A Saga dos super-heróis brasileiros

Por Edgar Smaniotto

Os super-heróis são considerados por muitos acadêmicos e quadrinistas brasileiros como um subproduto literário americano típico. Discordamos totalmente desta avaliação, até porque o gênero esta presente em quase todas as mitologias do mundo. Mas, realmente é nos Estados Unidos que, como entretenimento e cultura de massa, os super-heróis têm atingido seu ápice.

Isto não quer dizer que o gênero tenha se dado mal em outras bandas. Um bom exemplo disto é o género faroeste, que pode ser tido como genuinamente americano. Certo? Mas muitos de nós, inclusive este resenhista, acompanha o gênero por quadrinhos como Tex, Zagor e Mágico Vento, todos eles italianos. Quanto ao gênero de super-heróis propriamente dito, podemos ver muitos quadrinhos de sucesso pelo mundo afora, não americanos. Afinal o famoso mangá e anime Dragão Ball não é super-herói assim como uma boa parte dos mangas, ou é? E que dizer de Asterix?

Resulta que sou um defensor da possibilidade de escrever boas histónas e criar bons personagens em outras paragens. No Brasil, país que sempre consumiu muita história em quadrinhos de super-heróis, esta é sempre uma possibilidade em aberto. Na verdade muitas boas propostas de super-heróis legitimamente brasileiros já foram produzidas ou estão sendo produzidas.

Muitas vezes á crítica a estas iniciativas são promulgadas por artistas e intelectuais avessos ao gênero em si, não importando o lugar onde está sendo produzido. Defendemos uma visão imparcial e menos preconceituosa! O resgate do gênero no Brasil foi feito pelo quadrinista, editor e jomalista Roberto Guedes, ele mesmo criador do super-herói Meteoro, no livro a Saga dos super-heróis brasileiros (Editora Opera Graphica ).

O livro narra a trajetória das grandes e pequenas editoras, dos selos independentes e dos fanzines de super-heróis editados no Brasil. Na maioria das vezes sem o apoio de grandes editoras, e por isto impossibilitados de vencer a barreira de vendas e marketing dos quadrinhos de Super-Heróis Marvel e DC.

Quando contaram com o apoio de grandes estruturas midiáticas, casos dos personagens Garra Cinzenta, Judoka e Capitão 7, estes conseguiram uma vida editorial e sucesso comercial para além das três ou quatro (se tanto), edições artesanais tão comuns no Brasil. O livro conta com depoimentos de vários profissionais do meio e suas visões sobre como fazer super-heróis em terras brasileiras.

Os quadrinistas que se aventuram no gênero muitas vezes são tidos como imitadores, sem criatividade. Muitos acham que o Brasil só pode produzir histórias em quadrinhos de humor, pornografia, terror e históricas. Imagine se Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, que na atualidade praticamente domina o mercado brasileiro, relegando as HQs infantis da Disney a um segundo plano quase invisível, tivesse esta mentalidade.

Há no livro uma gama de relatos sobre as particularidades de uma infinidade de personagens: Garra Cinzenta, Velta, Judoka, Escorpião, Raio Negro, Capitão 7, Jerônino, Solar, Meteoro, Cometa, entre outros.Apresentando ao leitor esta fantástica, e muitas vezes desconhecida 'fauna", que merece ser redescoberta e apreciada.

Ao terminar o livro, o leitor chegará à conclusão que não só é possível criar super-heróis genuinamente brasileiros, como muitos já estão por ai. Só falta algum editor ver! Um resgate interessante e necessário que Guedes faz.

Indispensável para quem quer conhecer a fundo a história dos quadrinhos brasileiros, e para quem deseja criar seu próprio personagem. Afinal aprendemos com os erros e acertos de nossos predecessores. Boa Leitura!


Originalmente Postado no www.bigorna.net

5 comentários:

  1. Cara, esse foi um dos melhores posts que você já fez no seu blog! Aqui você disse a mais pura verdade: "Muitos acham que o Brasil só pode produzir histórias em quadrinhos de humor, pornografia, terror e históricas."
    A mídia aqui no Brasil só incentiva coisas como as citadas acima e vemos isso claramente em novelas, programas de auditório e filmes Brasileiros. Se algum Brasileiro tentar fazer um filme de ficção científica, a grande massa sem cultura achará ridículo, porque quer filmes de policiais VS. bandidos. Se algum Brasileiro tentar fazer algum seriado de super-herói no estilo Kamen Rider, a grande massa achará ridículo, pois prefere algo com mulheres semi-nuas. Se algum Brasileiro tentar fazer alguma história em quadrinhos de Super-Heróis, a grande massa achará que isso é bobeira, é coisa de criança,etc. OBS: essa minha última sitação, a da história em quadrinhos, aconteceu comigo recentemente quando eu lancei a minha história em quadrinhos. Estou de prova dessa última citação, bem como, amigos meus estão de prova das outras sitações também, como exemplo temos um grande amigo meu que faz a série Cyberbio, que não recebe nenhuma ajuda, divulgação e além de fazer tudo com o dinheiro do bolso dele, ainda tem que ouvir coisas como: "Seriados assim no estilo Jaspion são coisas de malucos". Nesse exato momento eu só não xingo a cultura do nosso país porque eu não falo esse tipo de coisa, mas vivemos envoltos a uma sociedade mesquinha e alienada.

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  2. é galera... aqui é o país do futebol e do carnaval...
    como diz o ditado.
    infelizmente teremos que ingulir isso por várias décadas, é o nosso país...

    www.danielrmuniz.blogspot.com

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  3. Tudo isso somado ao governo que está ai...

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  4. O buraco é mais embaixo...
    http://bandasetevidas.blogspot.com.br/2014/01/aqb-acao-dos-quadrinhos-brasileiros.html

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