Bolacha e Azeitona: A Falta de Vilões.

Azeitona: Vilões!!

Bolacha: O quê?!

Azeitona: Os vilões são o problema dos super-heróis brasileiros. Ou melhor, a falta deles.

Bolacha: Acho que já tivemos essa conversa.

Azeitona: Não, antes dizíamos que um super-herói só poderia existir num mundo habitado por outros superseres.

Bolacha: Que todo herói precisa de um grande vilão. Os heróis nacionais não têm vilões à altura é isso que você quer dizer?

Azeitona: Nem ao menos eles têm “vilões”.

Bolacha: A não ser que você considere “delinqüentes” vilões, há,há! Realmente, to cansado de ver mascarado impedindo assalto a banco ou salvando a mocinha em perigo da vez.

Azeitona: O problema é que o cara cria o herói e depois não sabe o que fazer com ele.

Bolacha: Então parte para o argumento mais simples. Acaba se esquecendo do principio de que “um super-herói só pode existir num mundo habitado por outros superseres”. Mas, o que é um vilão?

Azeitona: A resposta simples seria: o antagonista do herói, aquele que se interpõe no caminho do herói impedindo-o de alcançar seu objetivo. Mas o vilão também deve ser o oposto do herói, se não for ideologicamente que seja na maneira de vestir.

Bolacha: Acho que ai está mais para arquiinimigo do que vilão regular. Algo como Batman e Coringa.

Azeitona: Verdade. Batman é um ser obcecado pela ordem. O Coringa é o caos. Batman anda na corda bamba entre a sanidade e a loucura. Coringa já foi engolido pela loucura. Eles são opostos como a noite e o dia, e um não existiria se não existisse o outro.

Bolacha: Lembro que no filme eles surgiam ao mesmo tempo. Se, não me engano, um era o responsável surgimento do outro. Interessante também que Batman, o herói, usa um uniforme preto e tem aparência assustadora e que o Coringa, o vilão, se veste de palhaço, que é sinônimo de alegria. Aqui há uma verdadeira inversão de estereótipos visuais.

Azeitona: Admito que não tinha reparado nesse detalhe.

Bolacha: Cê me deve uma! Parece simples: cria-se o herói e seu antagonista poderoso a ser vencido, mas, então, porque os criadores nacionais não fazem?

Azeitona: Porque atacam o problema de maneira errada. Eles começam pelo herói e então criam situações onde este herói ira agir. E lá vai ele salvar uma mocinha em perigo num beco.

Bolacha: Se os perseguidores ao menos fossem vampiros ou zumbis, seriam adversários a altura. Mas, entendo que deve ser difícil bolar argumentos para seres poderosos.

Azeitona: Para evitar isso, deveriam começar pelo vilão. Cria-se o vilão, seus objetivos, asseclas e talz. Só depois se criaria o herói para se opor aos planos do vilão.

Bolacha: Ai ficaria tipo: o vilão cria um plano mirabolante para conquistar a cidade e o herói descobre e tenta impedi-lo. Uma premissa simples, mas que funciona e possibilitaria os elementos necessários para uma boa HQ de super.

Azeitona: É como você disse. Simples, mas que funciona perfeitamente bem!

2 comentários:

  1. Eu sempre vi dessa maneira mesmo. Não é o vilão que fica no caminho do herói, na minha visão é o contrário, o herói é que atravessa os planos do vilão.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realmente. Agora me veio a mente aqueles antigos seriados japoneses onde o herói era um desertor do exercito do mal do vilão e tentava impedir o vilão de por seus planos em prática. Black Kamen Rider é um exemplo. É uma proposta simples e perfeitamente funcional.
      Obrigado pelo comentário.

      Excluir