Bolacha e Azeitona: O que é um Herói?

Bolacha: Da ultima vez fui obrigado a concordar contigo de que era possível criar heróis brasileiros. Mas porque os super-heróis brasileiros existentes não fazem sucesso?

Azeitona: Num sei, mas peça mais uma rodada e vamos tentar descobrir. Acho que devemos começar com a pergunta: O que é um herói?

Bolacha: O herói é alguém guiado por ideais nobres e altruístas. Alguém que sacrifica suas próprias necessidades em prol dos outros.

Azeitona: Para os Gregos, o herói situa-se na posição intermédia entre os deuses e os homens, sendo, em geral filho de um deus e uma mortal ou vice-versa. Portanto, o herói tem dimensão semidivina.

Bolacha: Como Hércules?

Azeitona: Sim. Hercules é o perfeito arquétipo do super-herói. A partir disso podemos concluir que os super-heróis representam valores que uma determinada cultura acha admirável, Concorda?

Bolacha: Sim!

Azeitona: Então, quais são os valores positivos do brasileiro? “Não desistir nunca”, como diz o bordão institucional? Família, Deus e Liberdade? Justiça, Verdade, Honra e Lealdade?

Bolacha: Você me fez lembrar da Shonen Jump que publica 18 títulos por semana e todos eles tratam de Amizade, Perseverança e Vitoria.

Azeitona: É disso que falo: quais são as virtudes do personagem? Ele veste uma fantasia de morcego e sai pela noite assustando transeuntes incautos, mas tem um forte senso de justiça que o faz desprezar perdas pessoais em prol de estranhos? Têm cara de mau, garras de metal e é melhor no que faz, mas é leal e extremamente paternalista com adolescentes?

Bolacha: Então, a questão é fazer uma história onde o personagem exercita estes valores positivos? Mas, acho que se deve tomar cuidado para não soar pedante ou moralista.

Azeitona: Boa observação. E ao citar a Shonen Jump você mostra que é possível fazer histórias com valores positivos sem ser pedante.

Bolacha; Ninguém pode dizer que Naruto, Bakuman e To Love Ru são pedantes.

Azeitona: Lembra-se de Hércules, nosso arquétipo de super-herói? E de seus doze trabalhos?

Bolacha: Mas claro! Hercules derrotou seres como o leão de Nemeia, a Hidra de Lerna e o cão Cérbero.

Azeitona: Seres tão fabulosos quanto o próprio semideus. Pode-se até dizer que Hercules só é tão famoso por ter enfrentado inimigos tão fabulosos.

Bolacha: Espere, você quer dizer que o super-herói só pode existir num mundo habitado por outros superseres?

Azeitona: Pense nisso, quais eram os inimigos freqüentes dos deuses gregos?

Bolacha: Todo herói precisa de um grande vilão. A velha máxima que todos parecem esquecer.

Azeitona: Se o cara pega um gibi de super-herói ele antevê que o herói enfrentara um inimigo a altura, mas se depara com uma historia onde o super impede um delinqüente de roubar uma velhinha. O cara se sentira frustrado.

Bolacha: Eu me sentiria tapeado e provavelmente nunca mais compraria a dita revista.

Azeitona: Eu também! E agora, me responda, porque existem super-heróis? Porque criamos superaventuras, histórias onde superseres se enfrentam?

Bolacha: Porque a superaventura supre a necessidade, através da fantasia, de superar o processo de burocratização e mercantilização das relações sociais e conquistar uma liberdade imaginária para compensar a falta de liberdade real.

Azeitona: Nossa!

Bolacha; He-he! Eu li isso num artigo na internet. He-he!

Azeitona: Em resumo, é uma forma de escapismo.

Bolacha: Quadrinhos é entretenimento, sempre concordamos com isso! Também concordamos que se alguém sempre tivesse isso em mente ao escrever um gibi ele estaria na direção certa.

Azeitona: E continuamos concordando. Qualquer um que pega um gibi com um fantasiado na capa espera encontrar diversão em suas paginas.

Bolacha: Diversão que o fará esquecer a dura realidade pelo tempo em que folhear a revista. É isso que ele quer e a história deve dar isso a ele!

Azeitona: Bingo! O que Crepúsculo e Avatar têm em comum?

Bolacha: Então você acha que é isso que falta aos super-heróis brasileiros?

Azeitona: Num sei. O que você acha?

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