CANHÕES DE MARTE


SEGUNDA PARTE:


A Fragata Espacial Kilimanjaro era considerada a nave mais rápida da Armada Espacial Terráquea. Este detalhe estava aliado as suas linhas pouco proeminentes, pintura negro-dispersiva e um poderoso equipamento de contramedidas eletrônicas que a tornavam virtualmente invisível aos equipamentos de detecção atuais.

Uma nave com essas qualidades não passaria despercebida pelos oficiais do serviço de inteligência ou das forças especiais. Seu comandante já esquecera a quantidade de vezes em que a nave fora requisitada para efetuar uma missão para um destes departamentos. Sempre eram missões que envolviam infiltração em território inimigo; ora para colher informações, como ocorrera em Mercúrio, ou lançar comandos, como fizera em Vênus três semanas atrás.

Desta vez a fragata iria novamente lançar comandos. Mas, ao contrário da missão em Vênus, onde recebera a ajuda de uma esquadra que distraíra a atenção das unidades uranitas, eles estavam sozinhos.

Em linhas gerais sua tarefa consistia em chegar o mais próximo possível do planeta vermelho, lançar um grupo de comandos e sair dali o mais rápido possível. Uma missão simples se não houvesse as naves de patrulha uranitas, seus canhões de defesa orbital e os malditos canhões iônicos em Deimos e Fobos.

O capitão de fragata Hugo P. Shuster estava justamente pensando num modo de atravessar as defesas uranitas quando o radarista olhou para ele. Olhos apreensivos.

– Temos três sinais! Duas corvetas às cinco horas e um cruzador as nove, senhor! Estão rumando diretamente para nós!

Shuster ponderou que contra as corvetas não havia a opção de se tentar uma fuga afiançada na velocidade. Elas corriam tanto, ou até mais, que a Kilimanjaro. Sobrava o enfrentamento direto e uma corveta, em armamento e blindagem, não era párea para uma fragata.

Duas delas, comandadas por bons capitães, talvez tivessem alguma chance. Mas, a presença da outra belonave indicava que eles não quiseram arriscar. O calibre dos canhões do cruzador abriria o casco da Kilimanjaro como faca quente na manteiga.

– Todos a seus postos de combate! – Ordenou.

As sirenes de alarme correram toda a extensão da embarcação trazendo um aparente caos a bordo a medida em que cada tripulante procurava seu posto.

– O que se passa, capitão? – Francisco perguntou, entrando na ponte, cinco minutos depois.

– Temos três naves em nosso encalço! – Shuster respondeu sem se virar para o major - Sala de Máquinas: dê tudo o que pode nos dar! Acelere ao máximo, senhor Marusaki!

Obedecendo a ordem de seu capitão o timoneiro elevou o manete e empurrou o timão para frente. A belonave aumentou sua velocidade. Infelizmente esse aumento de velocidade comprometia a furtividade da Kilimanjaro, pois aumentava o ruído de fundo produzido pelos motores iônicos tornando-os facilmente detectáveis pelos sonares espaciais.

– Vamos tentar uma corrida para despistá-los! – Explicou para Francisco, que permanecia ao seu lado.

Shuster parecia confiante, mas interiormente estava ciente de que aquela manobra pouco adiantava. Apenas esperava conseguir uma boa distancia entre a Kilimanjaro e o cruzador que possibilitasse enfrentar as corvetas sem ter que se preocupar em voltar às costas para a outra belonave.

Suas esperanças foram recompensadas quando o sinal, correspondente ao cruzador, afastou-se o suficiente para que esboçasse um sorriso. Ao mesmo tempo, os sinais das corvetas haviam se aproximado; era obvio que as naves procurariam impedir o avanço da Kilimanjaro até a chegada da belonave mais lenta.

– Reduzir velocidade! – Ordenou.

– Corvetas dispararam! Cerca de vinte mísseis, T menos 30 segundos! – O radarista anunciou ao mesmo tempo.

– Soltar contramedidas!

Partículas de metal magnetizado foram lançadas ao espaço criando uma chuva reluzente e colorida, que logo desapareceu ao ser engolfada pelas explosões dos mísseis. A fragata terráquea desapareceu em meio ao caos atômico.

As corvetas avançaram. Estavam confiantes. Aparentemente haviam causado mais dano a Kilimanjaro do que esperavam. Seus sensores estavam cegos por causa dos sóis atômicos, mas quem se importava? Seus olhos haviam presenciado a fragata desaparecer envolta pelas chamas.

Descobriram seu erro tarde demais.

Orgulhosa e intacta, a Kilimanjaro saiu do meio do inferno criado pelos mísseis e manobrou seus canhões laser. Posicionou-se ameaçadoramente.

Então ela disparou.

Os raios atravessaram o vácuo, deixando um rastro de luz azul, e atingiram uma das corvetas. Arrombando seu casco, sugando sua atmosfera e por fim transformando-a numa bola de chamas e destroços retorcidos.

Ainda surpreendida pela manobra terráquea a corveta uranita restante demorou a reagir dando tempo para que os canhões da fragata atirassem novamente.

Desta vez os disparos não foram tão certeiros.

Mas os dois que acertaram danificaram de tal forma os sistemas da nave que ela simplesmente parou. Dos rombos produzidos pelos projéteis terrestres podia-se ver a atmosfera sendo sugada pelo vácuo cósmico.

– Distância do cruzador?

– 10 minutos, senhor!

Shuster contemplou a corveta avariada. Era tentador dar um fim a ela, mas o cruzador estava próximo demais.

– Toda velocidade para frente, senhor Marusaki! Temos uma entrega para fazer!

* * * * *

O disco azul-avermelhado, pontilhado de nuvens brancas, pendurava-se no abismo infinito.

A Kilimanjaro avançava com velocidade cautelosa. Todos seus tripulantes estavam tensos, de olhos grudados nos sensores. A rota escolhida pelo capitão Shuster colocaria a fragata na sombra do planeta, evitando que a belonave terrestre fosse detectada antes do tempo.

– Cinco minutos para o ponto lançamento! – O timoneiro anunciou, fazendo com que a tensão aumentasse.

– Reduzir velocidade! Que todos estejam atentos!

O que todos mais temiam era que ao reduzirem a velocidade os satélites de defesa orbital obtivessem tempo para rastrear a nave, cuja furtividade seria comprometida quando abrissem as comportas para lançar o módulo que transportava o comando de Francisco. Segundos de rastreamento seria suficiente para que os computadores de defesa fixassem a mira e descarregassem uma chuva mortal de mísseis e lasers.

Mas a nave avançou lentamente, sem que fosse notificada alguma aproximação dos satélites remotos. A tensão começou a se dissipar e os tripulantes começaram a sentir a confiança de que tudo daria certo.

Mas, como dizem por ai, se algo tem uma ínfima chance de dar errado, dará!

A tela do radarista começou a piscar.

– Satélite de Defesa se aproximando numa órbita baixa, parece que tem a intenção de impedir nossa passagem!

– Um minuto para o ponto de lançamento! – Alguém informou antes que Shuster perguntasse.

– O satélite se colocou exatamente sobre o ponto de lançamento, senhor! E está disparando!

O capitão soltou um insulto quando percebeu os raios laser avançarem e rasparem a fuselagem da Kilimanjaro, perdendo-se no espaço. Havia pouco tempo para agir, dentro de segundos mais satélites se juntariam àquele. Quase que imediatamente seriam seguidos por naves de combate que impediriam a fuga da fragata.

– Revidar o disparo!

Sob a ordem do capitão os canhões dianteiros da fragata descarregaram sua carga mortal sobre o satélite que se transformou num emaranhado de metal retorcido que começaram a cair na direção do planeta.

– Lançar módulo!

Uma comporta se abriu no corpo da belonave e o módulo, em forma de bola, foi arremessado na direção dos destroços.

– Capto dois satélites se aproximando e vários sinais fracos vindo de nossa retaguarda!

Shuster não precisava que lhe dissessem o que eram aqueles sinais fracos.

– Timoneiro! Todo o empuxo a frente! Vamos dar o fora enquanto podemos!

Os motores da Kilimanjaro crisparam. Ela fez uma curva e disparou na direção mais distante do planeta vermelho passando, no caminho, por um cruzador que captou seu sinal por efêmeros dois segundos.


CONTINUA EM... 7 DIAS

Lançamento - Os Invictos – Gênese

Quando a cidade brasileira de Nova Aurora é atacada por monstros pré-históricos, munidos de armas letais e avançadas, apenas um grupo de super-heróis está preparado para corresponder a tal ameaça, Os Invictos.
Esses e outros eventos estão na mira de um ser cósmico regente do tempo cujos objetivos ainda são um mistério. Vasculhando o passado ele procura determinar os elementos que definiram a formação dos Invictos.
Conheça Os IlDons, heróis alienígenas de um passado distante que visitam a Terra e estabelecem laços com uma tribo de índios brasileiros muito especial. Ao retornarem para seu mundo, após terem cumprido sua missão na Terra, Os IlDons se deparam com um avassalador conflito intergaláctico com seu planeta natal como alvo.
Os Invictos são os maiores super-heróis do Brasil no futuro, mas que futuro seria este? A minissérie Os Invictos Gênese os convida para uma viagem que irá desvendar todos os acontecimentos cruciais que levaram o Brasil a se tornar a maior potência do mundo. Esse é resumo que apresenta o mais novo lançamento da Cultura de Quadrinhos, a obra  é uma criação do Rafael Tavares um dos fundadores do Grupo Projeto Continuum, a publicação “Os Invictos – Gênese” é um projeto do Rafael Tavares (Criador e Roteirista) e Renato Rei (Desenhos), as Letras e diagramação da publicação foram desenvolvidos pela Cultura de Quadrinhos. Segundo o autor a publicação terá três edições, onde conforme o titulo vai apresentar a origem dos nossos heróis, suas grandes aventuras e explicações mais que importantes para aqueles que já conhecem os personagens ou não. Com certeza é uma oportunidade impar para aqueles que querem conhecer heróis nacionais desde seu inicio. Na bela capa desta edição ainda contamos com os artistas José Luís Arts (desenho), Mano Araújo (arte-final / Rascunho Studio) e Fred Marinho (cores / Rascunho Studio).
Os Invictos Genese tem Formato Americano, Capa colorida, Miolo PB, Off set, com 24 páginas, ao Preço de R$6,00 + taxa de envio.
Assim como outras publicações a revista esta a venda na Loja Cultura de Quadrinhos.
Para conhecer mais dos Invictos acesse o blog dos heróis clicando na imagem abaixo.


Devir Livraria lança Trilhas do Tempo

A Devir Livraria anunciou o lançamento de Trilhas do Tempo, novo livro de contos do mestre da ficção científica brasileira Jorge Luiz Calife.

O livro reúne vários contos publicados anteriormente por Calife durante a década de 1980, em revistas como Playboy, Manchete, EleEla e Isaac Asimov Magazine, combinando sensualidade com ficção. Trilhas do Tempo também inclui uma narrativa inédita, A Estrela e o Golfinho, e uma linha do tempo com a cronologia detalhada do Universo da Tríade, ambientação de suas histórias mais famosas.
Trilhas do Tempo tem 176 páginas em formato 14 x 21 cm. O preço não foi divulgado






Por Thiago Colás
Fonte:HQManiacs

Lançamento: Ação Magazine 03

Já está nas comic shops e em breve nas bancas o terceiro número do Almanaque Ação Magazine, coletânea de HQs em estilo mangá totalmente produzidas no Brasil.

Esta edição tem a estreia de Assombrado, nova série escrita por Petra Leão com arte de Roberta Pares Massenssini, que traz jovens detetives em meio ao sobrenatural que se oculta em uma grande cidade.

A revista traz ainda as sequências das séries Expresso, de Alexandre Lancaster; Madenka!, de Will Walbr; Jairo, de Michele Lys, Renato Csar e Altair Messias; e Tunado, de Maurilio DNA e Victor Strang. 

Também nesta edição o leitor confere Pré – O Drama da Escolinha, de Max Andrade Duarte, HQ selecionada no Concurso Seja o Novo! realizado pela revista. Completam a publicação matérias sobre cinema, livros e uma entrevista com Petra e Roberta, as autoras da série Assombrado.

 O Almanaque Ação Magazine #3 tem 164 páginas, formato 16 x 23 cm e custa R$ 9,90. O lançamento é da Lancaster Editorial. Para adquirir na imagem abaixo



Por Carlos Costa
Fonte:HQManiacs


CANHÕES DE MARTE


PRIMEIRA PARTE:

O major Francisco Vinhas levantou-se lentamente, não queria acordar sua amante que ronronava mansamente a seu lado. Caminhou em direção a janela. Afastou as cortinas e divisou os raios dourados do sol que se lançavam sobre as ruas de Salvador.

Havia poucas pessoas na rua àquela hora. Uma senhora que saía para passear com seu cão. Um jovem de vinte e poucos anos vindo em sentido contrário, de walkman no ouvido, fazendo algo que deveria ser tomado por uma corrida matinal. Na casa em frente, um senhor caminhava até o portão e recolhia seu jornal matutino voltando rapidamente para a segurança de seu lar.

Francisco sorriu.

Em nada naquela cena, e nas atitudes daquelas pessoas, levariam a crer que havia uma guerra lá fora. Uma guerra que treze meses atrás havia ameaçado a própria Terra.

Quando noite após noite a Força de Defesa Orbital engalfinhava-se com os invasores uranitas, tornando os céus um espetáculo de luzes e estrelas cadentes, tornando-se assim o único obstáculo de um possível desembarque inimigo em solo terrestre.

– Volta pra cama, querido! – A voz suplicante de sua amante retirou-o de seus pensamentos.

A jovem de cabelos ruivos se sentara na cama, exibindo o dorso nu salpicado de gotículas de suor. Seus olhos verdes olhavam-lhe desejosos através das mechas de cabelo molhado que procurava afastar languidamente com a mão. Francisco bem que gostaria de voltar a se entregar àqueles braços, mas tinha obrigações.

– Sinto muito, querida – caminhou na direção da moça e acariciou seu rosto úmido – mas o dever me aguarda – E beijou-a levemente nos lábios.

Neste instante o videofone sobre o criado-mudo começou a tocar. E, enquanto Francisco se afastava, vestindo suas calças, a jovem se enrolava no lençol e atendia o aparelho. O rosto sorridente do general Diego Morales surgiu na tela.

– Bom dia, querida!

– Oi pai...

– Meu futuro genro está aí com você? – o general perguntou, ignorando a cara de zanga da filha.

– Estou aqui, general! – Francisco apareceu no vídeo, já de calças e abotoando a camisa.

– Ótimo! Preciso que venha até o ministério, imediatamente!

– Outra missão, senhor?

O general limitou-se a fazer um movimento de cabeça.

– Não acredito! Não acredito! – A ruiva esbravejou, transtornada, fazendo com que os dois homens olhassem para ela. "Não acredito que o senhor vai mandá-lo numa missão estando nosso casamento tão próximo..."

– Entenda, Melissa! Eu...

– Não quero entender nada, pai! – Ela balançou a cabeça e voltou-se para seu noivo – Quem tem que se explicar é este sujeito aqui! Você não havia me prometido que daria baixa do serviço ativo quando terminou a ultima missão?

– Querida, eu... eu... general? – Francisco procurou a ajuda de seu sogro, mas o esperto general aproveitara a distração da filha e desconectara. "Velho sacana", pensou.

– Então? Estou esperando! – Melissa Morales fuzilava-o – E não me venha com "querida"...

* * * * *

– Como foi com Melissa? – Morales perguntou, assim que seu genro fechou a porta do gabinete, sorrindo.

– Nem te falo... – Francisco respondeu, retirando o quepe e alisando o cabelo antes de pendurá-lo na chapeleira.

O major precisara de três horas para apaziguar os ânimos de sua noiva. Coisa que conseguiu somente após prometer-lhe, pela terceira vez, que abandonaria o serviço ativo após a missão.

– Ela tem medo, mesmo vindo de uma família militar, general!

– Não a censuro, meu rapaz! Não gostaria de perder meu genro numa destas missões suicidas, mas temos poucos homens com as qualificações e a experiência que possui – Morales deu a volta na mesa. Pousou a mão no ombro de seu futuro genro. "Façamos assim: após esta missão lhe darei seis meses de férias. Quando voltar haverá um cargo te esperando aqui no ministério! Que acha?"

– Nem sei o que dizer, general...

– Considere essa oferta meu presente de casamento!

Francisco procurou disfarçar o sorriso de satisfação por ter ouvido aquilo. Desde que conhecera a bela filha do general sentira cada vez mais necessidade de abandonar aquela profissão de risco. Somente seu senso de dever o impedira de dar baixa.

– Mas, voltando ao motivo de tê-lo chamado aqui – Morales subitamente ficou sério e voltou para seu lugar. "Já ouviu falar nos canhões de Marte?"

O major não pode esconder a expressão de surpresa que fez.

* * * * *

A mesa de Francisco estava abarrotada com as fichas dos membros disponíveis das unidades especiais. Levara meia hora para escolher os integrantes do comando que lideraria.

O primeiro, por ordem de posto, era o capitão Gary Felisatti. Formado em engenharia de superestruturas. Amante da boa vida e de mulheres bonitas. E fora uma destas mulheres bonitas, membro de uma importante família aristocrática, cuja gravidez desconfiou-se não ser produzida pelo marido, que o obrigara a se alistar.

O próximo da lista era a tenente Alanis Ibañes, natural das colônias mineiras do Cinturão de Asteróides. Herdara do pai a habilidade e a experiência no uso de explosivos, que usava nas grandes minas dos asteróides. Mas, hoje, ela usava esta habilidade para causar a maior quantidade de destruição e mortes nas fileiras uranitas. Sua família fora morta por um ataque que simplesmente evaporou seu asteróide-colônia.

Esses dois seriam essenciais quando conseguissem se aproximar dos imensos canhões. Mas antes alguém devia abrir caminho para eles. Este seria a função dos sargentos Allan Fisher e Deusdete Bilatto. Especialistas em infiltração e desarmes de sistemas de segurança, exímios assassinos silenciosos.

A última da lista, mas não menos importante, era a agente Ilana Liambos. Como operativo do serviço de inteligência era quem iria fazer a ligação entre eles e a Resistência Marciana.

Todos eles, com a lógica exceção da agente Liambos, já haviam atuado juntos em diferentes ocasiões e por isso mesmo possuíam um entrosamento que seria crucial na hora de cumprir a missão.

O major separou as fichas e arquivou as restantes.

Elegê-los como membros de seu comando foi fácil, afinal seus nomes lhe vieram à cabeça assim que o general Morales revelara a missão, agora só precisava localizá-los.

Chamou o ajudante de ordens e passou a ele os nomes, instruindo-o que eles deviam se apresentar o mais breve possível.

* * * * *

Allan Fischer abriu a porta da sala de reuniões e percebeu que todos estavam presentes: Vinhas, Felisatti, Ibanês, Bilatto e uma mulher que não conhecia, mas que podia jurar que era marciana. E não havia nenhuma marciana entre os grupos de ações espaciais.

– Senhor! – Anunciou-se, batendo continência para o major. Puxou uma cadeira e sentou-se próximo a Bilatto.

– Parece que a coisa vai ser grande – Sussurrou para o sargento a seu lado. "Quando foi a ultima vez que fomos convocados para agir na mesma missão?"

– Senhores! – Francisco principiou. "Não preciso lhes dizer que tudo o que for dito nesta sala, aqui deve ficar!"

Neste momento o major ativou a grande tela atrás de si que exibiu o planeta vermelho em todo seu esplendor.

– Dentro de seis semanas o Estado-Maior lançará a Operação Liberdade Vermelha, que nada mais é do que uma operação em larga escala que tentara impor uma cabeça de ponte em Marte, iniciando assim a liberação do planeta vermelho do jugo das forças uranitas...

– Então o boato sobre uma invasão é verdadeiro? Mas os reportes das naves de vigilância não dizem que eles intensificaram a presença de suas unidades na área marciana? Isso quer dizer que uma invasão a Marte é tão óbvia que até os uranitas já perceberam!

– Digamos que estamos pagando uma dívida, Fischer! Ou você acha que eles nos ajudaram na batalha da Terra somente por causa da solidariedade entre irmãos? Conseguimos sua colaboração prometendo libertar seu planeta!

Todos os olhares se voltaram para Liambos. Que permaneceu inalterada.

– Mas é praticamente loucura agir agora! O Comando devia esperar mais um pouco, até pelo menos fortalecermos nossa posição em Vênus e em Mercúrio...

– Só que os marcianos estão cansados de esperar! A promessa dizia que devíamos libertar Marte logo que a Terra estivesse fora de perigo. Mas fomos primeiro a Mercúrio e depois a Vênus! Acho que você sabe mais do que eu sobre o que aconteceria se os marcianos retirassem seu apoio à Terra!

– Perderíamos um terço de nossa força de combate, seja da infantaria, força aérea ou da armada!

– E quanto aos canhões em Deimos e Fobos? Se aquelas coisas dispararem, nossas naves pararão de funcionar e os uranitas praticarão caça ao pato!

– É ai que entramos! – O major fez uma pausa calculada, estudando o impacto que suas palavras tiveram sobre aqueles homens e mulheres. Suas faces permaneceram inalteradas. "Dentro de vinte quatro horas estaremos embarcando em direção a Marte. Onde, após uma ação de infiltração, destruiremos os canhões localizados em Fobos e Deimos."

– Posso perguntar como faremos isso? – Bilatto perguntou. "Quero dizer: mesmo que consigamos chegar ao planeta ainda sobra a questão de como chegaremos às luas."

Francisco fez um sinal para a estranha.

– Esta é a tarefa da agente Ilana Liambos do serviço de inteligência. Ela será nosso elemento de ligação com a resistência local. Entendam, esta não é uma missão exclusivamente terráquea. O pessoal do ServInt vêm trabalhando há meses com os operativos do Marte Livre e com a resistência marciana. Serão eles que nos proporcionarão os meios alcançarmos nosso objetivo.

– Como faremos para voltar? – Desta vez foi o capitão Felisatti, que se mantivera calado. "Acredito até que seja fácil nos infiltrarmos em Marte. Tenho até uma idéia de como isso será feito, mas como seremos resgatados?"

– Não haverá resgate! - desta vez as palavras de Francisco surtiram o efeito que não haviam surtido anteriormente. Exclamações surgiram em todas as faces ali presentes. Somente Liambos manteve-se impassível, certamente seus superiores já lhe haviam informado deste detalhe.

– Após o cumprimento da missão devemos nos esconder, ou nos misturar se preciso, e esperar o desembarque de nossas tropas. Para este fim a Resistência nos fornecerá a documentação e o dinheiro suficiente para que possamos nos manter até o desembarque.

– E se ele nunca ocorrer? Teremos que nos esconder para sempre?

– Pense nisso como férias, Felisatti! – Alanis sorriu. "Férias merecidas..."

Angelus - lançamento Literata + promoção

"A antologia Angelus – Histórias Fantásticas de Anjos, é composta por vinte contos distintos, escritos por vinte talentosos autores nacionais, alguns já veteranos e outros ainda iniciantes na arte da escrita. Uma obra original e única, onde cada autor nos brinda com a sua concepção particular do universo angelical."

Pra comemorar esse lançamento, o blog do Joe de Lima faz a sua primeira promoção. Para saber como participar é só clicar na imagem abaixo:




CANHÕES DE MARTE


PRÓLOGO:

Terra e Marte sempre tiveram seus destinos entrelaçados. Muitos, até mesmo, dizem que a era espacial deveria ser contada a partir da chegada do homem ao planeta vermelho.

De fato, as primeiras colônias extraterrenas foram as marcianas. E, conseqüentemente, o primeiro mundo terraformado foi o astro de areias vermelhas.

Areias vermelhas que presenciaram o derramamento de sangue na primeira guerra humana fora da Terra. Ela foi a primeira, mas outras vieram. Inclusive a revolução que deu aos marcianos sua independência.

Desde então Marte e Terra têm se lançado na conquista e expansão por todo o sistema solar. Disputas vieram. Primeiro pelas luas de Júpiter. Depois pelos satélites de Saturno. As duas potências solares engolfaram todos os astros naquela que seria a maior de todas as guerras.

Senhores absolutos dos filhos do Sol, Marte e Terra disputavam cada pedaço de matéria flutuante sem se importar com a sorte de seus habitantes. Mas, na pacata Oberom que orbitava o distante Urano, alguém resolveu dar um basta.

Primeiramente foram unificadas as aguerridas luas uranitas. Em seguida se anexou Netuno e Plutão. Tudo isso sob os olhares indiferentes de Terra e Marte que descobriram tarde demais que um novo poder se erguia no Sistema Solar.

Um poder que desafiava as antigas potências. Os colonos de Saturno foram os primeiros a perceber isso e a colocar em prática seu antigo sonho: unificar todas as luas de Saturno e Júpiter numa única coligação. O apoio uranita foi imprescindível para a concretização deste sonho.

Se Marte e Terra não se importavam com o que acontecia com as colônias externas do Sistema, elas se importavam, e muito, com o que acontecia nas órbitas dos planetas jovianos. Sentindo-se ameaçados eles decidiram agir.

Percebendo isso, o déspota uranita subiu a tribuna e, num discurso inflamado, proclamou que o único meio do Sistema alcançar a paz era se desfazer da antiga ordem. Uma nova ordem deveria ser estabelecida, sob as cinzas das antigas potências. Uma nova ordem que teria Oberon como capital. Ovações foram ouvidas desde Plutão até as colônias no cinturão de asteróides.

Sentindo-se fortalecidos, os uranitas puseram sua máquina de guerra em movimento. Seu objetivo era um só: unir todos os filhos do Sol sob sua bandeira. Usando toda arrogância e desconfiança mútua que possuíam, Marte e Terra lutaram separadamente. Pagaram o preço.

Os uranitas bombardearam as colônias de Mercúrio. Desembarcaram tropas no indeciso Vênus, obrigando-o a preocupar-se mais em defender seu território do que se aliar as duas potências espaciais.

Isolados, Terra e Marte perceberam, tarde demais, que alcançariam a vitória apenas com a união de suas forças. Mal deram-se conta disso e Marte sucumbiu sob o jugo uranita.

Só e isolada, a Terra recusou-se a aceitar a proposta de rendição uranita. Era orgulhosa demais.

Sem muita escolha e decididos a terminar a guerra, os uranitas atacaram o planeta azul. Foram meses de intensos combates nas órbitas entre a Lua e a Terra. No fim foram rechaçados pelas forças terrestres, com o apoio duma coalizão das forças sobreviventes dos planetas ocupados.

Exauridos e cansados, após cinco anos de guerra ininterrupta, os uranitas recuaram.

Enquanto seus adversários descansavam e recuperavam as forças, a Terra não parou de se mover. Enviou tropas a Vênus. Atacou comboios e recuperou Mercúrio com suas preciosas jazidas minerais.

Então, hoje, o governo da Terra sentiu-se forte o suficiente para ousar um plano que viraria de uma vez por todas a sorte da guerra: libertar Marte. A segunda maior nação do Sistema Solar. A segunda mais industrializada. A segunda mais antiga. E tão orgulhosa quanto a própria Terra. Mas o sucesso do plano dependia da transposição de dois obstáculos: Deimos e Fobos.

As pequenas luas marcianas não eram logicamente o problema, mas os canhões de dísrupção iônica que havia sobre seus dorsos.

Estas maravilhas da engenharia bélica disparavam uma carga hiper-concentrada de partículas ionizadas que ao atingirem o alvo sobrecarregavam seus sistemas de propulsão. Causavam assim uma disruptura nos reatores e sistemas operacionais inutilizando-os. A belonave terminava imóvel no vácuo, a mercê das forças inimigas.

Tais armas haviam sido o orgulho do Ministério da Defesa Marciana que durante anos investiu em seu desenvolvimento e construção. Infelizmente não ficaram prontas a tempo de evitar a invasão uranita, ficando sua conclusão a cargo das forças de ocupação. Para a infelicidade dos estrategistas militares terráqueos.

Qualquer plano de invasão marciana teria que levar em conta a presença dos canhões e sua eventual neutralização. E a busca de um meio de neutralizá-los foi o motivo que levou àqueles homens a se reunirem num pesqueiro nos arredores de Campo Grande.

– Então esta parece ser nossa melhor opção, senhores! - Mohammed Al Asiff, chefe da inteligência aliada, disse olhando seus interlocutores, que mantinham as cabeças baixas. Durantes dez horas haviam debatido ininterruptamente.

– É o que nos parece, caro Mohammed – O almirante Joshua Macdiesell concordou. "Se não neutralizarmos aqueles canhões não poderemos nem pensar em invadir Marte e somente o envio de um grupo de comandos parece ter alguma chance de sucesso."

– Poucos homens com o equipamento adequado podem obter sucesso onde um batalhão conseguiria apenas derrota – o general Diego Morales, comandante do departamento de ações especiais terrestres, parafraseou o lema de seus comandados.

– Não podemos esquecer, Diego, que se fracassarmos haverá um atraso considerável nos planos do Estado-Maior...

Mohammed não precisou terminar a frase, todos eles sabiam que qualquer fracasso significaria o fim de suas carreiras.

– Não se preocupem – Diego Morales retirou um cigarro da cartela e acendeu-o. – Conheço o homem perfeito para o trabalho.

Deu uma tragada e soltou a fumaça lentamente.

CONTINUA EM 7 DIAS....

Finalmente uma semana se passou e aqui estamos nós com uma nova série se iniciando. Infelizmente não acontece muita coisa neste capitulo - afinal é apenas o prólogo mesmo - portanto minhas desculpas a todos. A partir da próxima semana a história começara a ficar mais interessante. Principalmente porque conheceremos nossos heróis/protagonistas. 

É isso... Fui!!

ALVO 11

Mauricio Roselli Augusto mantém atualizado o blog “Alvo Quadrinhos” que é um espaço onde ele publica as HQs dos seus personagens. Atualizado mensalmente, o quadrinhista liberou para a leitura online a edição de número 11 da HQ Alvo, que traz a história “O resgate da filha da Águia Dourada”.

Até agora foram publicadas 11 edições da HQ online “Alvo” e uma republicação no blog “Alvo Quadrinhos”. Entre essas edições, três séries como a saga da “Zona Branca” que durou três edições, a saga da “Kaaty, a caçadora de heróis” que durou três edições e a saga “Névoa da extinção” que durou duas edições.

Com o lançamento da HQ “O resgate da filha da Águia Dourada”, Mauricio promete que a heroína e os outros heróis vão entrar em uma nova fase. Confira a sinopse:

Em “Avo nº 11 – o resgate da filha da Águia Dourada” a trama começa com a Águia Dourada e a Nili Kamek / Kaaty conversando. Depois que Nili vai embora a Águia Dourada vê uma imagem de sua filha pedindo socorro e ela vai ao seu auxílio. Para isso era irá bater de frente com o vilão “Zoio”. O que vai acontecer com a Águia Dourada? Quem é esse vilão Zoio? No auge do desespero o guerreiro “Nova Estrela” aparece para tentar uma última cartada. Nesta edição você também irá conhecer o namorado da Águia Dourada! Para terminar, nos extras uma ficha do vilão “Zoio”.

Para conferir essa e outras aventuras da Águia Dourada confira o blog “Alvo Quadrinhos”, é só clicar na capa abaixo.


BATALHA NO ESPAÇO


SÉTIMA PARTE

Os encouraçados, cruzadores e destróieres vhannyres formavam uma circulo invencível em torno das naves terrestres. Mas, sem ter alternativa, as belonaves aliadas acenderam seus propulsores e partiram em direção à muralha, numa tentativa desesperada de forçar a passagem. Então, os comandantes vhannyres resolveram demonstrar do porquê de serem uma força a ser temida e respeitada.

Um eco seco e abafado, como o trovão de uma tempestade distante, ecoou pelo vácuo quando duas dezenas de canhões lasers descarregaram seus raios mortais.

*******************

O Anhanguera estremeceu ao ser chicoteado pelos lasers inimigos. Benedita segurou-se como pode, mas o solavanco foi tamanho que seu rosto foi lançado de encontro aos consoles. Chispas voaram de vários painéis e alguns oficiais foram arrancados de seus lugares e arremessados sobre estes mesmos painéis.

Um brilho intenso invadiu a ponte do encouraçado e todos puderam ver a Iroquois desaparecer em meio a uma bola de chamas e plastiaço retorcido. A seu lado o destróier Hiei adernava sendo engolfado por um turbilhão de fumaça negra.

A terráquea levantou a cabeça, ao mesmo tempo em que fazia uma careta de dor; sua cabeça latejava e o líquido quente e pegajoso que lhe escorria pela face indicava que havia talhado a fronte. As luzes ainda piscavam débeis e seus olhos passearam pela ponte. Sentiu um estremecimento interior ao se deparar com o corpo inerte de Ivan.

Seus olhos se tornaram turvos e por um instante sentiu como se ainda estivesse a bordo do Cuzco. Podia ver os rostos de cada um de seus comandados. Eles sorriam para ela, chamando-a.

– Capitã!! Capitã, a senhora está bem?? Médico!!

A voz aflita de Hassan tirou-a do transe.

– Não se preocupe comigo. – Balançou a cabeça para espantar os fantasmas do passado, e limpou o sangue da face com a manga do uniforme. – Estou bem! Cuide dos outros!!

Mas, mesmo a contragosto, um enfermeiro já se aproximava com uma caixa de curativos.

Hassan permaneceu alguns segundos observando a mancha vermelha que maculava o uniforme, sempre branco, de sua capitã. Mil pensamentos passavam pela cabeça do jovem artilheiro e todos eles diziam respeito a ela e de como odiava os vhannyres por terem ousado machucá-la.

Voltou-se para contemplar o espaço. Não queria que vissem as lágrimas que forçavam passagem em seus olhos. Não queria que pensassem que era um covarde, um medroso, que chorara quando percebeu que tudo tinha se acabado. Por que não era por isso que chorava. Chorava por se sentir incapaz de salvar sua capitã. Chorava por não poder salvar a mulher que...

Hassan perdeu a linha de raciocínio, pois, assim como todos, percebera a chuva de plasma atingindo a muralha vhannyr: destróieres e cruzadores brilharam por um instante e desapareceram, como se nunca tivessem existido.

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O total de belonaves que a Terra havia arregimentado para aquele confronto, incluindo várias naves retiradas às pressas dos estaleiros, não chegavam à metade das unidades da frota vhannyr. Tal fato simplesmente arremessava as chances de uma vitória terrestre para a imprevisibilidade de um milagre.

Mas, graças à ação desesperada da Força Tarefa da capitã Benedita, eles haviam conseguido protagonizar um, inesperado e devastador, ataque surpresa. E o almirante Rui de Castro iria usar esta vantagem inicial para decidir a batalha.

Ao seu comando, as belonaves terrestres começaram a abandonar a formação de linha e, apoiadas pelos caças, se precipitaram sobre as astronaves vhannyres impedindo qualquer possibilidade destas voltarem a realizar alguma manobra em conjunto.

No instante seguinte, seus olhos pousaram sobre as imagens do castigado encouraçado capitaneado pela capitã Benedita Bueno.

– Conseguimos contato com o Anhanguera?

– Neste instante, almirante!! – O radialista respondeu, fazendo surgir a ponte, destroçada, do encouraçado na tela principal do João Pessoa; em seu centro estava a capitã Benedita com um curativo ocultando-lhe a testa. Ela procurou esboçar um sorriso amarelo.

– A cavalaria sempre chega em cima da hora...

O almirante retribuiu o sorriso – Você fez um bom trabalho aqui, capitã.

– Eu e meus homens, almirante, não se esqueça!

– Nunca me esqueceria, Benedita. – Ele sorriu. – Indicarei pessoalmente todos vocês para receberem as medalhas de honra! Mantenha posição e prepare-se para saltar quando estiver pronta. Estamos enviando os caças para darem cobertura...

Ela balançou a cabeça afirmativamente, e fez uma continência antes de desaparecer da tela.

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Os olhos de Vorgh luziam de ódio. Nunca a gloriosa frota vhannyr estivera tão próxima de uma derrota humilhante como desta vez. Pela segunda vez em seis meses eles haviam subestimado as forças terrestres.

Somente um povo bárbaro para executar uma manobra diabólica como aquela.

Somente eles seriam capazes de violar todas as convenções da guerra espacial e efetuar um ataque covarde como aquele.

Os olhos do general alcançaram a tela onde era exibida a imagem do Anhanguera.

A batalha poderia estar perdida, mas o capitão daquela nave maldita não sobreviveria para vangloriar-se.

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O estado da Sol de Phrianmo não era muito diferente das naves terrestres; tufos de fumaça radioativa desprendiam-se de vários pontos do casco, duas torres principais estavam completamente destruídas, e seus pedaços flutuavam em frente a combalida superestrutura.

Os relatórios sobre avarias e baixas chegavam a todo instante, mas neste momento Neyffe não prestava atenção neles, pois seus olhos estavam voltados para uma das telas de vídeo onde a imagem da frota terrestre era exibida.

– Comunicação chegando do Anhanguera, sir; as forças da Terra nos darão cobertura para que possamos saltar. Estão nos enviando as coordenadas.

– Certo. Preparar para saltar!

– Ah! Sir, nova comunicação chegando. – O técnico voltou-se para seu aparelho e seus olhos se arregalaram enquanto ouvia a mensagem pelos fones, a expectativa encheu a ponte, mas ao final da mesma sorriu. – A capitã Benedita manda dizer que se o senhor não saltar para o local correto desta vez, ela mesma irá explodir esta nave...

Todos os oficiais se entreolharam e somente o rígido protocolo militar phrianmoense não permitiu que eles gargalhassem. Ainda assim, um ou dois risos abafados foram ouvidos.

– Se eu fosse você, abriria o olho com esta mulher, Neyffe... – Dugall se aproximou com um sorriso malicioso na face.

– Não sei o que quer dizer com isso... – Calou-se para atender o chamado do oficial de radar. – Fale!!

– Canhoneira, sir!!

– Canhoneira?!! Temos visual?!.

Imediatamente a imagem da canhoneira vhannyr surgiu na tela. A saída da arma de partículas ocupava toda a proa numa exibição de força e intimidação. Ela estava manobrando, desvencilhando-se dos destroços espaciais e se posicionando.

– Pelo alcance e trajetória, seu alvo é o Anhanguera!! – Dugall informou, próximo ao painel do radar.

– Armas??!

– 90% inoperantes, e, mesmo se estivessem, não conseguiríamos acertar a esta distância.

Os olhos do major passearam da imagem da canhoneira para o couraçado terrestre; este último parecia não haver percebido a manobra vhannyr. Talvez seus sensores de longo alcance estivessem danificados, Neyffe concluiu.

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– Perdemos dois capacitores, então nosso tempo de recarga aumentou. – O engenheiro comunicou, respondendo a pergunta de sua capitã. – Estamos apenas com 60%, senhora!

Benedita suspirou e voltou-se para o oficial de rádio – E o Ville de Paris e o Hiei?

– Estão prontos e...

– Ordene que saltem.

– Mas, senhora, as normas de guerra espacial declaram que naves sob comando não devem se retirar antes da nau capitânea.

– Conheço as normas, Storino!! Apenas obedeça!! – O tom de voz de Benedita não deixava dúvidas de que deveria ser obedecida. – E diga ao capitão LeMel e a capitã Gravetchenko que se não saltarem eu, pessoalmente, os levarei a corte marcial!!

Storino transmitiu as ordens e ela pode ouvir claramente os protestos, mas a ameaça surtiu efeito, eles estavam sob seu comando a tempo suficiente para saberem que ela nunca ameaçava em vão. Cinco segundos depois, as duas naves tremeluziram e desapareceram, abandonando a zona de guerra.

Ela sentiu um peso desaparecer do peito. Já perdera uma nave sob seu comando e não fazia sentido perder mais duas.

– Alta concentração de íons a dez mil quilômetros! Uma canhoneira, capitã!

Benedita sentiu como se um raio transpassasse-lhe o crânio, ela já presenciara aquele tipo de nave uma vez durante a batalha de Saturno.

Canhoneiras eram belonaves construídas exclusivamente para servirem de suporte para canhões de partículas. Aquelas naves do tamanho de porta-aviões eram, no geral, fracas em armamentos defensivos e ofensivos, mas o canhão de partículas que tomava a quase totalidade de seu corpo compensava estas falhas.

A imagem de uma delas disparando e dizimando dez naves terrestres durante a batalha de Saturno ainda era vívida na memória de Benedita. Felizmente, este tipo de nave era raro e as poucas vistas por olhos terráqueos eram empregadas como naus capitâneas.

– Parece que atraímos a ira do comandante vhannyr! – Murmurou, antes de gritar a plenos pulmões. - Manobra evasiva!! 20º a estiborbo!!

Não! Não havia tempo. No meio de sua ordem, a canhoneira despejou sua carga mortal. A torrente de partículas iônicas avançou, volatizando tudo em seu caminho.

Benedita já podia sentir a torrente iônica derramando-se sobre ela, sua tripulação e sua nave. Chegou a fechar os olhos.

E abriu-os imediatamente.

Uma sombra surgiu entre a torrente de partículas e o Anhanguera. Tudo tremeu e o encouraçado sofreu um abalo digno dos maiores terremotos. Imediatamente, os sistemas de estabilização automáticos entraram em ação, ao mesmo tempo em que línguas de ions lambiam o casco, causando-lhe ulcerações.

A capitã não precisava de instrumentos para saber que a nave estava sendo puxada por um vórtice de hiperespaço. Algo que também acontecia com os íons que desciam por este halo cósmico, desaparecendo no hiperespaço.

Quem seria louco para fazer uma manobra daquelas? Perguntou, mas em seu íntimo conhecia a resposta.

– Estabilizem a nave! – Não podia se dar ao luxo de se preocupar com isso agora, havia algo urgente a ser feito.

Mas, involuntariamente, voltou seus olhos para a direção onde a surrada nave phrianmoense estava a deriva. Seu casco estava carcomido pelos ions, chamas elevavam-se altas, próximo à ponte. Manchas negras e compartimentos expostos indicavam onde as partículas atingiram em cheio destruindo tudo; metal e seres vivos.

Benedita Bueno da Silva sentiu um aperto no peito que beirava a angustia.

O disparo havia dissipado os destroços que eram usados como camuflagem pela nau capitanea vhannyr e agora ela era nitidamente visível nos sensores terráqueos.

"Preparar Armas!!! Alvo; belonave inimiga!!".

Hassan voltou-se para ela, aflito. Ela entendeu; não havia tempo. Ele sabia pelos relatórios o que ela descobrira na prática, ou seja, a arma suprema vhannyr tinha um tempo de recarga mais lento que as armas convencionais. Mas assim que a canhoneira disparou, ela imediatamente iniciara a recarga para o próximo disparo. E eles estavam atrasados. Na melhor das hipóteses, o posicionamento e remuniciamento dos canhões terminaria no mesmo instante em que a canhoneira disparasse.

– Desabilite os lacres de segurança dos manobradores de estibordo e passe-os para o manual. – Ordenou e voltou-se para o navegador. – Esteja atento para o meu sinal, sr Massaud, pois dele dependerá sua vida e a nossa!!

O navegador sentiu suas têmporas suarem e o peso da responsabilidade outorgada por sua capitã. Seria como nos filmes antigos de cowboy; um duelo onde quem acertasse o primeiro tiro ganharia.

– Baterias pront...

Hassan não terminou. Os sensores indicaram a cascata de partículas iônicas cair mortalmente sobre a belonave terráquea.

– AGORA!!! – Benedita gritou a plenos pulmões.

Quase em pânico, o jovem piloto movimentou o timão com tamanha força que parecia querer arrancá-lo. O casco gemeu, os estabilizadores reclamaram e os manobradores estouraram, mas ele se moveu perpendicularmente ao ponto onde estava.

As partículas caíram com toda sua fúria sobre o local onde o Anhangüera havia estado, mas apenas lambeu o casco externo deste, calcinando-o e impossibilitando a permanência de seres vivos nos compartimentos adjacentes, e seguiu seu caminho até dissolver-se.

Todos a bordo do encouraçado haviam prendido a respiração, soltando-a apenas quando viram a enchente incandescente desaparecer. Neste momento, esqueceram do ranger do casco, dos manobradores inutilizados e do perigo. Perigo que Benedita relembrou-os.

– Preparar para disparar!! Corrigir curso do alvo. – Ela gritou.

Os trilhos das casamatas rangeram, mas obedeceram aos comandos e os canhões corrigiram seu curso. O artilheiro limitou-se a levantar o polegar.

Podia ver-se nitidamente a nave inimiga através da tela principal. Era óbvio que ela estava recarregando o canhão de partículas. Mas ela nunca conseguiria atirar novamente. Benedita tinha certeza.

– FOGO!!!

As cinco torres triplas frontais dispararam. Quinze colunas de plasma incandescente, que se assemelhavam a uma horda de dragões, abriram caminho até seu alvo. Transpassada por dezenas de lanças de destruição plasmática, a canhoneira desapareceu em meio ao turbilhão infernal.

Durante alguns segundos, uma segunda estrela, cujo brilho chegou aos céus do nono planeta, ocupou seu espaço no Sistema Solar.

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Ao se verem privados do comando, as astronaves vhannyres começaram a recuar, sempre castigadas pelos caças e belonaves terrestres. Ao perceberem a manobra inimiga, as forças terrestres deram espaço. E assim, uma a uma, as belonaves vhannyres saltaram.

Vinte minutos depois, tudo o que restava da batalha eram os destroços e o vôo intermitente das navetas de resgate em busca de sobreviventes.

De seu aposento no João Pessoa, o almirante Castro observava a movimentação no espaço adjacente.

– A capitã Bueno e o Major Neyffe estão aqui senhor. – O ordenança anunciou abrindo a porta e liberando a passagem para os dois convidados.

Benedita perfilou-se e bateu continência. Neyffe manteve uma atitude respeitosa. O almirante retribuiu a saudação.

– Meus parabéns, capitã! – o almirante ofereceu a mão para ser apertada por Benedita. – Fez um excelente trabalho. Como disse antes, irei pessoalmente recomendar todos aqueles sob seu comando para medalhas de bravura, inclusive ao capitão Shatner e a tripulação do Iroquois.

– Obrigada, Almirante. Por mim e pelos meus homens.

Ele sorriu e se aproximou de Neyffe, estendendo a mão.

– É um prazer conhecê-lo, major! Tenho a honra em dizer-lhe que nosso governo aceitou seu pedido de refúgio. Neste exato momento, estamos preparando campos de refugiados em dois de nossos planetas para receber seus conterrâneos...

– Obrigado, almirante. Juro que será por pouco tempo. Durará somente o tempo de minha nave alcançar nosso mundo e retornar com uma esquadra de escolta...

– Sem pressa, major! Estamos com um estaleiro pronto para receber sua nau capitânea e iniciar os reparos! Que devem demorar algumas semanas se ela estiver tão feia por dentro como está por fora. Então aproveite para conhecer nosso mundo. Creio que ele lhe parecerá, no mínimo, exótico.

– É uma excelente sugestão, almirante! – Neyffe olhou para Benedita, cujos olhos lhe sorriem. – Só preciso do guia certo.


FIM


Finalmente!! Este é o fim da saga da capitã Bueno e sua tripulação a bordo da astronave Anhanguera. Espero que tenham gostado e, principalmente, se divertido.

E não se esqueçam dentro de sete dias começa uma nova história...

See ya..