O HARÉM ESPACIAL - PARTE II

Eta-Vërefgn IV foi colonizado ainda durante o exodoo da humanidade, mas, seja por causa de líderes déspotas ou pela índole do povo, exibe apenas resquícios das comodidades modernas, tão comuns nos mundos mais importantes da Dispersão. Vërefgnaria, a capital, é um aglomerado de edificações, com quatro andares, pontilhada por um estádio e alguns palácios cujo esmero arquitetônico contrastava com a monotonia vermelho-cobre das habitações ao redor.

Alesia, não acostumada à perda de entes queridos, chorara até entrar numa espécie de torpor. Só então percebeu que haviam pousado e que ela fora conduzida até um dos palácios, onde teve de esperar em frente a uma ampla porta de duas folhas, ornamentada com arabescos. A porta se abriu automaticamente.

Era uma vasta sala decorada naquele padrão das ilustrações dos livros das mil e uma noites; as pilastras, arabescos e véus estavam por toda parte. Até mesmo havia uma piscina aquecida no centro. A poucos metros diversas mulheres, das mais diversas raças, dedicavam-se a afazeres frívolos. O estrondo, produzido pelo fechar da porta, fez com que todas interrompessem o que estavam fazendo. Seus olhos curiosos caíram sobre a estranha.

- Seja bem-vinda, irmã – uma basteth se aproximou, sorrindo - Sim, querida, é assim que nos tratamos. Porque, assim como nós, você teve a honra de ter sido escolhida para fazer parte do harém de Sem III, regente de Eta-Vërefgn.

Alesia sabia o que era um harém. Eles eram comuns na sociedade élfica, principalmente entre os lordes planetários. Sua própria mãe fez parte de um. Mas saber o que era um harém e tornar-se parte de um eram duas coisas completamente diferentes.

- Venha!- a basteth estendeu a mão ao perceber que ela estava mergulhada na confusão - Deixe que cuidemos de ti.

Ela aceitou e a mulher gato conduziu-a para o centro da sala.

+++++

A cidade amanheceu em polvorosa. Era dia de feira e as ruas estavam lotadas de comerciantes e suas barracas, onde se vendiam produtos de todos os cantos do planeta e além. Decididos a resgatar sua companheira, Larrar e Feenah partiram em direção ao planeta-capital, assim que recuperaram o saveiro, e agora andavam entre os pedestres, completamente incógnitos e mesclados.

Como a presença de não humanos era escassa, a basteth estava envolta em um manto com um capuz que lhe cobria a cabeça, escondendo o rosto e as orelhas de gato. Ela olhava para todos os lados, como se procurasse algo.

Próximo a uma barraca que vendia frutas parecidas com melões, encontrava-se um garoto, que os olhava de soslaio. Quando ela olhou em sua direção, ele pegou um dos melões e ergueu contra o sol. As mangas de sua camisa escorreram e uma tatuagem em forma de serpente se mostrou. Era o que ela procurava.

O pivete abandonou o melão e começou a caminhar. Feenah, para não perdê-lo de vista, puxou Larrar pela camisa e partiu em seu encalço. Entraram num beco e viram-no desaparecer por uma porta que, ao ser aberta, revelava uma escada. Sem muita alternativa, começaram a descer. Após meia hora, se viram numa ampla sala, cercados por vários homens de olhares frios e ameaçadores.

Larrar levou a mão ao disruptor preso em sua cintura.

Nos dias subseqüentes à sua chegada ao planeta, Feenah, com a desaprovação de Larrar, iniciara uma série de furtos. Que se tornavam cada vez mais ousados, na tentativa de contatar a guilda de ladrões local, a única capaz de ajudar-lhes a resgatar Alesia. E eles finalmente haviam conseguido.

- Quem ousa trabalhar em meu território sem pagar a taxa devida a guilda? - indagou o líder, um homem de tez esverdeada e várias cicatrizes pelo rosto.

- Eu! – a basteth respondeu com firmeza, descobrindo a cabeça - Feenah Fhorca, filha de Tulah Fhorca, neta de Nhorah Fhorca, bisneta de Hyj...

O líder levantou a mão e ela calou-se. Suas palavras ecoaram pelas paredes do salão e Larrar jurou que podia ouvir o próprio coração batendo, tamanho o silêncio.

- A que devo tão ilustre presença? - o líder perguntou. Havia deboche em seus olhos.

- Venho até vós para solicitar ajuda para resgatar uma amiga.

- E porque devo ajudá-la, filha de Tulah Fhorca?

- Porque assim dizem as leis inquebrantáveis da Irmandade! - Feenah respondeu, não gostando do tom de desafio da pergunta.

Neste instante, alguém se aproximou do líder e sussurrou algo em seu ouvido. A hostilidade que havia em sua face desapareceu como por encanto. Ele sorriu para Feenah.

- Claro! Claro! Como pude me esquecer das leis da Irmandade? - ele sorriu cinicamente - Todos os ladrões são irmãos, não são?

A basteth fechou a cara.

+++++

Anexo à 'sala das mulheres', existe um jardim suspenso que nada deve aos jardins suspensos dos próprios palácios elficos. É um dos locais mais belos que Alesia já viu, com canteiros pontuados com centenas de variedades de flores, árvores ornamentais e viveiros de pássaros. Era onde ela estava naquele momento, recostada sobre um balcão e olhando o céu cinza-claro de Eta-Vërefgn IV. A doce brisa vespertina brincava com seus cabelos.

Nos primeiros dias Alesia não reparara na beleza daquele lugar, pois tinha apenas um único pensamento: escapar. Várias oportunidades surgiram e se perderam; seja por causa da rígida segurança do palácio ou pela indiferença de suas companheiras.

Longe de ficar aborrecida com o comodismo das moças, ela as compreendia; eram canários que nunca haviam saboreado o doce vento da liberdade e que temiam abandonar sua gaiola dourada por algo incerto. Singht, a jovem basteth que a recepcionara quando fora introduzida no harém, aproximou-se e debruçou sobre o balaústre.

- É tão bom ver Hikari sorrindo - disse após alguns segundos.

Alesia lançou um olhar para a amarna, que alegremente colocava uma tiara de flores na cabeça da garota humana. As duas sempre estavam juntas, e a ela começava a se perguntar se existia algo mais que amizade entre as duas.

- O senhor a encontrou num circo, onde vivia acorrentada e nua com as costas infeccionada por causa de um grotesco implante de asas. Eles viajavam de aldeia em aldeia, exibindo-a como um ser maligno da mitologia humana. Quando a trouxeram, estava tão assustada, tão desesperada, que poucas de nós achamos que fosse se recuperar. E teria realmente, enlouquecido, se não fosse por Key, que sempre a consolou e a aconchegou, nos momentos de maior desespero.

Alesia continuou olhando o horizonte.

- Por que está me contando isso?

- Porquê? Porque sei o que pensas de nós, irmã. Está na forma como nos olha. Pensa que somos pobres coitadas que não conhecem outra vida, a não ser a de servir um homem como dóceis concubinas. Mas não é assim! O caso de Hikari não é uma exceção. Era a realidade de todas nós, até sermos trazidas para este lugar...

A elfa balançou a cabeça e encarou a outra.

- Você não precisa dar explicações para mim, Singht. Aliás, nenhuma de vocês precisa. Mas entenda, eu passei a vida toda fugindo deste tipo de vida! Foi para não me tornar um simples adorno no palácio de alguém que abandonei meu planeta natal...

- Irmã? Irmã Alesia! – a voz de uma das moças, uma elfa pouco mais nova que Alesia, ecoou pelo salão, fazendo com que suas irmãs levantassem os olhares.

- Estou aqui! - Alesia sinalizou sua posição sacudindo o braço levantado - O que se passa?

- Me mandaram avisar que o Senhor vai recebê-la hoje.

+++++

No piso de um dos corredores dos níveis inferiores do palácio existe uma grade que dá acesso para os esgotos da capital. E é exatamente nesta grade que dedos nervosos aparecem e a forçam até que ela se solte, liberando a passagem para quatro figuras soturnas. Feenah foi à última a sair do túnel, ajudada por um dos ladrões que acompanhavam-na naquela incursão. Trocou algumas palavras com eles antes que desaparecessem, deixando-a a sós com o humano.

- Aonde eles vão? Pensei que iam apenas nos colocar dentro palácio...

- Eles são ladrões, Larrar! Disseram que, como já estão aqui, não voltariam de mãos vazias. Na certa, vão roubar alguns talheres de que ninguém achará falta...

- Ladrões, hunf! - o rapaz deu de ombros - E agora?

- Bom, de acordo com o mapa que a guilda nos forneceu, só temos que subir uns 50 andares...

- Cinqüenta?!

Ela balançou a cabeça afirmativamente e conferiu um aparelho que estava preso à cintura; uma luz vermelha piscava intermitente.

- Confira seu inibidor eletrônico também, Larrar. Afinal, não queremos ser pegos antes de acharmos Alesia.

O rapaz conferiu o aparelho que os mantinham invisíveis para os sistemas de vigilância do palácio, antes de começarem a caminhar. Não avançaram dez metros e o som de passos foram ouvidos no corredor. Diante de seus olhos estupefatos, uma dezena de robôs surgiu de uma porta lateral e seguiu na direção dos companheiros. Automaticamente, Larrar levou a mão ao coldre, preparando-se para o pior.

- Não! - Feenah advertiu-o - São apenas robôs operários. Fique fora do caminho deles que nem nos notarão. Para este tipo, não é preciso nem usar um inibidor. Assim dito, ambos grudaram nas paredes e deixaram os robôs passarem. E como dissera a basteth, os homens de lata nem perceberam suas presenças. Mesmo assim, Larrar não deixou de suar.

- Agora, Vamos! - ela indicou o caminho, assim que os robôs desapareceram numa curva - Temos muito que caminhar...

- Cinqüenta andares, ai, ai!

- Olhe pelo lado bom: pelo menos você vai perder esta barriguinha de chope...

- Eu não tenho barriga! - o humano indignou-se.

- Claro... há, há, há!

Continua...

4 comentários:

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