MUNDO HQB #20


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Space Battleship Yamato (Live Action) Music Video

O Novo Visual dos Combo Rangers

Com a confirmação do retorno dos Combo Rangers pela JBC, e o sucesso da iniciativa de arrecadar fundos pelo Catarse para o lançamento dos novos álbuns, Fabio Yabu divulgou o novo visual de seu grupo de heróis.

O autor publicou, em sua página no Facebook, imagens dos cinco integrantes dos Combo Rangers em seus novos uniformes: Fox, Ken, Tati, Kiko e Lisa.

Além disso, revelou também um novo vilão, que será apresentado na próxima aventura dos heróis. O nome dele é Satan Boss, uma brincadeira com Satan Goss, o grande inimigo do Jaspion. Apropriado, uma vez que os próprios Combo Rangers são baseados em grupos de heróis das séries de televisão japonesas, como Power Rangers e Changeman.

Quem é Satan Boss, quais suas motivações, e por que ele quer destruir os Combo Rangers será revelado no primeiro álbum, a ser lançado pela JBC, no segundo semestre de 2013.






Por Samir Naliato 
Visto no UNIVERSO HQ

JBC anuncia Diário do Futuro, de Sakae Esuno

No melhor estilo Death Note e Battle Royale, a JBC traz ao Brasil o Diário do Futuro, um mangá mais voltado ao público adolescente e adulto com uma trama que mistura embates psicológicos, mistério e aventura em um jogo cujo prêmio é virar um Deus.

O mangá Diário do Futuro, que é uma tradução literal de Mirai Nikki, o nome original em japonês, foi lançado entre 2006 e 2011, em capítulos, lá na Terra do Sol Nascente. Depois de concluído, saiu em formato tankobon, sendo finalizado em doze volumes. No Brasil a série também terá doze edições.

Na história, Yukiteru Amano é um garoto tímido que se exclui da escola e dos amigos, para ficar escrevendo um diário em seu celular. Certa manhã, ele encontra o seu diário já escrito com os acontecimentos do futuro. Ao ler até o fim, se depara com a previsão da própria morte. Sem perceber, acabou sendo forçado a participar de um “jogo de sobrevivência” que envolve outros “Diários do Futuro”. É dada a largada para o jogo mortal entre os 12 portadores.

A trama traz muitas reviravoltas e surpresas na luta emocionante dos doze participantes do jogo pelo poder de ser Deus. O Diário do Futuro tem tantos mistérios à sua volta que até mesmo o autor (ou autora) Sakae Esuno, é misterioso. Acredita-se que seja um homem, mas ninguém sabe ao certo.

Diário do Futuro terá 200 páginas em média, com quatro páginas coloridas, além de impressão colorida de capa 4x4 (frente e verso), ao preço de R$ 13,90. A periodicidade será mensal.



Por Carlos Costa
Fonte:HQManiacs 


CANHÕES DE MARTE


SEXTA PARTE


Ilana abriu dolorosamente os olhos. Assim que eles se acostumaram com a luz não gostou do que viu.

Há sua frente havia um homem de olhar sádico vestindo o uniforme da policia secreta uranita. Atrás dele havia outros vultos que ela acreditou serem o médico e de uma enfermeira. Naquele instante teve certeza de que não havia morrido. O inferno não poderia ser tão ruim.

– Até que enfim acordou, bela adormecida! – O uranita esboçou o que deveria ser um sorriso. Ela respondeu com um gemido.

– A operação durou 12 horas! Suas perguntas não podem esperar, major? Se forçá-la agora, talvez ela não sobreviva!

– Não estou interessado na sobrevivência de sua paciente, doutor! Tudo o que me interessa é que ela dure o suficiente para responder minhas perguntas! Agora, cale-se! Então, moça, o que você e seus amigos vieram fazer em Marte? – Novamente seu rosto contorceu no que ele pretendia que fosse um sorriso.

- Sim, nós sabemos que vocês vieram da Terra! Nosso ServIntel não é tão obtuso quanto vocês, terráqueos, acham! Vamos, responda, qual é o objetivo de vocês? ME RESPONDA!

Os lábios dela começaram a tremer. E num esforço que a fez arfar pronunciou palavras num fio de voz quase inaudível. Percebendo que de onde estava não ouviria nada ele aproximou a orelha de sua boca. Então, com a respiração ofegante, ela disse mais uma vez o que tinha a dizer.

– Vá se...dan...ar!!

Os olhos do oficial uranita foram obscurecidos por uma sombra de ódio. Seu rosto ficou vermelho e suas artérias saltaram em seu pescoço.

Então veio a pancada.

Ilana sentiu uma dor lancinante percorrer-lhe a face e o gosto acre do sangue que escorria dos lábios cortados. Antes da escuridão da inconsciência envolver-lhe, ela esboçou um sorriso. Débil, mas triunfante.

– ESTÁ LOUCO! O que pensa que está fazendo? – O médico afastou-o da cama - Mais uma dessa e você nunca mais obterá resposta alguma dela!

Os sensores médicos luziam desesperançados. Estavam a ponto de perder a vida que monitoravam.

* * * * *

– Um de nossos hackers conseguiu entrar na rede do hospital central e acessou os arquivos da paciente na ala uranita. Aqui estão os arquivos que ele conseguiu baixar antes que um programa de defesa o expulsasse.

Francisco pegou a tela de leitura digital que lhe era oferecida. Todos seus companheiros o rodearam. Seus olhos se arregalaram. No canto superior direito da ficha médica estava a foto tridimensional de Liambos.

– Precisamos resgatá-la!

– Como? – Afanassief encarou Bilatto - Não podemos simplesmente invadir o hospital e arrancar sua amiga de lá! Ela esta numa ala reservada para uso dos uranitas e somente pessoal autorizado, acompanhado de um guarda, pode entrar.

– Não sei quanto a vocês marcianos, mas nós da Terra não costumamos deixar nossos companheiros para trás! Ainda mais nas garras do inimigo!

– Também não deixamos nossos companheiros para trás, sargento, mas não nos arriscamos em missões suicidas que podem causar vitimas civis! Precisamos esperar o momento certo!

– E qual é este momento, capitã? – Francisco perguntou.

– De acordo com os registros a operação da agente Liambos foi demorada e arriscada, portando ela permanecerá por alguns dias no hospital para monitoramento. Assim que estiver fora de perigo ou não precisar mais de acompanhamento médico ou eletrônico será transferida para a base uranita local.

– Devemos agir no momento da transferência! Pois se a levarem para os porões da tortura uranita Liambos não durará duas horas!

Todos concordaram com Francisco.

* * * * *

Não fazia nem duas horas que ela havia recebido alta quando apareceram com a cadeira de rodas. Os olhos das enfermeiras que a ajudaram a trocar a cama pela cadeira estavam resignados. Ilana descobriu o porquê quando a porta se abriu e dois uranitas mal encarados começaram a acompanhar as três mulheres.

Ao passar pelo médico, que estava cabisbaixo e soturno, soube qual era seu destino. Descobrira também do porquê de terem demorado tanto para lhe darem alta apesar de há dias sentir-se bem. Com um leve aceno e um sorriso agradeceu o esforço do médico.

Após saírem do elevador que os levou ao térreo, deslocaram-se até uma ambulância que os aguardava. Num movimento sincronizado as enfermeiras puseram-na no interior do veiculo, os dois uranitas subiram e as portas se fecharam. A ambulância ligou o motor e abandonou o pátio do hospital. Imediatamente um carro preto posicionou-se à frente e outro atrás.

Quando o veiculo entrou numa movimentada avenida central os eventos sucederam-se rapidamente: a janela que dava para o motorista se abaixou e uma pistola surgiu derrubando os dois acompanhantes de Ilana imediatamente.

– Como vai, Ilana?

– Major? Capitão? – Ela reconheceu de imediato o homem com a pistola na mão e o motorista, que lhe acenou.

Felisatti vestia o uniforme de motorista do hospital e Francisco as vestes do guarda que devia acompanhar o motorista. Sua roupa, ao contrario do uniforme impecável de Felisatti, estava amarrotada e apresentava um rasgo no lado direito onde se via perfeitamente as manchas de sangue.

– Segure-se, Liambos! Porque agora começa a diversão! – Felisatti disse ao se aproximarem de um cruzamento entre duas avenidas.

Quando a primeira escolta entrou na via, o capitão pisou no freio. O motorista da escolta traseira foi obrigado a fazer o mesmo para que não batesse na ambulância. Felisatti deu uma guinada de trinta graus e entrou em outra avenida. Pisou no acelerador o máximo que pôde.

Recuperadas da surpresa, as escoltas entraram em perseguição.

Felisatti manteve a ambulância na via até alcançar outro cruzamento onde mudou de curso. Seu objetivo era alcançar os bairros operários de Xhante, pois suas ruas estreitas e becos ofereceriam um obstáculo para qualquer perseguição. Foi o que realmente aconteceu quando entraram no primeiro bairro. Duas curvas bruscas e três esquinas depois já não havia sinal de seus perseguidores.

Mas, neste instante, ouviram o ronco dos rotores de uma aeronave de asa rotativa.

Assim que a ambulância se encontrou dentro de seu alcance o canhão entrou em ação.
Felisatti sorriu. Aparentemente os uranitas haviam descartado seu prisioneiro.

Os projéteis de vinte milímetros destruíam o asfalto em torno da ambulância. Liambos encolheu-se quando um pedaço do asfalto perfurou a fuselagem destruindo os equipamentos. Com surpreendente perícia o capitão conduzia o veiculo num ziguezague que dificultava a mira eletrônica da aeronave uranita.

Francisco lançou-lhe um olhar ao qual ele retribuiu confiante.

Abandonaram o bairro e entraram numa via que os levou a uma região cheia de galpões abandonados. Desviaram de uma pilha de bobinas enferrujadas e dirigiram-se para um dos barracões. Assim que a ambulância desapareceu dentro do mesmo uma figura solitária surgiu à porta. Em seus ombros havia o que parecia uma caixa.

Pressentindo o perigo o piloto puxou o manche e forçou a subida da aeronave. Já era tarde. O míssil terra-ar abandonara seu lançador e atingira-a no ventre. Suas asas giraram por alguns segundos antes de despencar envolta em chamas.

Felisatti pisou no freio. Francisco desceu e abriu a porta traseira e uma sorridente Liambos saltou de dentro. Ela não se conteve em seus braços.

– Por que demoraram tanto?

– Queríamos ter certeza de que os remendos que puseram em você fossem de boa qualidade! – Francisco sorriu.

Felisatti correu ao encontro de Bilatto, que já se livrara do lançador. Ambos dirigiram-se até um bueiro e empregaram toda sua força para abri-lo.

– O que eles sabem sobre nossa missão?

– Aparentemente nada, major! O interrogador que esteve comigo no hospital sabia que éramos comandos terráqueos, mas não sabia o que estávamos fazendo em Marte!

– Vamos! – Bilatto gritou apontando para o bueiro aberto. – Logo isto aqui estará cheio de uranitas!

* * * * *

O reencontro de Liambos com os outros membros da equipe de Francisco foi caloroso e cheio de tapinhas nas costas. Todos estavam em um posto de parada do monotrilho distante seis quilômetros de Xhantes. Francisco havia chegado ali após atravessar uma rede de canais subterrâneos que permitiram-no passar sob as patrulhas uranitas responsáveis por fechar as saídas, ansiosos para recuperarem a prisioneira que lhes escapara.

Não demorou e um trem de carga parou. Embarcaram suas coisas e se despediram dos marcianos. Em especial da capitã Afanassief e de Hulnar. Desta vez não haveria guia local. Um apito agudo e longo anunciou que a composição estava partindo.

Seu próximo destino era Olimpus, a capital marciana. Última parada antes de cumprirem a tarefa que os trouxera a Marte.

* * * * *

A viagem fora longa, cansativa e ao mesmo tempo monótona e sem incidentes. Os comandos aproveitaram para recuperar as forças. Ao fim de uma semana avistaram as primeiras luzes da capital.

Assim como haviam feito em Xhantes, os terráqueos saltaram na primeira parada, nos limites da zona rural da capital. Caminharam alguns quilômetros sob o sol vespertino até conseguirem uma carona que os levou diretamente para Olimpus.

A capital do planeta vermelho era de tamanho comparável as megalópoles terrestres como Nova York, São Paulo ou Xangai, sendo que sua fundação datava dos primórdios da colonização. Naquele mesmo local, aos pés do maior vulcão do sistema solar, a primeira colônia de cúpula fora construída. Além de ser a maior concentração humana fora da Terra, excetuando-se obviamente as colônias lagrangeanas de Júpiter e Saturno, era também a cidade mais terráquea do sistema solar.

Ali as arquiteturas dos diferentes povos não se misturaram e um viajante poderia localizar com facilidade o bairro americano, o bairro francês, o bairro brasileiro, o chinês ou o árabe.

E foi justamente para o bairro árabe que os comandos se dirigiram.

O sol desaparecia no poente, lançando uma tênue luz avermelhada sobre as torres da principal mesquita da cidade quando eles saíram da estação do metro. E, enquanto eles desabavam nos bancos, da praça em frente à mesquita, Liambos aproximou-se de um telefone público. Meia hora se passou até que uma van parasse próxima a eles.

Dois dias depois o grupo se dividiu. Felisatti, Fisher e Liambos partiram para a cidade espaço-portuária de Albor Tholu. Francisco, Bilatto e Ibañes permaneceram na capital.


CONTINUA EM… 7 DIAS!




Véu da Verdade


No final do século 21, a Humanidade esbarrou com a verdade: não estamos sós. Mas não termina aí. Durante séculos o Sistema Solar vinha sendo mantido como reserva indígena por uma sociedade avançada composta por dezenas de espécies alienígenas.

Sessenta anos depois, a Humanidade não é uma espécie unida e parece à beira de uma guerra mundial. Considerada subdesenvolvida e primitiva, nossa espécie é relegada ao status de espécie em extinção e negada uma vaga na Liga dos Mundos.

É neste ambiente em que vive a tripulação de Lucille, um antigo transporte de cargas que serve agora de residência e meio de vida para uma tripulação incomum formada por um capitão francês de moral duvidosa, uma bióloga brasileira obrigada a ganhar a vida como guia selvagem e caçadora, um mecânico do asteroide Vesta em busca de uma aventura (mas não muito), um médico alienígena que trata seres orgânicos e sintéticos e uma inteligência artificial homicida responsável por pilotar a nave. Em seu caminho estão um grupo de passageiros destinados a um planeta selvagem e um caçador de recompensas que pretende impedi-los.

Véu da Verdade é uma história de ação com muito bom humor, que explora lendas urbanas e cultura para construir um universo onde a Humanidade é tratada como uma ‘espécie de 3º mundo’ na periferia da Galáxia civilizada.



Autor: JMBeraldo
Número de Páginas: 255
Ano: 2005
Arte da Capa: Ig Barros
ISBN:  8590534219
Preço: R$15,00 (Frete grátis para todo o Brasil)
Contato:  joao.beraldo@gmail.com  (compras podem ser feitas por e-mail, diretamente com o autor)

Visto no REDERPG
ULTRAX, criação máxima de E.C. Nickel, publicado no site QUADROID em 2004, agora aqui, toda coletânea de suas histórias, entrevistas, bios e pin-ups, compiladas por Lancelott em mais de 200 páginas... Não deixem de conhecer, rever,reverenciar esta magnífica criação do Quadrinho Brasileiro. Fazemos aqui um resgate e um tributo ao Nickel...


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Antologia: Daemonicus

Depois de lançar a antologia Angelus - Histórias Fantásticas de Anjos, a editora Literata faz uma chamada para uma nova coletânea que apresenta o outro lado da moeda: contos sobre demônios.



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Visto no Joe de Lima

Space Battleship Yamato 2199 EP3 - Trailer (PV)





Durack: Estou meio surpreso que este show está passando despercebido para os fans, mesmo sendo possível acompanha-lo sem precisar conhecer o original. Eu me pergunto se ele realmente irá se tornar um sucesso, talvez modesto, no Ocidente?

Roger Rambo: Não é tão surpreendente. Este não é os anos 80 ou 90, onde anime era conhecido principalmente por causa dos títulos de sci-fi.  Muitos dos fans modernos de anime, não acompanham, necessariamente, tudo. A maioria conheceu os animes através de séries de aventura mágica (Bleach, Naruto, One Piace, etc) ou moe, fanservice anime.  Na verdade, uma ficção cientifica no estilo militar não é, necessariamente, o que a maior parte das pessoas costumam gostar/ apreciar.

Principalmente, quando os, especialmente, personagens principais estão, na verdade, agindo como soldados profissionais e não adolescentes espasmódico ineficazes.

Postado Originalmente no ForumAnimesuki

CANHÕES DE MARTE


QUINTA PARTE:


Um silvo agudo cortou as áridas planícies marcianas. A composição avançava velozmente levantando a poeira avermelhada que havia se acumulado sobre seus trilhos. Era basicamente um trem de carga, mas desta vez, além das mercadorias costumeiras, sua carga era complementada pelos membros do comando terrestre.

Seria uma viagem longa e monótona de acordo com as palavras de Hulnar, então cada um procurou passar o tempo enquanto os 360 km/h contínuos da composição levantavam a poeira avermelhada que se depositara nos trilhos desde a ultima viagem.
E assim foram os dois primeiros dias.

Então chegou ao fim o terceiro dia com o sol terminando sua caminhada, mergulhando no horizonte. A noite caiu rapidamente no deserto vermelho-sangue. Era a ultima etapa da viagem, ao meio-dia marciano seguinte eles estariam aportando em Xanthe.

As horas avançaram indicando que aquela noite seria igual às anteriores. Pelo menos era o que pensava um sonolento Fisher quando ouviu o que pareceu ser o som de rotores que se aproximavam rapidamente. Tudo não poderia ser mais que sua imaginação se segundos depois não sentisse que a composição começara a reduzir a velocidade.

Então, seu instinto de sobrevivência, mesclado à experiência de anos nas forças especiais, gritou.

– URANITAS!

A resposta foi instantânea.

Homens e mulheres saltaram de seus lugares e apossaram-se das armas com uma agilidade e prontidão que somente anos de treino e sobrevivência sobre situações estressantes dariam.

– ELES JÁ ESTÃO AQUI! PRO CHÃO!

Mas não houve tempo. O ronco ensurdecedor dos motores das hélices invadiu o vagão seguido pela luz dos refletores que banharam os corpos dos terráqueos.

– Merda! CORRAM!

Correram.

Os sons característicos do canhão rotativo de dezesseis canos abafaram seus passos. Dezenas não, centenas de projéteis perfuraram as paredes do vagão extinguindo qualquer possibilidade de sobrevivência naquele espaço.

O sibilo dos projéteis cantava em suas costas quando Felisatti, que era o último da fila, saltou para dentro do outro vagão.

– Qual é a desses caras? – Bilatto resmungou, em meio a balburdia dos disparos. – Nunca ouviram falar que se deve dar chance de rendição?

Os disparos pararam, restando somente o som intermitente das asas rotativas da aeronave. A luz dos holofotes voltou iluminando o vagão arruinado.

– Precisamos neutralizá-lo! – Francisco expôs o óbvio. – Quando perceberem que não estamos no vagão irão transformar este trem num queijo suíço! Fisher! Bilatto! Isto é função de vocês, não?

– Achei que nunca iria falar, chefe! – Fisher sorriu, enquanto retirava algumas granadas magnéticas de dentro de uma das mochilas. Os dois sargentos se esgueiraram entre os paletes e chegaram à porta.

O som da aeronave fazia-se mais alto. Bilatto abriu vagarosamente a porta. Recuou assustado ao ver a cauda da aeronave tão próxima. Ela havia aproximado o máximo que pudera para observar dentro do vagão destruído. Isso facilitaria o trabalho deles.

Fisher ajustou o tempo da granada e ativou o dispositivo magnético. Seu braço descreveu um arco ao arremessá-la e o explosivo passou a menos de vinte centímetros da fuselagem da aeronave, distância mais que suficiente para que a micro-bateria magnética se ativasse, impedindo a queda e fixando o artefato na fuselagem. Os sargentos desapareceram porta adentro.

Indiferente, a aeronave elevou-se aparentemente satisfeita com o resultado de sua metralha. Então a granada detonou. O piloto sentiu o controle fugir de suas mãos ao mesmo tempo em que seu artilheiro lhe gritava algo. Ele nunca soube o que era, pois fora envolvido pela bola de fogo em que se transformara o aparelho.

E, como ultimo ato, aquela bola de chamas e metal retorcido chocou-se contra o vagão. Uma imensa pira elevou-se iluminando o deserto e fazendo a composição estremecer. Aço retorcido caiu sobre os trilhos e as labaredas lamberam os outros vagões fazendo as chamas propagarem-se. O calor solar fundiu o metal e os trilhos estalaram, desmanchando como gelatina aquecida. Um tranco surdo ecoou por toda a composição e os vagões descarrilaram.

O estrondo foi ouvido a quilômetros. A nuvem de poeira levantada pelo deslocamento dos vagões tombados pelo solo avermelhado tampou as estrelas. O som de metal retorcendo-se e quebrando-se foi ouvido por alguns segundos então o silencio noturno envolveu os restos da composição.

Mais alguns segundos se passaram até que passos foram ouvidos. Francisco saía cambaleante de dentro de um vagão semi-destruído, um dos poucos que não haviam tombado, seguido pelos outros. Este detalhe havia evitado que a carga se desprendesse das faixas de segurança e esmagasse os comandos.

O major contou aliviado que todos estavam ali. Escoriados, mas vivos.

Então, como um fantasma, o som de rotores encheu novamente o deserto e os holofotes iluminaram os terráqueos. Novamente o som característico do canhão rotativo percorreu o deserto. Seus projéteis levantavam e revolviam a terra onde a atingiam.

Eles correram procurando proteção. Mas nem todos conseguiram.

Liambos sentiu seu corpo ser impulsionado para frente quando os projéteis passaram por ela. Mas não sentia mais nada quando chocou-se violentamente contra o solo endurecido.

A aeronave sobrevoou o corpo e o vagão onde os comandos haviam se protegido e preparou-se para dar a volta. Aproveitando a manobra da aeronave, eles se esgueiraram para debaixo de um dos vagões tombados. Era uma medida desesperada que sabiam não dar em nada. Era só a aeronave uranita usar um míssil e tudo estaria acabado. De onde estavam podiam observar o corpo inerte da agente e viram a si mesmos naquele estado.

Neste instante Bilatto retirou duas granadas magnéticas da bolsa e se arrastou para fora da proteção.

Fisher segurou-o pelo pé.

– Aonde pensa que vai? Não vai adiantar nada! Eles não vão chegar perto o suficiente para usarmos uma granada!

– Se não fizer algo seremos todos trucidados! Solte-me!

– Não! É loucura!

– Sargento... – Francisco gritou percebendo o que estava acontecendo.

– Tenho que fazer isso pela Liambos, major! – Bilatto encheu a mão de terra e lançou-a nos olhos do companheiro, que o soltou para acudir os olhos. Bilatto desapareceu na escuridão.

A aeronave completou a volta e preparou-se para outro ataque. Desta vez ela vinha mais baixo, num vôo rasante, passando por cima dos vagões descarrilados. Então uma figura surgiu sobre um dos vagões e começou a correr na direção do local onde achava que a aeronave iria passar. Bilatto torcia para que não o vissem na escuridão.

A aeronave passou no exato instante em que ele pulou em sua direção. Seu braço estava elevado, como um jogador de basquete tentando uma enterrada. Por alguns instantes todos acharam que ele tocaria na fuselagem. Mas perdeu altitude e caiu sobre a terra devastada.

Percebendo que quase havia sido atingido, por algo que não sabia o que era, o piloto abortou o ataque e elevou-se, mantendo-se parado no mesmo ponto. Seus holofotes vasculhavam a área. A luz iluminou o sargento, que se esforçava para se levantar. O artilheiro sorriu de satisfação, achando que aquele homem era louco. Seu dedo moveu-se para apertar o gatilho do canhão.

Nunca apertou.

As granadas detonaram ao mesmo tempo e a aeronave, assim como sua companheira, transformou-se numa bola de chamas e metal retorcido, desabando sobre o solo e iluminando a noite.

Bilatto arfava com dificuldade quando se aproximaram dele.

– Que loucura, homem! – Fisher resmungou. – Mas foi incrível!

– Tudo bem? – Ibañes procurou ajudá-lo a se levantar. – Consegue andar?

– Sim! Mas acho que o braço esquerdo já era! – De fato, o braço pendia inerte e as caretas que fazia indicavam que ele estava quebrado.

– Temos que sair daqui! – Fisher ajudou a apoiá-lo.

Na noite marciana já se podia ouvir o som de veículos se aproximando. Assim como o dos rotores de mais aeronaves.

* * * * *

O astro-rei percorria o ultimo quadrante do céu quando avistaram o asfalto da rodovia. E as luas brilhavam opacamente quando encontraram um restaurante de beira de estrada. Ele se encontrava fechado, abandonado, e eles simplesmente desabaram, exaustos, na varanda. Todos estavam esgotados, suas escoriações estavam infeccionando graças à exposição a areia marciana. Ficaram um tempo na escuridão simplesmente respirando e ouvindo a respiração dos outros.

Então, minutos depois, Hulnar levantou-se e procurou um telefone publico. Deu a volta na construção e nada encontrou. Já cogitava a idéia de forçar a entrada no restaurante quando viu a cabine. Caminhou rapidamente para lá torcendo para que não estivesse quebrado. Entrou na cabine e tirou o do gancho. A linha deu sinal.

O céu se avermelhava na direção do nascer do sol quando um furgão entrou no pátio do restaurante abandonado.

* * * * *

Cinco horas depois já se encontravam alojados numa casa suburbana de Xhantes e estavam alimentados, banhados e com as feridas limpas e recobertas por anti-sépticos. Owned havia trocado a tala improvisada do braço por gesso, após receber um tratamento de saturação de osso via laser que lhe deixaria intacto em questão de dias.

– Serge! – Uma mulher, na casa dos trinta, abriu a porta e avançou diretamente para o marciano, abraçando-o.

 – Quase não acreditei quando disseram que você havia chegado em Xhante! – Ela se afastou um pouco observando-o.

– Meu Deus, você está terrível! Estes são os terráqueos? – Complementou olhando para os comandos. Hulnar limitou-se a balançar a cabeça. Estava nitidamente embaraçado pelo excesso de preocupação demonstrado pela mulher.

– Sou o major Francisco Vinhas! – Francisco se adiantou oferecendo a mão para a mulher - E este é meu pessoal: capitão Felisatti, tenente Ibañes e os sargentos Fisher e Bilatto!

– Capitã Seiko Afanassief! Ex-Força de Defesa Marciana e atual líder da célula de resistência de Xhante! Estou realmente feliz por terem escapado daquele incidente com o trem. A noticia divulgada pelos uranitas era de que um ataque terrorista havia destruído completamente o trem e o monotrilho!

Outra vez ela voltou sua atenção para Hulnar.

– Quando disseram que havia sobrado apenas um terrorista vivo, quis acreditar que era você, Serge!

Os comandos trocaram olhares incrédulos.

– A senhora disse que capturaram alguém vivo? – Bilatto perguntou ansioso.

– Sim! Mas agora vejo que era balela, pois vocês estão todos aqui! – Ela sorriu de satisfação como quando alguém descobre uma mentira.

– É a Liambos, major! – Ibañes falou, dando vazão à certeza de todos.

– Liambos? – Afanassief perguntou curiosa.


CONTINUA EM… 7 DIAS!!!



CANHÕES DE MARTE

QUARTA PARTE


Danton era uma cidade de médio porte tipicamente marciana com suas casas e prédios de cor avermelhada. O sol começava sua jornada ao poente quando eles vislumbraram as primeiras construções e poucos minutos depois estavam recebendo o aceno de um guarda uranita para que parassem, duma barreira na entrada da cidade.

– Os documentos! – Pediu, encarando os seis ocupantes do hovercraft com desconfiança. Outro uranita começou a dar a volta no veiculo. Segurava um equipamento que parecia fazer leituras do veículo. Um terceiro mantinha-se à distância, observando. Três outros observavam do lado oposto.

– O que vieram fazer em Danton? – O uranita perguntou, observando os papéis.

– Estamos fazendo uma visita a um parente! – Liambos apressou-se em dizer.

– Posso saber quem é este parente? – O guarda correu os olhos, incrédulo, pelos ocupantes do veículo.

Todos olharam para Liambos.

– Gilbert Parcem! Ele tem uma mercearia na cidade, a “Parcem e filhos”. O senhor conhece? – Ela sorriu. – Ouvi dizer que é o mais barateiro da região!

O guarda do aparelho terminara sua volta ao veiculo e fizera um sinal para o que estava olhando os documentos.

– Os documentos estão em ordem! Podem ir!

Francisco agradeceu e ligou o hovercraft. Queria ganhar distancia o mais depressa possível, mas tinha que ser cauteloso, então deslizou o veiculo devagar até virar na primeira esquina e sumir da vista do pessoal do posto de controle.

Um suspiro coletivo de alivio foi ouvido dentro do hover.

* * * * *

O hovercraft estava estacionado nos fundos da Parcem e Filhos, parcialmente oculto dos olhares curiosos que vinham da rua. A mercearia estava vazia àquela hora e apenas um atendente permanecia no balcão, com olhos sonolentos e expressão cansada após um dia de trabalho.

Francisco e seus comandos estavam alojados numa sala localizada no depósito da mercearia, logo atrás de uma série de prateleiras pesadas. No local havia uma dispensa razoável que foi prontamente assaltada por Ibañes e Bilatto, à procura de vinho. Havia ainda várias camas, dois sofás e uma mesa; um mapa-múndi marciano numa das paredes e diversos mapas, táticos ou viários, sobre a mesa. Francisco e Liambos observavam um destes mapas quando a porta se abriu.

Primeiramente entrou um homem de meia-idade, Yoh Parcem. Atrás dele entrou um rapaz com pouco mais de treze anos, Foghia Parcem, que trazia uma sacola com várias latas de cerveja marciana. Ibañes e Bilatto olharam para a sacola, sorridentes.

Assim que entraram, um terceiro os acompanhou: era da mesma idade de Francisco, tinha olhos atentos e desconfiados. Olhou de relance todos os presentes e fixou sua visão em Francisco.

– Este é Serge Hulnar – Parcem fez as apresentações - Ele irá acompanhá-los até a capital!

A maioria apenas cumprimentou-o com um movimento de cabeça. Eles estavam mais interessados no interior da sacola trazida por Foghia.

– Sou Ilana Liambos – Liambos se aproximou – e este é o major Francisco Vinhas!

– Prazer! – Apertou as mãos de ambos - Perdoem-me por estar adiantado, mas foi preciso, os uranitas deram pela falta de uma de suas patrulhas em Terra Meridian! A julgar pelo hovercraft estacionado nos fundos já tenho uma idéia dos responsáveis!

– Eram eles ou nós! – Fisher disse entre um gole e outro de cerveja marciana.

Hulnar deu de ombros.

– Menos cinco invasores, pelo menos! Infelizmente não demorou muito para que eles dessem pela falta da patrulha e iniciaram as buscas!

– Estamos meio longe de Terra Meridian...

– Em outras ocasiões isto bastaria, pois apenas confiscariam outro veiculo igual para repor a perda material! Mas de acordo com nosso contato no Comando de Ocupação eles analisaram pedaços de metal recolhidos no local e confirmaram sua origem como terráquea! Então expediram uma ordem de busca e, se possível, captura!

Hulnar fez uma pausa para ver se os terráqueos teriam entendido o que aquele “se possível” queria dizer. Pelas suas expressões eles haviam entendido perfeitamente.

– Bom! Esta ordem ainda não chegou aqui porque passamos incólumes pela barreira!

– O que nos dá uma vantagem, mas não muita! Se tiver de acordo, major, sou da opinião de que devamos partir o mais breve possível!

– Sou da mesma opinião! Mas antes precisamos recuperar nosso equipamento que ficou enterrado num ponto fora da cidade.

– Sem problema! – Yoh Parcem falou. – Meu filho conhece um caminho que passa ao largo dos postos de vigilância...

Ao ouvir se referirem a ele o jovem Parcem se postou ao lado do pai.

– Ótimo. Fisher, Bilatto! Vão com o garoto!

Os sargentos saíram, seguindo o rapaz.

– Então qual é seu plano, Hulnar?

– Como todo e qualquer transporte aéreo com exceção das aeronaves militares estão proibidos então só nos sobra o trem eletromagnético! Pegaremos o próximo trem e seguiremos até Xhante onde trocaremos de linha e seguiremos até Olimpus! Nossa célula em Xhante providenciou bilhetes e salvo-condutos para que possam viajar! – Retirou do bolso diversos papéis e entregou-os a Liambos.

- São originais, alguns de nossos membros os requisitaram com a desculpa de que visitariam parentes em Terra Arábia e permanecerão escondidos até que voltemos!

Liambos agradeceu e distribuiu-os entre os comandos presentes. Guardou os pertencentes a Fisher e Bilatto. Entregaria a eles quando voltassem.

– E nosso equipamento? Temos seis rifles polivalentes, granadas magnéticas, detonadores e explosivos de alta performance.

– Os detonadores são imprescindíveis, pois há falta deles. Os uranitas confiscaram todos. Até mesmo os mineiros de Cimmeria e Promethei encontram dificuldades em consegui-los para as minas. No mais, sugiro que carreguem apenas o que acharem indispensável.

Neste instante a porta se abriu. A senhora Parcem, uma mulher de 45 anos e feições gentis, empurrava um carrinho com varias panelas e pratos.

– Hora do jantar!

CONTINUA EM… 7 DIAS

Desculpem-me pelo atraso. Estou tendo problemas com a internet nestes ultimos dias e o local onde moro – zona rural - não possui lan houses. Sinceramente espero que este seja o primeiro e ultimo atraso... é isso.