História em quadrinhos é literatura?

Nanquim Descartável na HQMix Livraria

Acontece nesta quinta-feira, dia 27 de agosto, a partir das 19:30 horas, o lançamento do terceiro número da revista Nanquim Descartável, criação de Daniel Esteves.

Essa edição se passa num só dia, durante as refeições das personagens, café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e lanchinho da madrugada. Em meio a comidas e conversas, a edição traz Sandra tentado convencer Ju a virar vegetariana; o retorno de Marina, uma antiga amiga de Ju e a aparição da irmã mais nova dela; Sandra com ciúmes de Marina; Tuba perdido no meio de tantas mulheres; Ju vendo seu cachorro na comida e falando a respeito de sua dieta favorita; além de lamentos amorosos e uma série de pequenas sequências na revista onde aparentemente nada acontece, mas um bocado de coisa é dita.

Nanquim Descartável #3 – As calóricas aventuras de Ju e Sandra traz arte de Wanderson de Souza, Mário Cau, Júlio Brilha, Laudo Ferreira, Mário César, Wagner de Souza, Carlos Eduardo e Samuel Bono.

A revista traz uma história completa que pode ser lida sem a necessidade de se ter acompanhado as edições anteriores. Para quem quiser conhecer mais sobre a série, a primeira edição está disponível para leitura gratuita no site do coletivo Quarto Mundo, clicando aqui.

A edição tem 52 páginas, formato 16 x 25 e custa R$ 6,00.


HQMix 2009: Lista dos Premiados

Este ano, uma das principais premiações nacionais dos quadrinhos promoveu uma enxugada nas categorias e mudou o critério de algumas. Os vencedores foram escolhidos por mais de dois mil profissionais da área:

Adaptação para os Quadrinhos - Dom Quixote (Bira Dantas)
Adaptação para outro veículo - Batman, o Cavaleiro das Trevas
Articulista – Rogério de Campos
Caricaturista - Dálcio Machado
Cartunista - Duke
Chargista - Angeli
Desenhista Estrangeiro - Liniers
Desenhista Nacional - Rafael Grampá
Desenhista Revelação - Hemeterio
Edição Especial Estrangeira - Asterix e seus amigos
Edição Especial Nacional - Mesmo Delivery
Editora do ano – Panini
Evento - Bistecão Ilustrado
Exposição - Angeli/Genial
Grande Contribuição - FNAC
Grande Contribuição - Programa PNBE
Grandes Mestres - Ciça e Zélio
Homenagem/Destaque Internacional - Fábio Moon e Gabriel Ba
Homenagem/Destaque Internacional - Ziraldo
Ilustrador Nacional - Weberson Santiago
Livro Teórico - Henfil, O humor subversivo
Mídia sobre HQ - Blog dos Quadrinhos (Paulo Ramos)
Projeto Editorial - Turma da Mônica Jovem
Publicação de Aventura/Terror/Ficção - 100 Balas
Publicação de Cartuns - Tulípio 7
Publicação de Charges - 35º Salão de Piracicaba
Publicação de Clássico - Che
Publicação de Humor - Piratas do Tietê n.3
Publicação de Tiras - Níquel Náusea Em boca...
Publicação Erótica - CLIC n.3
Publicação Independente de Autor - Nanquim Descartável
Publicação Independente de Grupo - Café Espacial
Publicação Independente Especial - Depois da Meia-noite
Publicação Infanto-juvenil - Turma da Mônica Jovem
Publicação Mix - Graffiti n.18
Roteirista Estrangeiro - Alan Moore
Roteirista Nacional - Adriana Brunstein e Samuel Casal
Roteirista Revelação - Olinto Gadelha
Salão e Festival - 1° Festival Internacional de Humor do RJ
Tira Nacional - Níquel Náusea
Trabalho de Doutorado – Valéria Aparecida Bari
Trabalho de Mestrado - Líber Eugenio Paz
Trabalho de TCC – Pedro Franz Broering
Web Quadrinhos - Quadrinhos Ordinários

A festa de premiação aconteceu nesta sexta-feira (21), a partir das 20h, no SESC Pompeia (Rua Clélia, 93 – Lapa – São Paulo/SP), com apresentação de Serginho Groisman.

Este ano, o HQMix homenageou o artista Eugenio Colonnese, morto no ano passado. O troféu foi esculpido no formato da mais cultuada personagem de Colonnese, a vampira Mirza.

O HQMix, promovido pela Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) e Instituto Memorial das Artes Gráficas do Brasil (IMAG), foi criado há 20 anos pelos cartunistas JAL e Gualberto Costa como extensão do quadro deles sobre quadrinhos no programa TV Mix, exibido pela TV Gazeta.




HXL - Hero X Line

Para aqueles que acreditam que não tem mangá de super-herói no Japão, pense duas vezes: a HXL (Hero X Line), da Kodansha, é justamente isso, um almanaque que serializa várias histórias do gênero.

Foi ela quem publicou e publica séries como Alcbane, Axel Rex; Ginga Roid Cosmo X e vários outros materiais que lembram e muito séries como Jaspion e Jiraya, que passavam na televisão brasileira e que são conhecidas pelos seus fãs mais ardorosos pelo nome japonês tokusatsu, que designa esse tipo de produção.

A antologia completou um ano. Agora, um total de 22 livrarias estão disponibilizando papéis coloridos que serão usados para os leitores desenharem os personagens da revista a vontade.

O que surpreende nesse projeto do HXL é a adoção de práticas comuns ao cenário americano de supers. Olhem para essa capa ao lado: é do quarto volume que compila a série End Kajin, mas que mostra o protagonista ao lado dos heróis de outras séries da revista, como Alcbane e Kurando.

É importante reparar que mesmo os volumes das séries tem o selo gigantesco da HXL estampando visivelmente a capa. Há um "Universo HXL", da mesma forma que existe um Universo Marvel e um Universo DC? Em todo caso o projeto conta com a colaboração mútua entre a Kodansha e da Yahoo IT Plannings.

É coisa séria, portanto – e não me espantaria se com o advento da Kodansha Comics, esses personagens estivessem na linha de frente da entrada da editora em território americano. É só um palpite, só um palpite... mas pode ser e pode não ser uma boa idéia, já que parte do sucesso dos mangás nos Estados Unidos veio justamente da saturação com essas práticas.

Alexander Lancaster
http://www.interney.net/blogs/maximumcosmo

Super-heróis brasileiros

Houve um tempo em que o arquétipo de super-herói nacional ainda emocionava os corações mais ingênuos. Capitão Sete, Falcão Negro, Capitão Asa, todos personagens de sucesso apresentados à infância de passadas gerações como modelo ficcional heróico. Deixavam a criançada grudada na frente TV, todas as semanas, sempre à espera de soluções para as armadilhas do episódio anterior. O herói tinha que se ‘safar', e as crianças torciam por isso.

Precursores das telenovelas no Brasil, possivelmente os heróis nacionais da TV contribuíram para formar o público que alimenta a audiência das novelas atuais, com aquelas mesmas crianças que cresceram acostumadas com as séries televisivas.

O Capitão Sete, interpretado por seu criador, o ator Ayres Campos, começou a passar na TV no dia 24 de setembro de 1954. Isso foi quase dez anos antes da primeira telenovela, que a TV Excelsior começou a exibir em julho de 1963. A novela chamava-se 2-5499 Ocupado , e era sobre um par romântico que se conhece devido a uma ligação errada, e era interpretada por Tarcísio Meira e Glória Menezes. Alguém lembra dessa novela? Dos heróis certamente já ouviu falar!

Em meados da década de 60 o Brasil sofre um traumático cataclismo político. Militares subvertem a defesa nacional contra o próprio Estado brasileiro, num evento brutal contra a ordem pública e democrática. Em oposição ao domínio militar começa a surgir um sentimento inconformista contra o regime totalitarista que se instalou após o golpe.

As representações comumente propostas pelos críticos da sociedade, através do escárnio, confundiram por décadas o patriotismo com o militarismo. Para estes o fruto indigno da ditadura militar não podia nunca representar algo que fosse de positivo para o país. Daí o brutal negativismo ostensivo contra a coisa nacional de representação patriótica nos tempos da ditadura.

A figura do super-herói nacional confundiu-se com a idéia de patriotismo, e este com o regime militar, tornando improvável por muito tempo a comunhão pacífica, entre ambos os conceitos, no imaginário coletivo.

Na verdade, ao que parece, a dificuldade não está na criação de bons personagens com características nacionais, e sim na dissolução do nó mental que ainda confunde nacionalismo com patriotismo e este ainda com militarismo e totalitarismo. Ao seguirem esta linha de raciocínio estão a misturar ‘alhos com bugalhos', como se diria em expressão popular.

Bons autores sempre criaram bons personagens. Podemos citar Eugênio Colonnese com seus Mylar, Escorpião, e Superargo; Emir Ribeiro com seus Homem de preto, Nova e Velta, entre outros; Orlando Paes Filho criador de Angus; Alessandro Dutra, Gian Danton e José Aguiar desenvolveram O Gralha; Mozart Couto com seu Hakan; Cynthia Carvalho e Ofeliano de Almeida com a trajetória de Othan o Leão Negro. Estes entre muitos outros, que sempre encontraram sua parcela de público.

Felizmente esse sentimento de preconceito anti-nacionalista anda em baixa! O resgate pelo mito do super-herói brasileiro, parece ter ganho um impulso com a auto-estima nacional em recuperação após a libertação política e estabilização monetária, somados ao reconhecimento profissional do trabalho de muitos brasileiros absorvidos pelo mercado internacional. Aos poucos um modelo de indústria parece ressurgir ao lado da memória dos seus ícones heróicos.

A periodicidade de revistas independentes como O Cometa, a Brado Retumbante, assim como o retorno do Capitão Sete (anunciado pelo designer Danyael Lopes para o site Universo HQ), são indícios de uma atenção dada a uma parte do exigente público brasileiro, que clama pelo retorno de seus super-heróis.

por Gabriel Rocha
www.lagartonegro.com.br/

História e Glória da Dinastia Pato

A clássica série Disney História e Glória da Dinastia Pato, publicada pela primeira vez no Brasil em 1974, completou 35 anos de sua estreia no País.

Criada na Itália em 1970 - por Guido Martina (roteiro), Romano Scarpa e Giovan Battista Carpi (desenhos) e Giorgio Cavazzano (arte-final) -, foi também a primeira origem da Família Pato, até A Saga do Tio Patinhas, de Don Rosa, tomar o posto em 1992.

No próximo mês de setembro, a Editora Abril celebra a História e Glória da Dinastia Pato republicando todos os capítulos originais - excluindo o episódio extra produzido no Brasil e apresentado em Disney Especial # 100, em 1987 - mais um inédito, publicado na Itália em uma edição especial comemorativa dos 35 anos de criação da série.

De acordo com Paulo Maffia, da Redação Disney da Abril, novos arquivos digitais foram importados da Itália para esse fim.

Serão dois volumes em formato americano e acabamento de luxo, com nova tradução e textos explicativos assinados pelo jornalista Marcelo Alencar (autor dos artigos informativos presentes na coleção O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks). A distribuição será nacional.

Confira a imagem da capa da edição de estreia, gentilmente liberada ao Universo HQ pela Editora Abril.

Por Marcus Ramone
http://www.universohq.com/


O herói Brasileiro BRASILEIRO!


Certo… Então você quer criar um herói de quadrinhos brasileiro, para brasileiro curtir? Quer que o seu público seja amplo e se divirta com seu herói? Quer que os leitores entendam o que seu herói representa? Quer que eles se identifiquem com ele e se lembrem dele mesmo quando não estão lendo sua história em quadrinhos?

Se a resposta for ”não” para essas perguntas, não precisa continuar lendo esse artigo. Mas se a resposta for ”sim”, é preciso se certificar de que você não vai começar da forma errada.

Não que haja “certo” e “errado” quando se trata de criar personagens. Mas alguns aspectos são cruciais para determinar a possibilidade de sucesso ou fracasso total em alcançar os objetivos citados no primeiro parágrafo.

A primeira coisa que se deve ter em mente é que estamos no Brasil, escrevendo para brasileiros. Então precisamos nos desapegar totalmente da visão estrangeira de “herói” e “super-herói” que, por tanto tempo, está impregnada no inconsciente coletivo dos autores e nerds do nosso país. Não podemos mais querer reproduzir o que absorvemos dos heróis estadunidenses, japoneses, ingleses ou de onde for. Estadunidenses escrevem histórias voltadas para estadunidenses, japoneses escrevem para japoneses, assim por diante. Mas infelizmente somos o único povo que escreve e cria coisas projetando outras culturas SEM conhecê-las devidamente.

O herói brasileiro precisa ser um HERÓI e precisa ser BRASILEIRO. Para isso não basta dar poderes a um fortão ou a uma siliconada e tascar-lhe uma bandeira do Brasil, jogando-os no meio da Amazônia para defender a selva. Isso pode parecer bem intencionado, mas não passa de panfletagem piegas e sem imaginação. Não basta trocar a roupa do seu herói gringo favorito por roupas verde-amarelo.

Se você criar um herói baseado nas características do Batman, talvez alguns leitores do Batman gostem. A maioria vai te considerar um plagiador, mas há a possibilidade de que alguns achem legal sua iniciativa. Se você criar um herói que carregue a marca do brasileiro e seu dia-a-dia, pode ser que consiga conquistar uma grande gama de leitores que se identificam com esse herói e seu universo.

Assim foi com o Homem-Aranha, que por sinal, revolucionou os quadrinhos nos EUA na época. Um nerd perdedor (a grande maioria dos leitores de quadrinhos são nerds ou esportistas-atléticos-garanhões?) que tinha uma vida normal de um nerd norte-americano, de repente se torna um herói, mas não sem trazer as devidas consequências para sua vida pessoal, familiar, amorosa e profissional.

Este sucesso fenomenal se deu porque os autores, muito sabiamente, compreenderam o público que consumia quadrinhos na época. Eles souberam lidar com os estereótipos e arquétipos tão amplamente que conquistaram leitores não só dos EUA, mas do mundo inteiro. Ainda assim, os quadrinhos eram voltada(o)s para os estadunidenses.

Minha proposta é que se encontre o herói brasileiro em meio ao seu próprio povo. Parem de se basear em seus heróis favoritos. Guardem suas HQs no armário e saia de casa. Olhe para as pessoas, para o lugar onde você vive. O herói brasileiro pode estar ao seu lado no ônibus, na sala de aula, no super-mercado. O herói brasileiro pode ser você…

Mas primeiro vamos entender o que é um herói. Ou melhor, o que faz um herói.

Um herói não é necessariamente super. O que faz dele um herói não são os super-poderes, são seus feitos, seus atos, sejam fantásticos ou apenas humanos. Sâo suas motivações de se importar com o mundo, com uma idéia ou uma pessoa a ponto de se sacrificar por aquilo que considera importante e que esteja ameaçado. Pode ser um super-poderoso impedindo uma invasão alienígena ou um homem sacrificando sua saúde no trabalho pesado para alimentar a família.

Ato heróico é sacrificar-se em prol de algo mais importante do que a si mesmo*.

Então, podemos concluir que o que faz o herói é a necessidade. Seja um perigo eminente ou uma privação. O importante aqui é estabelecer o elo, a motivação que fará uma pessoa comum se importar com a necessidade existente a ponto de se tornar o herói que vai resolver a parada.

Um herói nacional surge de uma necessidade nacional.

O Super-man foi criado em uma época em que os EUA atravessavam o pior momento de sua história. Ainda se sentia os efeitos da quebra da bolsa, a crise econômica era forte e a Segunda Guerra se aproximava inevitável. Era preciso um herói que resolvesse todas as necessidades daquele povo. Surgiu então dos céus um homem de aço, invulnerável, infalível, dando conta de todo tipo de super-vilão.

O mesmo aconteceu no Japão. Após a destruição de duas de suas principais cidades, surgiram heróis em filmes e quadrinhos capazes de derrotar qualquer ameaça, fosse tecnológica, alienígena ou biológica. O país estava seguro.

Tais acontecimentos afetaram o inconsciente coletivo desses povos.

Por isso o herói é aquilo que o povo precisa. E para se tornar herói, ele precisa se importar. O Homem-Aranha, quando recebeu os poderes, se importava apenas em realizar os próprios sonhos. Mas quando sentiu na pele a necessidade de um povo, decidiu lutar para protegê-lo.

Isso já basta se você quer um herói popular, mas descartável. Mas isso não é o suficiente para definir o herói brasileiro. Com um bom herói, a HQ nacional pode ganhar uma boa revista. Mas os quadrinhos precisam de mais do que apenas um herói para sobreviverem a longo prazo. Precisam de um mito. Assim, poderão surgir diversos heróis, em diversas formas e variações, baseados no mesmo mito.

Para se tornar um mito, o herói precisa fazer parte do inconsciente coletivo. Vamos usar como exemplo o herói japonês. A grande maioria desses heróis são baseados em conceitos milenares daquela cultura. Esses conceitos, por sua vez, são baseados em valores de honra, coragem, lealdade, fidelidade e bravura. São conceitos samurais.

O samurai é uma figura mitológica no Japão; isso não significa que esse mito nunca existiu, mas também não significa necessariamente que existiu. Nesse caso específico, os samurais existiram, mas o que realmente ficou no inconsciente coletivo foi uma imagem fantástica e idealista do samurai – a imagem que o povo japonês precisava para suprir suas necessidades.

Dessa forma, os autores têm a sua disposição um conceito, uma imagem, um mito no qual podem se basear seguramente, confiantes de que seu herói, estando dentro desse conceito, será aceito nessa cultura. E devido ao fato do mito do Samurai estar cada vez mais se tornando parte também do inconsciente coletivo do mundo ocidental, esses heróis, seus valores e feitos estão sendo aceitos deste lado do globo.

Mas e o herói brasileiro? E o mito nacional? Já o temos a nosso dispor ou precisamos construí-lo?

Alguns acreditam que os mitos estão nos folclores, outros defendem que nossos heróis estão no nosso passado, na figura de revolucionários como Tiradentes e Lampião. Eu não apóio e nem descarto essas possibilidades. Mas precisamos entender que os folclores vieram de uma cultura totalmente diversa da que vivemos hoje em dia (indígena e africana), portanto não se encaixam no mundo moderno e em suas necessidades. E os ditos heróis do passado não lutaram por algo que precisemos hoje em dia.

Então o que se pode fazer, se é que queremos usar essas duas opções, é reciclá-las de acordo com o Brasil de hoje, com o povo que está aí esperando por um herói para suas próprias necessidades. Podemos retirar os valores destas figuras que são aproveitáveis nos dias de hoje e criar um folclore moderno ou uma neorrevolução. O brasileiro nunca se importou com o passado, e não é com uma aula de História nacional em quadrinhos que ele vai passar a se importar. O que importa para o leitor é o Hoje, o Agora.

Como foi dito no artigo anterior, observe os arquétipos à sua volta, os tipos de pessoas que existem aqui. São muitos. O herói brasileiro, para ser brasileiro, precisa ser um deles. E para ter um público amplo, precisa ser um brasileiro comum. Um brasileiro que pode ser eu ou você ou seu vizinho. Precisa enxergar o Brasil tal como ele é e se importar a ponto de realizar feitos heróicos.

Se isso será feito metaforicamente ou explicitamente, é com você. É aí que entra a idéia da história, assunto que foi tratado nos artigos anteriores. Não adianta usar temas que só a você interessa ou que de acordo com sua opinião, deveria ser de interesse de todo o povo. Isso resultará em fracasso imediato. Sua idéia precisa se basear naquilo que REALMENTE interessa ao povo brasileiro. Mas não seja óbvio demais a ponto de colocar carnaval e futebol. Existem coisas que o povo se interessa e nem sabe disso. Descubra. Depois, quando tiver compreendido e criado seu universo baseado no interesse e necessidade do povo, você insere o ingrediente final: o seu toque, sua identidade, seu recado.

E não se esqueça nunca de qual é seu público. São pessoas, seres humanos, brasileiros. Entender isso na sua essência faz toda a diferença.

Comics Livres
http://comicslivres.wordpress.com/

Mangá do Studio Seasons na Neo Tokyo

O Studio Seasons informa que sua nova série “Zucker” estreará na revista Neo Tokyo nº 43. É uma história em estilo shoujo composta de onze capítulos, que se passa no sul do Brasil e conta como a jovem Dora Zuckermann herda a confeitaria de sua avó, Greta, juntamente com alguns de seus segredos.

Os capítulos da série são em três páginas e foram preparados exclusivamente para a revista Neo Tokyo, utilizando o mesmo conceito de mangás feitos sob encomenda da NewType japonesa. O roteiro é de Montserrat e a arte de Simone Beatriz.

Por: Anime Pró

Divulgação: Cometa e Grandes Encontros

Produção nacional.
O responsável é Samicler Gonçalves.
Aos interessados o material pode ser conseguido tanto em lojas especializadas quanto por e-mail.

Em Defesa dos Roteiristas de Quadrinhos


Na época do lançamento da graphic novel Mulher diaba no rastro de Lampião, um jornalista especializado da Folha de São Paulo entrevistou o desenhista Flávio Colin e perguntou se ele havia pesquisado literatura de cordel para escrever a história. O entrevistador ignorou completamente que a história havia sido escrita pelo roteirista Ataíde Brás, que pesquisou profundamente o cordel e fez nesse trabalho o que seria sua obra-prima.

O caso mostra bem a forma como os roteiristas têm sido vistos no Brasil por jornalistas, editores e fãs. Em Macapá existe um rapaz que dá aula de quadrinhos nas quais ensina que, para escrever uma HQ, não é necessário ter qualquer tipo de preparo intelectual... basta saber desenhar. Suas opiniões não são uma anomalia, mas, ao contrário, expressam uma opinião dominante.

Quando a Tiazinha começou a fazer sucesso e surgiu a proposta de fazer um programa de TV exclusivo para ela, alguém teve a idéia de colocar no programa elementos dos gibis. Para que isso acontecesse, chamaram para fazer o roteiro... um desenhista de quadrinhos. O resultado vergonhoso todos nós vimos: uma história sem pé nem cabeça que fez os fãs terem saudades da época em que a Tiazinha apenas desfilava com lingiere e depilava a perna de marmanjos.

A importância dos roteiristas, em outros países, é mais do que provada. Alguns roteiristas, como Goscinny, Stan Lee e Alan Moore tornaram-se estrelas, de modo que seus nomes na capa conseguem, por si só, garantir as vendas de uma revista. Neil Gaiman mostrou, em Sandman, que uma revista podia vender muito bem mesmo sem ter desenhistas talentosos. Os primeiros ilustradores de Sandman eram, no máximo, competentes, mas mesmo assim a revista chegou a vender tanto quanto a do Superman.


O lançamento de obras desses roteiristas costumam ser acompanhadas, no Brasil, de grande divulgação. É comum dar mais destaque ao roteirista que ao desenhista. Mas esses mesmos editores e jornalistas têm uma visão diferente quando se trata do roteirista nacional. Um editor me confidenciou, certa vez, que, se pudesse, publicaria apenas histórias sem texto, apenas com desenhos, pois o roteiro, para ele, era irrelevante. Isso acaba se refletindo até mesmo nos créditos. Quando a graphic gótica A hora do crepúsculo foi lançada, o texto da capa dizia: Texto e desenhos de Bené Nascimento. No miolo, todas as histórias tinham roteiro meu.

Quando a história "Siren" foi lançada na coletânea Brazilian Heavy Metal, os editores simplesmente esqueceram de me creditar como roteirista.

Recentemente foi lançado um álbum com histórias minhas. O material promocional citava apenas o nome do desenhista e nenhum dos jornalistas que resenhou a obra percebeu que várias das histórias publicadas não tinham sido escritas por ele.

À falta de reconhecimento alia-se os problemas com desenhistas. Todo roteirista tem uma quantidade enorme de roteiros escritos e nunca aproveitados porque os desenhistas simplesmente abandonaram o barco. A situação é pior quando os personagens foram criados pelo desenhista, o que torna impossível apresentá-los a outro artista.

Tenho mais de mil páginas escritas e que nunca serão aproveitadas. O tempo gasto na produção desses roteiros dava para fazer uns três romances. O sistema das editoras brasileiras, de aceitar apenas projetos prontos, privilegia os desenhistas-escritores e torna quase impossível para o roteirista apresentar projetos.

Em países nos quais a editora compra o roteiro e contrata um desenhista para ilustrá-lo, isso permitiu o surgimento de ótimos roteiristas.Em todos os países do mundo em que os quadrinhos apresentaram um grande desenvolvimento, há a figura central de roteiristas. Na Argentina, os quadrinhos se estruturaram a partir do roterista Héctor Germán Oesterheld, ganhando não só reconhecimento popular, como os aplausos da crítica. Na França, Goscinny (Asterix) e Charlier (Blueberry) elevaram os quadrinhos ao mesmo nível da literatura.

Nos EUA, Stan Lee criou o fenômeno Marvel, com personagens como Homem-Aranha e X-Men, que hoje rendem fortunas para Hollywood. Lá, a reclamação é exatamente oposta: os desenhistas, como Jack Kirby e Steve Ditko, reclamam que seus nomes não tiveram tanto destaque quanto o de Stan Lee. Na Itália, os Bonelli (pai e filho, ambos ótimos roteiristas) transformaram o fumetti em um fenômeno cultural. No Brasil, nenhum roteirista jamais se destacou. Seria por falta de qualidade?

O escritor Júlio Emílio Braz, após deixar os quadrinhos, dedicou-se apenas à literatura juvenil, ganhou o prêmio Jabuti e hoje é um dos escritores de paradidáticos mais requisitados do país. Outros foram para a publicidade, para o jornalismo, e se destacaram nessas áreas. Mais cedo ou mais tarde, os roteiristas vão abandonando o gênero e se dedicando a outras áreas. Eles o fazem após constatar uma verdade triste: fazer quadrinhos no Brasil é coisa de quem sabe desenhar. E só. Não há espaço para roteiristas.

por Gian Danton/Ivan Carlo
http://roteiroquadrinhos.blogspot.com/

Qual é a Personalidade do Super Brasileiro?

“É possível fazer um super-herói que reflita a alma brasileira?”

Esta foi uma pergunta de um aluno do Projeto Mamute e confesso que não tive uma resposta concreta ou definitiva acerca do assunto. Afinal, o termo super-herói é, de fato, um termo associado aos comics americanos e, portanto, automaticamente nós vamos associar o nosso super-herói brasileiro a algum Homem-Aranha ou Super-Homem. Ou será que não?

Apesar dos super-heróis terem surgido de fato nos comics em 1938 nas mãos dos criadores Jerry Siegel e Joe Shuster na figura do Super-Homem, o Brasil tem vários personagens que possuem poderes e podem, por que não, serem considerados super-seróis brasileiros. Só para mencionar alguns deles, o Capitão 7, criado em 1954 por Rubem Biáfora, tem uma importância ímpar para os meios de comunicação no Brasil: é a primeira série brasileira feita com o tema super-herói. Os responsáveis pela adaptação do personagem para os quadrinhos foram Jayme Cortez e Júlio Shimamoto, pela editora Continental/Outubro. Era um personagem com todos os preceitos de um super-herói: identidade secreta, super poderes e capa, entre outros, apetrechos clássicos dos comics. Atualmente, Danyael Lopes vem realizando um trabalho de revitalização do personagem. Na internet, duas partes da HQ, com um total de 23 páginas, estão disponíveis para download (em PDF) no site Retrografia, onde também pode ser encontrado um perfil do Capitão 7; o Arquivo Secreto, com fotos e capas de edições da revista em quadrinhos; e A História do Personagem. (Confira a matéria publicada aqui no Bigorna.net)

Em 1966, Gedeone Malagola criou o personagem chamado Raio Negro. Ele é o piloto da FAB, o tenente Roberto Sales, que em sua primeira missão secreta em vôo orbital, encontra um disco voador avariado, original do planeta Saturno e, ao salvar seu ocupante da morte, recebe em agradecimento um anel magnético que o transforma em um super-herói: o poderoso Raio Negro! Que só tem poderes em defesa da justiça. Vale lembrar que quando Raio Negro foi lançado, os leitores brasileiros ainda não conheciam os hoje famosos X-Men. Segundo Franco de Rosa, “As aventuras do Raio Negro não eram confusas como as de Superman, cômicas como as de Batman, nem dramáticas como as da Marvel - estilos que predominavam na época. Raio Negro apresentava maior influência da narrativa fictícia dos seriados cinematográficos dos anos 40 como Buck Rogers, Flash Gordon e Homem-Foguete, que Gedeone assistia quando criança”.

O Gralha é um caso a parte nos quadrinhos nacionais: é uma releitura do Capitão Gralha de Francisco Iwerten, criado no início dos anos 1940. Em 1997, o Gralha reaparece como um herói curitibano, cujo alter ego é o jovem estudante Gustavo Gomes, que enfrenta, entre outros, inimigos inusitados como Araucária, Café Expresso, Bagre Humano em uma Curitiba idealizada e transformada em uma Megalópole. Apesar de possuir todos os clichês dos super-heróis convencionais como identidade secreta, poderes e deveres, sua interpretação é bastante original, já que são vários artistas que trabalham com as histórias do Gralha. Entre estes artistas, podemos destacar Alessandro Dutra, Gian Danton e José Aguiar, variando estilos, narrativas e até mesmo a forma básica do Gralha, passando de um herói extremamente musculoso a um personagem baixinho e gordinho. Publicadas semanalmente desde setembro de 1988 no jornal A Gazeta do Povo, o Gralha já teve uma publicação especial pela editora Metal Pesado, Via Lettera e até virou filme.

Simacnot é uma criança mandada para Terra por sua mãe, a Rainha Silena no intuito de protegê-lo de um planeta dominado por mulheres. Aqui no Brasil foi encontrado por cientistas que desenvolveram seus poderes e, após uma fuga, ele adota o nome Marcelo Vasconcelos e acaba trabalhando para o governo sob a alcunha de o Cometa. Cometa é um personagem criado por Samicler Gonçalves e tem todos os clichês necessários para ser considerado uma cópia de um Super-Homem, mas o personagem nada mais é do que um super-herói e seu embasamento não poderia ser diferente. Todas as origens de heróis e super-heróis já foram inventadas. Todos os tipos de poderes, uniformes, fraquezas... o que faz o Cometa ser original está em sua personalidade, no seu modo de resolver os problemas. Uma coisa muito importante que o Samicler vem fazendo é trazer em cada edição personagens de diversos criadores. Isso gera novas opções de leitura e identificação com o leitor.

São inúmeros os super-heróis que poderia citar aqui neste artigo: Mylar (Eugênio Colonnese), Ultrax (E.C. Nickel), Judoka (Floriano Hermeto e outros), Escorpião (Wilson Fernandes), e Velta (Emir Ribeiro), entre outros tantos, mas eu não estaria respondendo a pergunta inicial: qual é a personalidade do super-herói brasileiro? Apesar do termo super-herói ter surgido com os comics, os preceitos, virtudes e características psicológicas são universais, ou seja, o super-herói brasileiro vai ter o senso de justiça, de preservação da espécie, da doação - até da própria vida - para poder salvar o planeta, assim como um super-herói americano, japonês ou de qualquer parte do mundo. O que pode diferenciar o super-herói brasileiro dos outros está na forma como o super-herói é encarado por nós mesmos, enquanto leitores e criadores de super-heróis, por exemplo. Ao contrário de um Super-Homem, cujo sua importância é de um ícone cultural americano, o super-herói brasileiro tem como função propiciar boas histórias e criticar, de maneira despretensiosa, a própria figura do super-herói em uma sociedade.

Concluindo: é possível fazer um super-herói brasileiro, com personalidade brasileira, mesmo se baseando em clichês clássicos, pois independente de origem, roupa ou poderes, o que conta é como o autor conta essa história e é exatamente isso que vai fazer o super-herói, alien ou não, ter uma personalidade brasileira.

Por Alberto Pessoa*
04/10/2006

http://www.bigorna.net/

Supers BR - Eu Apoio Essa Idéia


Editora Savana: nova editora de mangás

Por: Anime Pró - 10/08/2009

Fazendo companhia para as já atuantes JBC, Panini Comics, NewPOP, Conrad e Zarabatana, mais uma editora chega ao país lançando mangás. A Editora Savana, segundo seu site oficial, entrou no mercado brasileiro para revolucionar a edição de mangás e manhwas, com um padrão de qualidade muito acima da média e um preço abaixo de muitos títulos do mercado nacional.

Seus primeiros títulos, com previsão para Setembro, são os três a seguir e, além disso, anuncia o lançamento de outra série coreana para breve, trata-se de Jack Frost:

Aflame Inferno
Muita ação, aventura e sutiãs tamanho GG. Realmente tudo o que a gente queria!!!

Autor: Im Dal Young – Artista: Kim Kwang Hyun
Formato: 13cm x 18cm / Páginas: 192
Preço: R$ 10,90
Genero: Ação, aventura, sobrenatural e romance.
5 volumes – ainda em andamento na Coréia

Unordinary Life
Um sonho, uma amizade e uma história de superação...

Autor: Yukari Yashiki
Formato 13 x 18 cm / Páginas: 192
Preço: R$10,90
Gênero: Romance, vida escolar
2 volumes

Tokyo Toy Box
Em uma empresa que cria jogos o que não faltam são situações fora do cotidiano normal.

Autor: Ozawa Takahiro e Seo Asako
Formato 13 x 18 cm
Preço: R$10,90
Gênero: Comédia, drama
2 volumes