Feliz Natal!

O Cristo, este momento maior da História, é o primeiro Deus que aparece como uma criança. Nós o vemos bebê, nos braços de sua mãe. Nem Zeus, nem Atena, foram bebê. Atena saiu armada da cabeça de Zeus. Jesus nasce de Maria, inocente e nu como uma criança. Maria o amamenta em seu seio. Ele é o filho do Pai, o filho de Deus esperado como um Salvador por João Batista, mas ele é vulnerável como um homem. Ele pode sofrer e morrer.

Ele é o único Deus que podemos descrever fisicamente, porque milhares de homens e mulheres da Galiléia e da Judéia o viram, falaram com ele. Eles conservaram, quando de seu suplício, seus traços em um sudário, o famoso sudário de Turim, cuja legitimidade é, sem dúvida, seriamente contestada. Não importa, cada um pode descrever os traços deste homem jovem, magro e barbudo, de olhos ardentes, de palavras convincentes, representado sob uma forma praticamente única em toda a iconografia.

O menino Jesus torna os deuses romanos insignificantes. Não porque são múltiplos e ele somente um. Mas porque esses deuses de pedra são imagens, ídolos que confirmam um poder sem dar nenhum reconhecimento aos indivíduos. Roma aceita e tolera todos os deuses. Em cada cidade do mundo romano, os deuses estrangeiros figuram nos santuários em igualdade de tratamento. O dos cristãos é inadmissível, pois ele é único e condena todos os deuses-estátua à destruição, incluindo Augusto e Roma.

O antes é o bloco imperial augusto e marmóreo do Império Romano que domina inteiramente o mundo conhecido e O depois é o nascimento do indivíduo como valor universal, livre, igual a seus irmãos, adorador de um Deus único, de um Deus de amor gerado por uma mulher.

Frágil é o poder marmóreo de Roma. Mesmo se ele é universal. Frágil, porque Jesus, filho do Pai e animado pelo Espírito Santo, é um homem entre os homens, que dá a seus irmãos a louca esperança de igualdade. Nada de escravos. Um homem é um homem, feito para a liberdade.

Em cada homem existe a imagem de Deus. É preciso reconhecê-lo como tal. Podemos destruí-lo, não humilhá-lo; torturá-lo, mas não negá-lo. Como o Cristo, ele tira sua força de sua solidão, porque nesta brilha, pela primeira vez na história, o indivíduo. Mais forte é a consciência do que as forças que o atormentam.




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