Bento Especial

O que é?
Gibi publicado em formato digital no site Núcleo Quadrinhos. Com roteiro de Anderson Cunha e arte de Rodrigo Vinicius.

Comento...

A Arte: É adequada e convincente. Sem mais comentários.

O Roteiro: Apesar do titulo “nadaver” – Sorte de Principiante - o roteiro de Anderson Cunha transcorre bem, cabendo apenas duas observações: lá pelas tantas, Bento comenta sobre seu alvo “Não sei o que esse infeliz fez e nem me interessa”, mas para o leitor, destinatário final do gibi, interessa. Perceba que o alvo está apavorado e foge pedindo por clemência – em nenhum momento ele parece uma ameaça para a sociedade. O leitor precisa saber os motivos pelos quais ele está sendo “punido”. É essa informação que vai definir o status quo do personagem ante o público: herói – anti-herói – vilão. Aqui não cabe um “deixou no teclado” e sim uma “decisão infeliz do roteirista”.
O segundo adendo refere-se a ultima pagina onde temos uma aparição totalmente desnecessária da policia que quebra o ritmo e o clímax da história! Completamente desnecessário, repito – seria melhor Bento ter enfiado logo a faca na barriga do sujeito.

Os Diálogos: A escolha em usar Legendas ao invés de Balões foi acertada. Os diálogos também transcorrem enxutos e cumprem a função de apresentar o personagem, seu histórico e avançam a narrativa. A única censura é quanto ao dialogo da ultima pagina – totalmente irrelevante e anticlímax. Duas observações referentes à duas legendas especificas:
Pag 01 – “Meu primeiro dia...”; ao começar a história com essa frase tem-se a impressão de que é o primeiro trabalho de Bento, mas no decorrer da história ele deixa a entender que já faz esse tipo de trabalho há algum tempo. É uma legenda desnecessária e que só traz confusão.
Pag 01 – “O desgraçado é rápido. Mas não tem como se esconder de mim. Fui policial”; o problema aqui é esse “Fui policial” que dá a entender que policiais são bons rastreadores (?) e não que, a partir daqui, vamos ser apresentados ao passado do personagem. Ficaria melhor se esta frase estivesse na Legenda seguinte.

Bento: É o típico anti-herói, que faz justiça com as próprias mãos. Pelo menos essa, penso, era a intenção de seus criadores, mas por causa da decisão infeliz do roteirista, já levantada, a impressão que é passada aos leitores é a de que Bento não passa de um “justiceiro”, destes responsáveis por tantas chacinas em nossas cidades. Uma linha tênue separa os anti-heróis dos vilões e infelizmente, ao andar sobre essa linha, Bento parece bandear para o lado errado. Uma pena.

Encerrando: Como numero de apresentação do personagem o gibi cumpre sua função com certa eficiência. Se não fosse os detalhes apontados acima se diria, até que, com maestria. Anderson Cunha tomou decisões acertadas durante o roteiro e outras que comprometeram esse mesmo roteiro. Felizmente os acertos superaram os erros. Erros que podiam ser evitados com uma releitura cuidadosa e critica do mesmo.

É isso.

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