Ação Magazine

Esta semana foi revelado a existencia da Ação Magazine, um projeto sob a batuta de Alexandre Lancaster, editor do blog Maximum Cosmo, que se propoe ser uma revista com histórias criadas por autores e artistas brasileiros.

O numero zero da Ação Magazine mostra um preview (no ISSUU) das histórias que estaram sendo publicadas no numero inaugural da revista, um total de 6 titulos: Rapsodia, Expresso, Madenka, Jairo, Arcabuz y Tunado, que vão desde o genero fantastico ao desportivo, passando por histórias de piratas e automoveis velozes. De acordo com a informação obtida atravez do Twitter, a revista terá um sistema similar ao da Shonen Jump, no qual os leitores podem votar em suas histórias favoritas.

Mais detalhes serão revelados atravéz do site oficial da revista, entre eles a data de lançamento do primeiro numero impresso.

Além de ser o editor da revista, Alexandre Lancaster é o autor de Expresso, uma história com temática Steampunk.


Resenha: Homem-Camaleão 3

O que é?

Gibi digital publicado no site Núcleo Quadrinhos com argumento e desenhos de SUÁD.

Comento...

A Arte: O traço de SUÁD está dentro da média das publicações do NHQ, mas tem muita margem de evolução dentro da pratica constante que oferece a publicação de uma série regular como parece ser o caso de Homem-Camaleão. Dois pontos que chamou a atenção é a pouca, ou nenhuma, variação do traço da arte-final e a caracterização visual dos personagens. Não me refiro a tendência de SUÁD fazer personagens com o mesmo rosto – totalmente justificável e corriqueiro nos quadrinhos. O problema da caracterização fica evidente na cena do refeitório onde, em certo momento, você não sabe quem é quem. A única personagem bem caracterizada deste grupo de personas - Os Estudantes – é Joan: cabelos negros e óculos. Millena e Iene são loiras e os rapazes tem o mesmo tipo de corte de cabelo – inclusive Sawane! Junte os quadros fechados destas paginas e você ficara totalmente perdido.

Atenção desenhista, falta a perna esquerda do Homem-Camaleão no primeiro quadro da décima-sexta pagina. Ficou parecendo o Saci-Pererê! Você poderia ter evitado se fizesse uma reavaliação das paginas antes da arte final.

O Roteiro: Primeiro quero destacar que minha analise se refere apenas a esta edição em especifico. Não li as anteriores. E como alguém que não leu as edições anteriores o quadro “Quem é Quem” foi muito bem vindo. Bela sacada do SUÁD. Só faltou uma descrição mais detalhada dos estudantes.

Outra boa decisão foi o recurso de ancoras de TV para nos apresentar fatos do passado e ganchos para o futuro. Técnica criada em Robocop, usada a exaustão em Spawn, mas extremamente eficaz.

Após estes dois hits do SUÁD chegamos ao roteiro propriamente dito que começa com nosso herói acordando atrasado para a aula – um clássico! – e na próxima pagina ele encontra seu irmão mais velho. Pela legenda entende-se que é primeira aparição dele. Pela fisionomia de Sawane entende-se que não esperava encontrar o irmão. Esta pagina termina com um gancho e o leitor espera ansioso pelo “confronto” entre os irmãos na próxima, mas quando a pagina é rolada já estamos na escola. Acho que faltou uma pagina aqui! O roteirista criou um buraco na trama e frustrou o leitor, o que pode ser perigoso.

E agora chegamos ao subplot envolvendo os estudantes. Mais um hit para o roteirista. Subplots são raros – ou inexistentes - nos e-comics que acompanhei até aqui. Infelizmente o desenrolar do subplot foi comprometido pelo problema com a caracterização visual já citada. Mesmo sem o problema supracitado o subplot sofreu com o dialogo truncado e, quase, ininteligível. Imagino que o autor não queria revelar spoilers futuros, mas infelizmente não conseguiu.

A concepção da pagina quinze – a luta do herói - foi arriscada. Não consegui aferir se foi uma escolha ousada do roteirista ou preguiça do artista em desenhar lutas – talvez não saiba fazê-las. De qualquer forma a recepção do leitor – que prefere ver a luta e não ouvi-la – poderia ser negativa.

O Homem-Camaleão: O Homem-Camaleão é o típico vigilante que, após uma tragédia familiar, tenta fazer justiça com as próprias mãos. Clássico! O que vai diferenciá-lo dos similares e congêneres serão suas histórias e de como ele age e reage diante das situações.

Encerrando: SUÁD parece saber exatamente para onde quer levar o Homem-Camaleão e tem um bom plot e – pasme – subplot em mãos. Infelizmente a falta de cuidado, revisão – ou pressa mesmo – comprometeu o resultado final. Terminar o roteiro e as paginas, deixá-los abandonados uns dias e só então voltar a revisá-los costuma ser suficiente para sanar tais deficiências. Fica a dica!


A Jornada do Escritor

Paradgma Literário – O Paradigma Disney

Pesquisas posteriores identificaram a presença de uma estrutura paradigmática nos 10 longas-metragens de animação a traço (ou seja, excluindo-se os de computação gráfica, como Toy Story) da Walt Disney Pictures produzidos entre 1989 e 1998 — considerado como a "retomada" dos estúdios após os insucessos dos anos 80. O fato é que a observação do modo de contar as diferentes histórias desses filmes permite a identificação de uma fórmula narrativa comum a todos as produções desse período, batizada por Aguiar (2002) como "Paradigma Disney" de estrutura narrativa.

O Paradigma Disney está constituído por duas esferas de elementos: as CLASSES DE ACTANTES e as FUNÇÕES NARRATIVAS (ou ETAPAS). As oito classes de personagens (actantes) que são possíveis de identificar, listadas a seguir, são apenas aquelas que se encontram presentes em todos os filmes Disney de 1989-1999, e que cumprem as mesmas funções em todos eles. Outros personagens menores aparecem nas tramas sem que se possam encaixar nestas oito, e há ainda outras classes que poderiam entrar na lista, mas que não ocorrem em alguns dos filmes. Por fim, as definições devem ser genéricas o suficiente para abrigar as distintas histórias que os roteiristas adaptam. São as seguintes CLASSES:

PROTAGONISTA

ANTAGONISTA

PAR DO(A) PROTAGONISTA

AMIGO(s) DO PROTAGONISTA

LACAIO ou AJUDANTE(s) DO ANTAGONISTA

MASCOTE(s)

AUTORIDADE MORAL

PERSONAGEM COLETIVO

Os actantes de diferentes classes dos filmes Disney têm em comum o fato de todos convergirem em seus objetivos, seguindo a teoria do conflito. Os personagens têm objetivos claramente apresentados, e suas ações são motivadas por compromissos (explícitos ou implícitos) de troca. Nenhuma ação é injustificada. Todas são originadas de premissas, que cada um carrega consigo desde a primeira aparição na história. Remanescente dos jogos e das brincadeiras lúdicas como o xadrez, se acredita que os filmes também devem evocar um senso de responsabilidade no espectador-iniciante. Por sua vez, os personagens seguem as etapas ou FUNÇÕES NARRATIVAS a seguir:

Abertura: apresentação do contexto (espaço-tempo); origens do Protagonista e seu mundo; prólogo para a trama: o Status Quo do mundo é pré-colocado.

O Antagonista aparece pela primeira vez e expõe claramente, para o público, o seu objetivo. Não há nada velado nem dissimulado nessa exposição. A apresentação do Status Quo do mundo é concluída.

O Protagonista é exibido em trecho do seu cotidiano, e as dificuldades que enfrenta (aqui, o Protagonista já demonstra sinais de cansaço, bem no início).

A pretexto dessas dificuldades, o Protagonista expõe o seu desejo de mudança, derivado de uma sensação de inconformidade com seu mundo. Sente-se deslocado.

Imediatamente em seguida, aparece o elemento ou ocorre a circunstância que o fará tomar o rumo da mudança. Não por acaso, o Protagonista torna-se um empecilho entre o Antagonista e seu objetivo.

Primeiro contato Protagonista x Antagonista. Mesmo que involuntariamente, o Antagonista empurra o Protagonista para seu objetivo; faz com que ele fique mais próximo do seu novo mundo/desejo/Par.

É aí que o Protagonista encontra seu Amigo/Ajudante, e com ele sela o compromisso de chegarem ao objetivo.

Primeira vitória parcial do Protagonista: ganha respeito/fama/poder de seu mundo e entra em contato com seu Par.

O Ápice do Protagonista: momento romântico e/ou de aceitação social.

Reviravolta do Antagonista: ele agora toma a disputa como pessoal, e parte para a “guerra de eliminação” que, não por acaso, também facilitará/permitirá o alcance do seu objetivo. É nesse momento que o Antagonista passa a “precisar” eliminar o Protagonista. O Antagonista só conhece soluções drásticas.

O mundo/comunidade do Protagonista é agora ameaçado/tomado/manipulado pelo Antagonista. A “massa” está à sua mercê.

O Antagonista afasta o Protagonista, ou confina-o em algum lugar que o neutralize.

O Protagonista, agora rebaixado, tem que dar a volta por cima, nas seguintes condições:

está sujeito às regras impostas pelo Antagonista, que está em posição superior;

conta com a ajuda (geralmente inesperada e esforçada) do Amigo e dos Mascotes;

as armas e valores que pode utilizar são aquelas que aprendeu no seu processo anterior de amadurecimento;

provando ao seu Par, à Autoridade e à Massa (comunidade) o seu valor e mérito.

Confronto final Protagonista x Antagonista; e sub-confronto Amigo x Lacaio; o Lacaio é geralmente poupado no final. NOTA: O Antagonista nunca morre: ele desaparece (abismo, sombra etc.).

Epílogo e novo Status Quo: o Protagonista em melhor situação, encontra seu mundo e ganha seu Par.

De fato, os 10 longas-metragens produzidos pelos estúdios Disney entre 1989 (A Pequena Sereia) e 1998 (Mulan) seguem a mesma estrutura narrativa paradigmática, como pode ser verificado na análise feita sobre "O Paradigma Disney". Em todos eles, com ligeiras adaptações, o protagonista é uma pessoa excluída de seu meio social (como Aladdin em Agrabah e Hércules entre os gregos) que sonha com uma vida distinta (o que é representado em canções como "Part of Your World", "Where I Belong" e "Belle (reprise)"). O protagonista é sempre selecionado pelo vilão como instrumento ou "isca" para atingir seu objetivo (como Úrsula, Jafar e Scar fazem com Ariel, Aladdin e Simba) mas, ao contrariá-lo, acaba se tornando seu pior inimigo. Casualmente, ele encontra um companheiro de jornada (que também funciona como comic relief) e também um par romântico. Em determinado momento, o vilão obtém uma reviravolta e submete o herói, que consegue se desvencilhar com a ajuda do companheiro e enfrenta o vilão no confronto final. No final, necessariamente, o herói vence e conquista o par romântico (como Eric, Jasmine e Nala, respectivamente).

Fonte: AGUIAR, Pedro. O Paradigma Disney: a estrutura narrativa do cinema de animação industrial dos anos 1990. Trabalho de conclusão da disciplina Língua Portuguesa II do Curso de Comunicação Social. Rio de Janeiro: ECO/UFRJ, dezembro de 2002. págs.5-6