Francisco e Liambos observavam um destes mapas quando a porta se abriu.

Primeiramente entrou um homem de meia-idade, Yoh Parcem. Atrás dele entrou um rapaz com pouco mais de treze anos, Foghia Parcem, que trazia uma sacola com várias latas de cerveja marciana. Ibañes e Bilatto olharam para a sacola, sorridentes.

Assim que entraram, um terceiro os acompanhou: era da mesma idade de Francisco, tinha olhos atentos e desconfiados. Olhou de relance todos os presentes e fixou sua visão em Francisco.

– Este é Serge Hulnar – Parcem fez as apresentações - Ele irá acompanhá-los até a capital!

A maioria apenas cumprimentou-o com um movimento de cabeça. Eles estavam mais interessados no interior da sacola trazida por Foghia.

– Sou Ilana Liambos – Liambos se aproximou – e este é o major Francisco Vinhas!

– Prazer! – Apertou as mãos de ambos - Perdoem-me por estar adiantado, mas foi preciso, os uranitas deram pela falta de uma de suas patrulhas em Terra Meridian! A julgar pelo hovercraft estacionado nos fundos já tenho uma idéia dos responsáveis!

– Eram eles ou nós! – Fisher disse entre um gole e outro de cerveja marciana.

Hulnar deu de ombros.

– Menos cinco invasores, pelo menos! Infelizmente não demorou muito para que eles dessem pela falta da patrulha e iniciaram as buscas!

– Estamos meio longe de Terra Meridian...

– Em outras ocasiões isto bastaria, pois apenas confiscariam outro veiculo igual para repor a perda material! Mas de acordo com nosso contato no Comando de Ocupação eles analisaram pedaços de metal recolhidos no local e confirmaram sua origem como terráquea! Então expediram uma ordem de busca e, se possível, captura!

Hulnar fez uma pausa para ver se os terráqueos teriam entendido o que aquele “se possível” queria dizer. Pelas suas expressões eles haviam entendido perfeitamente.

– Bom! Esta ordem ainda não chegou aqui porque passamos incólumes pela barreira!

– O que nos dá uma vantagem, mas não muita! Se tiver de acordo, major, sou da opinião de que devamos partir o mais breve possível!

– Sou da mesma opinião! Mas antes precisamos recuperar nosso equipamento que ficou enterrado num ponto fora da cidade.

– Sem problema! – Yoh Parcem falou. – Meu filho conhece um caminho que passa ao largo dos postos de vigilância...

Ao ouvir se referirem a ele o jovem Parcem se postou ao lado do pai.

– Ótimo. Fisher, Bilatto! Vão com o garoto!

Os sargentos saíram, seguindo o rapaz.

– Então qual é seu plano, Hulnar?

– Como todo e qualquer transporte aéreo com exceção das aeronaves militares estão proibidos então só nos sobra o trem eletromagnético! Pegaremos o próximo trem e seguiremos até Xhante onde trocaremos de linha e seguiremos até Olimpus! Nossa célula em Xhante providenciou bilhetes e salvo-condutos para que possam viajar! – Retirou do bolso diversos papéis e entregou-os a Liambos.

- São originais, alguns de nossos membros os requisitaram com a desculpa de que visitariam parentes em Terra Arábia e permanecerão escondidos até que voltemos!

Liambos agradeceu e distribuiu-os entre os comandos presentes. Guardou os pertencentes a Fisher e Bilatto. Entregaria a eles quando voltassem.

– E nosso equipamento? Temos seis rifles polivalentes, granadas magnéticas, detonadores e explosivos de alta performance.

– Os detonadores são imprescindíveis, pois há falta deles. Os uranitas confiscaram todos. Até mesmo os mineiros de Cimmeria e Promethei encontram dificuldades em consegui-los para as minas. No mais, sugiro que carreguem apenas o que acharem indispensável.

Neste instante a porta se abriu. A senhora Parcem, uma mulher de 45 anos e feições gentis, empurrava um carrinho com varias panelas e pratos.

– Hora do jantar!

CONTINUA EM… 7 DIAS

Desculpem-me pelo atraso. Estou tendo problemas com a internet nestes ultimos dias e o local onde moro – zona rural - não possui lan houses. Sinceramente espero que este seja o primeiro e ultimo atraso... é isso.


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