CANHÕES DE MARTE


PRÓLOGO:

Terra e Marte sempre tiveram seus destinos entrelaçados. Muitos, até mesmo, dizem que a era espacial deveria ser contada a partir da chegada do homem ao planeta vermelho.

De fato, as primeiras colônias extraterrenas foram as marcianas. E, conseqüentemente, o primeiro mundo terraformado foi o astro de areias vermelhas.

Areias vermelhas que presenciaram o derramamento de sangue na primeira guerra humana fora da Terra. Ela foi a primeira, mas outras vieram. Inclusive a revolução que deu aos marcianos sua independência.

Desde então Marte e Terra têm se lançado na conquista e expansão por todo o sistema solar. Disputas vieram. Primeiro pelas luas de Júpiter. Depois pelos satélites de Saturno. As duas potências solares engolfaram todos os astros naquela que seria a maior de todas as guerras.

Senhores absolutos dos filhos do Sol, Marte e Terra disputavam cada pedaço de matéria flutuante sem se importar com a sorte de seus habitantes. Mas, na pacata Oberom que orbitava o distante Urano, alguém resolveu dar um basta.

Primeiramente foram unificadas as aguerridas luas uranitas. Em seguida se anexou Netuno e Plutão. Tudo isso sob os olhares indiferentes de Terra e Marte que descobriram tarde demais que um novo poder se erguia no Sistema Solar.

Um poder que desafiava as antigas potências. Os colonos de Saturno foram os primeiros a perceber isso e a colocar em prática seu antigo sonho: unificar todas as luas de Saturno e Júpiter numa única coligação. O apoio uranita foi imprescindível para a concretização deste sonho.

Se Marte e Terra não se importavam com o que acontecia com as colônias externas do Sistema, elas se importavam, e muito, com o que acontecia nas órbitas dos planetas jovianos. Sentindo-se ameaçados eles decidiram agir.

Percebendo isso, o déspota uranita subiu a tribuna e, num discurso inflamado, proclamou que o único meio do Sistema alcançar a paz era se desfazer da antiga ordem. Uma nova ordem deveria ser estabelecida, sob as cinzas das antigas potências. Uma nova ordem que teria Oberon como capital. Ovações foram ouvidas desde Plutão até as colônias no cinturão de asteróides.

Sentindo-se fortalecidos, os uranitas puseram sua máquina de guerra em movimento. Seu objetivo era um só: unir todos os filhos do Sol sob sua bandeira. Usando toda arrogância e desconfiança mútua que possuíam, Marte e Terra lutaram separadamente. Pagaram o preço.

Os uranitas bombardearam as colônias de Mercúrio. Desembarcaram tropas no indeciso Vênus, obrigando-o a preocupar-se mais em defender seu território do que se aliar as duas potências espaciais.

Isolados, Terra e Marte perceberam, tarde demais, que alcançariam a vitória apenas com a união de suas forças. Mal deram-se conta disso e Marte sucumbiu sob o jugo uranita.

Só e isolada, a Terra recusou-se a aceitar a proposta de rendição uranita. Era orgulhosa demais.

Sem muita escolha e decididos a terminar a guerra, os uranitas atacaram o planeta azul. Foram meses de intensos combates nas órbitas entre a Lua e a Terra. No fim foram rechaçados pelas forças terrestres, com o apoio duma coalizão das forças sobreviventes dos planetas ocupados.

Exauridos e cansados, após cinco anos de guerra ininterrupta, os uranitas recuaram.

Enquanto seus adversários descansavam e recuperavam as forças, a Terra não parou de se mover. Enviou tropas a Vênus. Atacou comboios e recuperou Mercúrio com suas preciosas jazidas minerais.

Então, hoje, o governo da Terra sentiu-se forte o suficiente para ousar um plano que viraria de uma vez por todas a sorte da guerra: libertar Marte. A segunda maior nação do Sistema Solar. A segunda mais industrializada. A segunda mais antiga. E tão orgulhosa quanto a própria Terra. Mas o sucesso do plano dependia da transposição de dois obstáculos: Deimos e Fobos.

As pequenas luas marcianas não eram logicamente o problema, mas os canhões de dísrupção iônica que havia sobre seus dorsos.

Estas maravilhas da engenharia bélica disparavam uma carga hiper-concentrada de partículas ionizadas que ao atingirem o alvo sobrecarregavam seus sistemas de propulsão. Causavam assim uma disruptura nos reatores e sistemas operacionais inutilizando-os. A belonave terminava imóvel no vácuo, a mercê das forças inimigas.

Tais armas haviam sido o orgulho do Ministério da Defesa Marciana que durante anos investiu em seu desenvolvimento e construção. Infelizmente não ficaram prontas a tempo de evitar a invasão uranita, ficando sua conclusão a cargo das forças de ocupação. Para a infelicidade dos estrategistas militares terráqueos.

Qualquer plano de invasão marciana teria que levar em conta a presença dos canhões e sua eventual neutralização. E a busca de um meio de neutralizá-los foi o motivo que levou àqueles homens a se reunirem num pesqueiro nos arredores de Campo Grande.

– Então esta parece ser nossa melhor opção, senhores! - Mohammed Al Asiff, chefe da inteligência aliada, disse olhando seus interlocutores, que mantinham as cabeças baixas. Durantes dez horas haviam debatido ininterruptamente.

– É o que nos parece, caro Mohammed – O almirante Joshua Macdiesell concordou. "Se não neutralizarmos aqueles canhões não poderemos nem pensar em invadir Marte e somente o envio de um grupo de comandos parece ter alguma chance de sucesso."

– Poucos homens com o equipamento adequado podem obter sucesso onde um batalhão conseguiria apenas derrota – o general Diego Morales, comandante do departamento de ações especiais terrestres, parafraseou o lema de seus comandados.

– Não podemos esquecer, Diego, que se fracassarmos haverá um atraso considerável nos planos do Estado-Maior...

Mohammed não precisou terminar a frase, todos eles sabiam que qualquer fracasso significaria o fim de suas carreiras.

– Não se preocupem – Diego Morales retirou um cigarro da cartela e acendeu-o. – Conheço o homem perfeito para o trabalho.

Deu uma tragada e soltou a fumaça lentamente.

CONTINUA EM 7 DIAS....

Finalmente uma semana se passou e aqui estamos nós com uma nova série se iniciando. Infelizmente não acontece muita coisa neste capitulo - afinal é apenas o prólogo mesmo - portanto minhas desculpas a todos. A partir da próxima semana a história começara a ficar mais interessante. Principalmente porque conheceremos nossos heróis/protagonistas. 

É isso... Fui!!

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