CLICHÊS, ARQUÉTIPOS E ENREDOS

1. CASABLANCA, OU O RENASCIMENTO DOS DEUSES
(trecho do texto de Umberto Eco publicado em "Viagem na irrealidade cotidiana",Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1984)

"O filme já começa num lugar mágico de per si, o Marrocos, o Exótico, inicia com um quê de melodia árabe que se esfuma na Marselhesa. Quando entra para o ambiente de Rick, ouve-se Gershwin. África, França, Estados Unidos. A essa altura entra em cena um emaranhado de Arquétipos Eternos. São situações que presidiram as histórias de todos os tempos. Mas habitualmente para fazer uma boa história basta uma única situação arquetípica. E sobra. Por exemplo: O Amor Infeliz. Ou A Fuga. Casablanca não se contenta: coloca todas. A cidade é o local de uma Passagem, rumo à Terra Prometida. Para passar, porém, é necessário submeter-se a uma prova, A Espera ("esperando, esperando, esperando", diz a voz off no começo). Para passar do vestíbulo de espera à Terra Prometida, é preciso uma Chave Mágica: o visto. Em torno da Conquista desta chave desencadeiam-se as paixões. A mediação da chave parece ser feita pelo Dinheiro (que aparece em diversas cenas, geralmente sob a forma de Jogo Mortal, ou roleta): mas por fim se descobrirá que a chave somente pode ser dada através de um Dom (que é o dom do visto, mas é também o dom que Rick faz de seu Desejo, sacrificando-se) Porque esta é também a história de um turbilhão de desejos, dos quais apenas dois acabam sendo satisfeitos: o de Victor Laszlo, o herói puríssimo, e o do casalzinho búlgaro. Todos aqueles que têm paixões impuras fracassam. E então, outro arquétipo, triunfa A Pureza. Os impuros não chegam à terra prometida, somem antes; no entanto realizam a pureza através do Sacrifício: é a Redenção".

(...)

"Em torno dessa dança de mitos eternos estão os mitos históricos, ou seja, os mitos do cinema devidamente revisitados. Bogart personifica pelo menos três deles: o Aventureiro Ambíguo, misto de cinismo e generosidade; o Asceta por Desilusão Amorosa e ao mesmo tempo o Alcoólatra Redimido. Ingrid Bergman é a Mulher Enigmática ou a Mulher Fatal. Em seguida há Ouça Querido a Nossa Canção, o Último Dia em Paris, a Legião Estrangeira (cada personagem tem uma nacionalidade diferente) e finalmente o Grande Hotel Gente-Que-Vai-Gente-Que-Vem. (...) De modo que Casablanca não é um filme, é muitos filmes, uma antologia. E por isso funciona, a despeito das teorias estéticas e das teorias filmográficas. Porque nele se desdobram, em força quase telúrica, as Potências da Narratividade em estado selvagem, sem que a Arte intervenha para disciplinar.

"E então podemos aceitar que as personagens mudem de humor, de moralidade, de psicologia, de um momento para o outro, que os conspiradores pigarreiem para interromper a conversa quando se aproxima um espião, que as mocinhas de vida fácil chorem ao ouvir a Marselhesa.

"Quando todos os arquétipos irrompem sem decência, são atingidas profundidades homéricas. Dois clichês provocam riso. Cem clichês comovem. Porque se percebe obscuramente que os clichês falam entre si e celebram uma festa de reencontro. Como o cúmulo da dor encontra a volúpia, o cúmulo da banalidade deixa entrever uma suspeita de sublime".


2. KURT VONNEGUT JR.
(trecho da entrevista publicada em "Os Escritores", Ed. Companhia das Letras, São Paulo, 1987).

Pergunta: Acha realmente que a arte de escrever de forma criativa pode ser ensinada?

VONNEGUT: Mais ou menos da mesma maneira que o golfe pode ser ensinado. Um profissional pode apontar falhas óbvias no seu modo de mover o taco. (...) Sei apenas a teoria.

Pergunta: Poderia expor a teoria em poucas palavras?

VONNEGUT: Ela foi formulada por Paul Engle, o fundador da Oficina de Escritores em Iowa. Ele me disse que, se a oficina um dia arrumasse um prédio próprio, estas palavras deveriam ser inscritas sobre a entrada: "Não leve isso tudo a sério".

Pergunta: E como isso poderia ajudar?

VONNEGUT: Faria os estudantes se lembrarem que estavam aprendendo a fazer brincadeiras. Se você faz as pessoas rirem ou chorarem por causa de pequenas marcas negras em folhas de papel branco, o que é isso a não ser uma brincadeira? Todas as grande linhas básicas de histórias são grandes brincadeiras nas quais as pessoas caem continuamente.

Pergunta: Pode dar um exemplo?

VONNEGUT: O romance gótico. Dezenas de coisas são publicadas todo ano e todas vendem. Meu amigo Borden escreveu recentemente um romance gótico apenas por diversão. Eu lhe perguntei qual era o enredo e ele disse: "Uma jovem arruma um emprego em uma casa velha e depois fica morrendo de medo lá dentro".

Pergunta: Mais alguns?

VONNEGUT: Os outros não são tão engraçados de se descrever. Alguém entra em apuros e depois escapa; alguém perde alguma coisa e a recupera; alguém é enganado e se vinga; Cinderela; alguém começa a andar para trás e a sua situação só piora cada vez mais; duas pessoas se apaixonam e outras atrapalham; uma pessoa virtuosa é falsamente acusada de um delito; uma pessoa má é julgada virtuosa; uma pessoa encara um desafio com bravura e tem sucesso ou não; uma pessoa mente; uma pessoa rouba; uma pessoa mata; uma pessoa pratica fornicação.

Pergunta: Me desculpe, mas esses são enredos muito antigos.

VONNEGUT: Eu lhe garanto que nenhum esquema de histórias modernas, mesmo sem enredo, dará a um leitor satisfação genuína, a menos que um destes enredos antigos seja introduzido em algum lugar. Não valorizo enredos como representações precisas da vida, mas como maneiras de manter o leitor lendo.

Quando eu ensinava redação criativa, dizia aos meus alunos para fazer com que seus personagens quisessem algo logo, mesmo que fosse apenas um copo d'água. Até personagens paralisados pela falta de sentido da vida moderna têm que beber água de tempos em tempos. (...) Quando você exclui o enredo, quando exclui alguém que deseje alguma coisa, você exclui o leitor, o que é uma atitude mesquinha. Você também pode excluir o leitor não contando imediatamente onde a história se desenrola e quem são estas pessoas. E você pode fazê-lo dormir se não colocar os personagens em confronto uns com os outros. Estudantes gostam de dizer que não apresentam conflito em seus textos porque as pessoas evitam conflitos na vida moderna. "A vida moderna é tão solitária...". Isso é preguiça. É o trabalho do escritor apresentar conflitos, para que os personagens digam coisas surpreendentes e reveladoras, eduquem e divirtam a todos nós. Se um escritor não sabe ou não quer fazer isso, deveria retirar-se do negócio.


3. AS 36 SITUAÇÕES DRAMÁTICAS
(Les XXXVI Situations dramatiques, Georges Polti, 1895)

(1) Implorar; (2) o Salvador; (3) a Vingança que persegue o crime; (4) Vingar parente por parente; (5) Acuado; (6) Desastre; (7) Vítima de; (8) Revolta; (9) Tentativa audaciosa; (10) Rapto; (11) o Enigma; (12) Conseguir; (13) Ódio de parentes; (14) Rivalidade com parentes; (15) Adultério mortal; (16) Loucura; (17) Imprudência fatal; (18) Crime de amor involuntário; (19) Matar um parente ignorado; (20) Sacrificar-se pelo ideal; (21) Sacrificar-se pelos parentes; (22) Sacrificar tudo pela paixão; (23) Ter que sacrificar a família; (24) Rivalidade entre desiguais; (25) Adultério; (26) Crimes de amor; (27) Ser informado da desonra de um ser amado; (28) Amores proibidos; (29) Amar um inimigo; (30) a Ambição; (31) Luta contra Deus; (32) Ciúme equivocado; (33) Erro judiciário; (34) Remorso; (35) Reencontrar; (36) Perder a família.


UNISINOS - CURSO DE REALIZAÇÃO AUDIOVISUAL
ROTEIRO - TRIMESTRE 2003/2

Mundo dos Super-Heróis na Fest Comix

Durante a tradicional Fest Comix – de 16 a 18 de outubro –, a revista Mundo promove uma série de palestras com importantes quadrinhistas brasileiros, além de duas sessões de autógrafos com alguns autores da Editora Europa.

O ciclo de palestras faz parte do evento Quadrinhos na Prática. A ideia é mostrar quadrinhistas ao vivo, na frente da plateia, criando seus trabalhos. Os escolhidos são:

SEXTA-FEIRA (16/10)
18 h: Os roteristas Marcelo Cassaro e Petra Leão (Turma da Mônica Jovem) revelam os segredos de como criam seus roteiros.

SÁBADO (17/10)
12 h: Adriana Melo, conhecida por seu trabalho na Marvel, mostra como desenha suas páginas e cria sensuais figuras femininas.

16 h: Felipe Massafera, capista da revista Mundo, cria na hora, com papel e tintas, uma impressionante pintura realista.

DOMINGO (18/10)
14 h: Caio Cacau, também capista da revista Mundo, leva seu equipamento digital e mostra como desenha e pinta diretamente na tablet.

16 h: Ivan Reis, o cultuado artista da revista Lanterna Verde, desenha uma página de quadrinhos e dá dicas de como resolve a narrativa de suas HQs.

Além do evento Quadrinhos na Prática, a revista Mundo terá um estande onde ocorrerão duas sessões de autógrafos:

SÁBADO (17/10)
17 h: Edson Rossatto e Jota Silvestre, autografam o livro História do Brasil 1 e mostram uma prévia da segunda edição, que deve chegar nas livrarias até o final do ano.

DOMINGO (18/10)
14 h: André Morelli, redator da revista Mundo, autografa seu livro Super-Heróis do cinema e dos longas-metragens da TV. O livro é o mais recente lançamento do grupo da Mundo e estará com preço especial na Fest Comix.

Fest Comix 2009
De 16 a 18 de outubro, das 10 às 20 horas
(domingo até às 18 horas)

Centro de Eventos São Luís
Rua Luís Coelho, 323 (próximo ao metrô Consolação)
São Paulo, SP – Informações: (11) 3088-9116
Site: www.comix.com.br/blog
Entrada: R$ 10

INTERSTELLA RPG

INTERSTELLA RPG é um cenário para uso em jogos de interpretação, um lugar imaginário onde jogadores e Mestres podem basear suas aventuras. Ao contrario da maioria dos cenários de RPG, que preferem a fantasia medieval, INTERSTELLA é uma fantasia tecnológica ambientada no futuro indeterminado da Via Láctea.

Esta é uma galáxia de constelações brilhantes, vastas nebulosas, sistemas estelares inexpugnáveis e mundos cintilantes. Bardos, caixeiros viajantes, mercadores, guarda-costas, soldados, marinheiros e aventureiros com coração de aço percorrem essa vastidão carregando histórias de mundos estranhos, gloriosos e longínquos.

Um lugar onde exploradores corajosos invadem criptas de mundos mortos em busca de glória e tesouros. Ladinos insolentes espreitam os incautos nas vielas úmidas das cidades de mundos antigos e jovens. Clérigos devotados levam a Palavra a todos os cantos da galáxia enquanto lutam contra poderes obscuros. Cientistas astutos saqueiam as ruínas de povos desaparecidos, pesquisando sem medo os segredos demasiado obscuros para a luz das estrelas. Monstros espaciais, gigantes, vilões de coração negro, demônios, hordas selvagens e abominações inimagináveis espreitam em nebulosas horripilantes, ruínas infindáveis, mundos destroçados e nas vastas regiões inexploradas da galáxia, sedentos pelo sangue dos heróis.

Esta é a Via Láctea, em INTERSTELLA, um lugar de grandes heróis e vilões irreparáveis, repleta de mundos envoltos em mistérios e grandes perigos. Uma galáxia para você moldar, guiar, defender, conquistar ou reinar.

Lançado para o sistema 3D&T – Defensores de Tóquio 3ª Edição – INTERSTELLA RPG traz a descrição dos principais mundos e organizações da Dispersão – uma vasta região da galáxia onde a humanidade faz sentir seu predomínio bélico, religioso e cultural. Regras para viagem espacial e robôs gigantes.

O cenário apresenta seis raças para personagens jogadores: humanos, elfos, anões e goblins, além de três novas raças – basteth, tricera e amarna. Além de apresentar as ameaças que se erguem contra a humanidade e a galáxia e uma apresentação, contendo as fichas, dos principais NPCs do cenário e uma aventura introdutória.

Além do manual básico Interstella ainda possui um e-zine, que compila o material publicado no site oficial e um e-book com cinco contos ambientados no universo de Interstella.

Descrição: Interstella 3D&T
Classificação Etária: 12 anos
Lançamento: Setembro/2008 (2ª edição)
Licenciamento: Creative Commons
Formato: PDF
Autor: Hadrian Marius
Capa: Desconhecido
Ilustradores: Vários
Onde baixar/Site: http://interstellarpg.blogspot.com/

Luluzinha Teen e Sua Turma # 4

A nova edição de Luluzinha Teen e Sua Turma traz o último episódio da primeira temporada da revista.

Em Corra, Lulu, Corra!, cujo título é alusivo ao cult movie alemão Corra, Lola, Corra!, Luluzinha terá que livrar os amigos das armadilhas do vilão Vítor Vergerus, que pretende destruir a cidade de Liberta.

A aventura trará ainda as repostas sobre os mistérios que envolveram toda a trama da temporada, como o nome por trás do grupo terrorista Bombz.

Como curiosidade, a capa mostra Luluzinha emulando a personagem vivida pela atriz Uma Thurman no filme Kill Bill.

Luluzinha Teen e Sua Turma # 4 tem 96 páginas, custa R$ 6,40 e é uma publicação da Pixel Media.

9/11



"O Dia Que a Terra Parou"

Divulgada a capa de MSP 50

Foi divulgada ontem a imagem da capa do livro MSP 50 - Mauricio de Sousa Por 50 Artistas, coletânea com HQs inéditas produzidas por 50 artistas brasileiros em comemoração ao cinquentenário de carreira do autor.

Na ilustração, o criador da Turma da Mônica foi desenhado por José Márcio Nicolosi, artista da Mauricio de Sousa Produções e autor dos desenhos de Clássicos do Cinema # 15 - Cascão Porker.

Os demais personagens da capa foram retratados por Laudo (Louco), José Aguiar (Magali), Laerte (Franjinha e Bidu), Manoel Magalhães (Astronauta), Samuel Casal (Penadinho), Benett (Jotalhão), Raphael Salimena (Horácio), Ivan Reis (Cebolinha), João Marcos (Cascão), Christie Queiroz (Mônica), Fábio Cobiaco (Anjinho) e Erica Awano (Chico Bento).

O livro de 192 páginas custa R$ 98,00 (capa dura) ou R$ 55,00 (capa cartonada) e será lançado nos dias 12 e 13 de setembro, durante a XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

Universo HQ
http://www.universohq.com/

Nanquim Descartável na HQMix Livraria

Acontece nesta quinta-feira, dia 27 de agosto, a partir das 19:30 horas, o lançamento do terceiro número da revista Nanquim Descartável, criação de Daniel Esteves.

Essa edição se passa num só dia, durante as refeições das personagens, café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e lanchinho da madrugada. Em meio a comidas e conversas, a edição traz Sandra tentado convencer Ju a virar vegetariana; o retorno de Marina, uma antiga amiga de Ju e a aparição da irmã mais nova dela; Sandra com ciúmes de Marina; Tuba perdido no meio de tantas mulheres; Ju vendo seu cachorro na comida e falando a respeito de sua dieta favorita; além de lamentos amorosos e uma série de pequenas sequências na revista onde aparentemente nada acontece, mas um bocado de coisa é dita.

Nanquim Descartável #3 – As calóricas aventuras de Ju e Sandra traz arte de Wanderson de Souza, Mário Cau, Júlio Brilha, Laudo Ferreira, Mário César, Wagner de Souza, Carlos Eduardo e Samuel Bono.

A revista traz uma história completa que pode ser lida sem a necessidade de se ter acompanhado as edições anteriores. Para quem quiser conhecer mais sobre a série, a primeira edição está disponível para leitura gratuita no site do coletivo Quarto Mundo, clicando aqui.

A edição tem 52 páginas, formato 16 x 25 e custa R$ 6,00.


HQMix 2009: Lista dos Premiados

Este ano, uma das principais premiações nacionais dos quadrinhos promoveu uma enxugada nas categorias e mudou o critério de algumas. Os vencedores foram escolhidos por mais de dois mil profissionais da área:

Adaptação para os Quadrinhos - Dom Quixote (Bira Dantas)
Adaptação para outro veículo - Batman, o Cavaleiro das Trevas
Articulista – Rogério de Campos
Caricaturista - Dálcio Machado
Cartunista - Duke
Chargista - Angeli
Desenhista Estrangeiro - Liniers
Desenhista Nacional - Rafael Grampá
Desenhista Revelação - Hemeterio
Edição Especial Estrangeira - Asterix e seus amigos
Edição Especial Nacional - Mesmo Delivery
Editora do ano – Panini
Evento - Bistecão Ilustrado
Exposição - Angeli/Genial
Grande Contribuição - FNAC
Grande Contribuição - Programa PNBE
Grandes Mestres - Ciça e Zélio
Homenagem/Destaque Internacional - Fábio Moon e Gabriel Ba
Homenagem/Destaque Internacional - Ziraldo
Ilustrador Nacional - Weberson Santiago
Livro Teórico - Henfil, O humor subversivo
Mídia sobre HQ - Blog dos Quadrinhos (Paulo Ramos)
Projeto Editorial - Turma da Mônica Jovem
Publicação de Aventura/Terror/Ficção - 100 Balas
Publicação de Cartuns - Tulípio 7
Publicação de Charges - 35º Salão de Piracicaba
Publicação de Clássico - Che
Publicação de Humor - Piratas do Tietê n.3
Publicação de Tiras - Níquel Náusea Em boca...
Publicação Erótica - CLIC n.3
Publicação Independente de Autor - Nanquim Descartável
Publicação Independente de Grupo - Café Espacial
Publicação Independente Especial - Depois da Meia-noite
Publicação Infanto-juvenil - Turma da Mônica Jovem
Publicação Mix - Graffiti n.18
Roteirista Estrangeiro - Alan Moore
Roteirista Nacional - Adriana Brunstein e Samuel Casal
Roteirista Revelação - Olinto Gadelha
Salão e Festival - 1° Festival Internacional de Humor do RJ
Tira Nacional - Níquel Náusea
Trabalho de Doutorado – Valéria Aparecida Bari
Trabalho de Mestrado - Líber Eugenio Paz
Trabalho de TCC – Pedro Franz Broering
Web Quadrinhos - Quadrinhos Ordinários

A festa de premiação aconteceu nesta sexta-feira (21), a partir das 20h, no SESC Pompeia (Rua Clélia, 93 – Lapa – São Paulo/SP), com apresentação de Serginho Groisman.

Este ano, o HQMix homenageou o artista Eugenio Colonnese, morto no ano passado. O troféu foi esculpido no formato da mais cultuada personagem de Colonnese, a vampira Mirza.

O HQMix, promovido pela Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) e Instituto Memorial das Artes Gráficas do Brasil (IMAG), foi criado há 20 anos pelos cartunistas JAL e Gualberto Costa como extensão do quadro deles sobre quadrinhos no programa TV Mix, exibido pela TV Gazeta.




HXL - Hero X Line

Para aqueles que acreditam que não tem mangá de super-herói no Japão, pense duas vezes: a HXL (Hero X Line), da Kodansha, é justamente isso, um almanaque que serializa várias histórias do gênero.

Foi ela quem publicou e publica séries como Alcbane, Axel Rex; Ginga Roid Cosmo X e vários outros materiais que lembram e muito séries como Jaspion e Jiraya, que passavam na televisão brasileira e que são conhecidas pelos seus fãs mais ardorosos pelo nome japonês tokusatsu, que designa esse tipo de produção.

A antologia completou um ano. Agora, um total de 22 livrarias estão disponibilizando papéis coloridos que serão usados para os leitores desenharem os personagens da revista a vontade.

O que surpreende nesse projeto do HXL é a adoção de práticas comuns ao cenário americano de supers. Olhem para essa capa ao lado: é do quarto volume que compila a série End Kajin, mas que mostra o protagonista ao lado dos heróis de outras séries da revista, como Alcbane e Kurando.

É importante reparar que mesmo os volumes das séries tem o selo gigantesco da HXL estampando visivelmente a capa. Há um "Universo HXL", da mesma forma que existe um Universo Marvel e um Universo DC? Em todo caso o projeto conta com a colaboração mútua entre a Kodansha e da Yahoo IT Plannings.

É coisa séria, portanto – e não me espantaria se com o advento da Kodansha Comics, esses personagens estivessem na linha de frente da entrada da editora em território americano. É só um palpite, só um palpite... mas pode ser e pode não ser uma boa idéia, já que parte do sucesso dos mangás nos Estados Unidos veio justamente da saturação com essas práticas.

Alexander Lancaster
http://www.interney.net/blogs/maximumcosmo

Super-heróis brasileiros

Houve um tempo em que o arquétipo de super-herói nacional ainda emocionava os corações mais ingênuos. Capitão Sete, Falcão Negro, Capitão Asa, todos personagens de sucesso apresentados à infância de passadas gerações como modelo ficcional heróico. Deixavam a criançada grudada na frente TV, todas as semanas, sempre à espera de soluções para as armadilhas do episódio anterior. O herói tinha que se ‘safar', e as crianças torciam por isso.

Precursores das telenovelas no Brasil, possivelmente os heróis nacionais da TV contribuíram para formar o público que alimenta a audiência das novelas atuais, com aquelas mesmas crianças que cresceram acostumadas com as séries televisivas.

O Capitão Sete, interpretado por seu criador, o ator Ayres Campos, começou a passar na TV no dia 24 de setembro de 1954. Isso foi quase dez anos antes da primeira telenovela, que a TV Excelsior começou a exibir em julho de 1963. A novela chamava-se 2-5499 Ocupado , e era sobre um par romântico que se conhece devido a uma ligação errada, e era interpretada por Tarcísio Meira e Glória Menezes. Alguém lembra dessa novela? Dos heróis certamente já ouviu falar!

Em meados da década de 60 o Brasil sofre um traumático cataclismo político. Militares subvertem a defesa nacional contra o próprio Estado brasileiro, num evento brutal contra a ordem pública e democrática. Em oposição ao domínio militar começa a surgir um sentimento inconformista contra o regime totalitarista que se instalou após o golpe.

As representações comumente propostas pelos críticos da sociedade, através do escárnio, confundiram por décadas o patriotismo com o militarismo. Para estes o fruto indigno da ditadura militar não podia nunca representar algo que fosse de positivo para o país. Daí o brutal negativismo ostensivo contra a coisa nacional de representação patriótica nos tempos da ditadura.

A figura do super-herói nacional confundiu-se com a idéia de patriotismo, e este com o regime militar, tornando improvável por muito tempo a comunhão pacífica, entre ambos os conceitos, no imaginário coletivo.

Na verdade, ao que parece, a dificuldade não está na criação de bons personagens com características nacionais, e sim na dissolução do nó mental que ainda confunde nacionalismo com patriotismo e este ainda com militarismo e totalitarismo. Ao seguirem esta linha de raciocínio estão a misturar ‘alhos com bugalhos', como se diria em expressão popular.

Bons autores sempre criaram bons personagens. Podemos citar Eugênio Colonnese com seus Mylar, Escorpião, e Superargo; Emir Ribeiro com seus Homem de preto, Nova e Velta, entre outros; Orlando Paes Filho criador de Angus; Alessandro Dutra, Gian Danton e José Aguiar desenvolveram O Gralha; Mozart Couto com seu Hakan; Cynthia Carvalho e Ofeliano de Almeida com a trajetória de Othan o Leão Negro. Estes entre muitos outros, que sempre encontraram sua parcela de público.

Felizmente esse sentimento de preconceito anti-nacionalista anda em baixa! O resgate pelo mito do super-herói brasileiro, parece ter ganho um impulso com a auto-estima nacional em recuperação após a libertação política e estabilização monetária, somados ao reconhecimento profissional do trabalho de muitos brasileiros absorvidos pelo mercado internacional. Aos poucos um modelo de indústria parece ressurgir ao lado da memória dos seus ícones heróicos.

A periodicidade de revistas independentes como O Cometa, a Brado Retumbante, assim como o retorno do Capitão Sete (anunciado pelo designer Danyael Lopes para o site Universo HQ), são indícios de uma atenção dada a uma parte do exigente público brasileiro, que clama pelo retorno de seus super-heróis.

por Gabriel Rocha
www.lagartonegro.com.br/

História e Glória da Dinastia Pato

A clássica série Disney História e Glória da Dinastia Pato, publicada pela primeira vez no Brasil em 1974, completou 35 anos de sua estreia no País.

Criada na Itália em 1970 - por Guido Martina (roteiro), Romano Scarpa e Giovan Battista Carpi (desenhos) e Giorgio Cavazzano (arte-final) -, foi também a primeira origem da Família Pato, até A Saga do Tio Patinhas, de Don Rosa, tomar o posto em 1992.

No próximo mês de setembro, a Editora Abril celebra a História e Glória da Dinastia Pato republicando todos os capítulos originais - excluindo o episódio extra produzido no Brasil e apresentado em Disney Especial # 100, em 1987 - mais um inédito, publicado na Itália em uma edição especial comemorativa dos 35 anos de criação da série.

De acordo com Paulo Maffia, da Redação Disney da Abril, novos arquivos digitais foram importados da Itália para esse fim.

Serão dois volumes em formato americano e acabamento de luxo, com nova tradução e textos explicativos assinados pelo jornalista Marcelo Alencar (autor dos artigos informativos presentes na coleção O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks). A distribuição será nacional.

Confira a imagem da capa da edição de estreia, gentilmente liberada ao Universo HQ pela Editora Abril.

Por Marcus Ramone
http://www.universohq.com/


O herói Brasileiro BRASILEIRO!


Certo… Então você quer criar um herói de quadrinhos brasileiro, para brasileiro curtir? Quer que o seu público seja amplo e se divirta com seu herói? Quer que os leitores entendam o que seu herói representa? Quer que eles se identifiquem com ele e se lembrem dele mesmo quando não estão lendo sua história em quadrinhos?

Se a resposta for ”não” para essas perguntas, não precisa continuar lendo esse artigo. Mas se a resposta for ”sim”, é preciso se certificar de que você não vai começar da forma errada.

Não que haja “certo” e “errado” quando se trata de criar personagens. Mas alguns aspectos são cruciais para determinar a possibilidade de sucesso ou fracasso total em alcançar os objetivos citados no primeiro parágrafo.

A primeira coisa que se deve ter em mente é que estamos no Brasil, escrevendo para brasileiros. Então precisamos nos desapegar totalmente da visão estrangeira de “herói” e “super-herói” que, por tanto tempo, está impregnada no inconsciente coletivo dos autores e nerds do nosso país. Não podemos mais querer reproduzir o que absorvemos dos heróis estadunidenses, japoneses, ingleses ou de onde for. Estadunidenses escrevem histórias voltadas para estadunidenses, japoneses escrevem para japoneses, assim por diante. Mas infelizmente somos o único povo que escreve e cria coisas projetando outras culturas SEM conhecê-las devidamente.

O herói brasileiro precisa ser um HERÓI e precisa ser BRASILEIRO. Para isso não basta dar poderes a um fortão ou a uma siliconada e tascar-lhe uma bandeira do Brasil, jogando-os no meio da Amazônia para defender a selva. Isso pode parecer bem intencionado, mas não passa de panfletagem piegas e sem imaginação. Não basta trocar a roupa do seu herói gringo favorito por roupas verde-amarelo.

Se você criar um herói baseado nas características do Batman, talvez alguns leitores do Batman gostem. A maioria vai te considerar um plagiador, mas há a possibilidade de que alguns achem legal sua iniciativa. Se você criar um herói que carregue a marca do brasileiro e seu dia-a-dia, pode ser que consiga conquistar uma grande gama de leitores que se identificam com esse herói e seu universo.

Assim foi com o Homem-Aranha, que por sinal, revolucionou os quadrinhos nos EUA na época. Um nerd perdedor (a grande maioria dos leitores de quadrinhos são nerds ou esportistas-atléticos-garanhões?) que tinha uma vida normal de um nerd norte-americano, de repente se torna um herói, mas não sem trazer as devidas consequências para sua vida pessoal, familiar, amorosa e profissional.

Este sucesso fenomenal se deu porque os autores, muito sabiamente, compreenderam o público que consumia quadrinhos na época. Eles souberam lidar com os estereótipos e arquétipos tão amplamente que conquistaram leitores não só dos EUA, mas do mundo inteiro. Ainda assim, os quadrinhos eram voltada(o)s para os estadunidenses.

Minha proposta é que se encontre o herói brasileiro em meio ao seu próprio povo. Parem de se basear em seus heróis favoritos. Guardem suas HQs no armário e saia de casa. Olhe para as pessoas, para o lugar onde você vive. O herói brasileiro pode estar ao seu lado no ônibus, na sala de aula, no super-mercado. O herói brasileiro pode ser você…

Mas primeiro vamos entender o que é um herói. Ou melhor, o que faz um herói.

Um herói não é necessariamente super. O que faz dele um herói não são os super-poderes, são seus feitos, seus atos, sejam fantásticos ou apenas humanos. Sâo suas motivações de se importar com o mundo, com uma idéia ou uma pessoa a ponto de se sacrificar por aquilo que considera importante e que esteja ameaçado. Pode ser um super-poderoso impedindo uma invasão alienígena ou um homem sacrificando sua saúde no trabalho pesado para alimentar a família.

Ato heróico é sacrificar-se em prol de algo mais importante do que a si mesmo*.

Então, podemos concluir que o que faz o herói é a necessidade. Seja um perigo eminente ou uma privação. O importante aqui é estabelecer o elo, a motivação que fará uma pessoa comum se importar com a necessidade existente a ponto de se tornar o herói que vai resolver a parada.

Um herói nacional surge de uma necessidade nacional.

O Super-man foi criado em uma época em que os EUA atravessavam o pior momento de sua história. Ainda se sentia os efeitos da quebra da bolsa, a crise econômica era forte e a Segunda Guerra se aproximava inevitável. Era preciso um herói que resolvesse todas as necessidades daquele povo. Surgiu então dos céus um homem de aço, invulnerável, infalível, dando conta de todo tipo de super-vilão.

O mesmo aconteceu no Japão. Após a destruição de duas de suas principais cidades, surgiram heróis em filmes e quadrinhos capazes de derrotar qualquer ameaça, fosse tecnológica, alienígena ou biológica. O país estava seguro.

Tais acontecimentos afetaram o inconsciente coletivo desses povos.

Por isso o herói é aquilo que o povo precisa. E para se tornar herói, ele precisa se importar. O Homem-Aranha, quando recebeu os poderes, se importava apenas em realizar os próprios sonhos. Mas quando sentiu na pele a necessidade de um povo, decidiu lutar para protegê-lo.

Isso já basta se você quer um herói popular, mas descartável. Mas isso não é o suficiente para definir o herói brasileiro. Com um bom herói, a HQ nacional pode ganhar uma boa revista. Mas os quadrinhos precisam de mais do que apenas um herói para sobreviverem a longo prazo. Precisam de um mito. Assim, poderão surgir diversos heróis, em diversas formas e variações, baseados no mesmo mito.

Para se tornar um mito, o herói precisa fazer parte do inconsciente coletivo. Vamos usar como exemplo o herói japonês. A grande maioria desses heróis são baseados em conceitos milenares daquela cultura. Esses conceitos, por sua vez, são baseados em valores de honra, coragem, lealdade, fidelidade e bravura. São conceitos samurais.

O samurai é uma figura mitológica no Japão; isso não significa que esse mito nunca existiu, mas também não significa necessariamente que existiu. Nesse caso específico, os samurais existiram, mas o que realmente ficou no inconsciente coletivo foi uma imagem fantástica e idealista do samurai – a imagem que o povo japonês precisava para suprir suas necessidades.

Dessa forma, os autores têm a sua disposição um conceito, uma imagem, um mito no qual podem se basear seguramente, confiantes de que seu herói, estando dentro desse conceito, será aceito nessa cultura. E devido ao fato do mito do Samurai estar cada vez mais se tornando parte também do inconsciente coletivo do mundo ocidental, esses heróis, seus valores e feitos estão sendo aceitos deste lado do globo.

Mas e o herói brasileiro? E o mito nacional? Já o temos a nosso dispor ou precisamos construí-lo?

Alguns acreditam que os mitos estão nos folclores, outros defendem que nossos heróis estão no nosso passado, na figura de revolucionários como Tiradentes e Lampião. Eu não apóio e nem descarto essas possibilidades. Mas precisamos entender que os folclores vieram de uma cultura totalmente diversa da que vivemos hoje em dia (indígena e africana), portanto não se encaixam no mundo moderno e em suas necessidades. E os ditos heróis do passado não lutaram por algo que precisemos hoje em dia.

Então o que se pode fazer, se é que queremos usar essas duas opções, é reciclá-las de acordo com o Brasil de hoje, com o povo que está aí esperando por um herói para suas próprias necessidades. Podemos retirar os valores destas figuras que são aproveitáveis nos dias de hoje e criar um folclore moderno ou uma neorrevolução. O brasileiro nunca se importou com o passado, e não é com uma aula de História nacional em quadrinhos que ele vai passar a se importar. O que importa para o leitor é o Hoje, o Agora.

Como foi dito no artigo anterior, observe os arquétipos à sua volta, os tipos de pessoas que existem aqui. São muitos. O herói brasileiro, para ser brasileiro, precisa ser um deles. E para ter um público amplo, precisa ser um brasileiro comum. Um brasileiro que pode ser eu ou você ou seu vizinho. Precisa enxergar o Brasil tal como ele é e se importar a ponto de realizar feitos heróicos.

Se isso será feito metaforicamente ou explicitamente, é com você. É aí que entra a idéia da história, assunto que foi tratado nos artigos anteriores. Não adianta usar temas que só a você interessa ou que de acordo com sua opinião, deveria ser de interesse de todo o povo. Isso resultará em fracasso imediato. Sua idéia precisa se basear naquilo que REALMENTE interessa ao povo brasileiro. Mas não seja óbvio demais a ponto de colocar carnaval e futebol. Existem coisas que o povo se interessa e nem sabe disso. Descubra. Depois, quando tiver compreendido e criado seu universo baseado no interesse e necessidade do povo, você insere o ingrediente final: o seu toque, sua identidade, seu recado.

E não se esqueça nunca de qual é seu público. São pessoas, seres humanos, brasileiros. Entender isso na sua essência faz toda a diferença.

Comics Livres
http://comicslivres.wordpress.com/

Mangá do Studio Seasons na Neo Tokyo

O Studio Seasons informa que sua nova série “Zucker” estreará na revista Neo Tokyo nº 43. É uma história em estilo shoujo composta de onze capítulos, que se passa no sul do Brasil e conta como a jovem Dora Zuckermann herda a confeitaria de sua avó, Greta, juntamente com alguns de seus segredos.

Os capítulos da série são em três páginas e foram preparados exclusivamente para a revista Neo Tokyo, utilizando o mesmo conceito de mangás feitos sob encomenda da NewType japonesa. O roteiro é de Montserrat e a arte de Simone Beatriz.

Por: Anime Pró

Divulgação: Cometa e Grandes Encontros

Produção nacional.
O responsável é Samicler Gonçalves.
Aos interessados o material pode ser conseguido tanto em lojas especializadas quanto por e-mail.

Em Defesa dos Roteiristas de Quadrinhos


Na época do lançamento da graphic novel Mulher diaba no rastro de Lampião, um jornalista especializado da Folha de São Paulo entrevistou o desenhista Flávio Colin e perguntou se ele havia pesquisado literatura de cordel para escrever a história. O entrevistador ignorou completamente que a história havia sido escrita pelo roteirista Ataíde Brás, que pesquisou profundamente o cordel e fez nesse trabalho o que seria sua obra-prima.

O caso mostra bem a forma como os roteiristas têm sido vistos no Brasil por jornalistas, editores e fãs. Em Macapá existe um rapaz que dá aula de quadrinhos nas quais ensina que, para escrever uma HQ, não é necessário ter qualquer tipo de preparo intelectual... basta saber desenhar. Suas opiniões não são uma anomalia, mas, ao contrário, expressam uma opinião dominante.

Quando a Tiazinha começou a fazer sucesso e surgiu a proposta de fazer um programa de TV exclusivo para ela, alguém teve a idéia de colocar no programa elementos dos gibis. Para que isso acontecesse, chamaram para fazer o roteiro... um desenhista de quadrinhos. O resultado vergonhoso todos nós vimos: uma história sem pé nem cabeça que fez os fãs terem saudades da época em que a Tiazinha apenas desfilava com lingiere e depilava a perna de marmanjos.

A importância dos roteiristas, em outros países, é mais do que provada. Alguns roteiristas, como Goscinny, Stan Lee e Alan Moore tornaram-se estrelas, de modo que seus nomes na capa conseguem, por si só, garantir as vendas de uma revista. Neil Gaiman mostrou, em Sandman, que uma revista podia vender muito bem mesmo sem ter desenhistas talentosos. Os primeiros ilustradores de Sandman eram, no máximo, competentes, mas mesmo assim a revista chegou a vender tanto quanto a do Superman.


O lançamento de obras desses roteiristas costumam ser acompanhadas, no Brasil, de grande divulgação. É comum dar mais destaque ao roteirista que ao desenhista. Mas esses mesmos editores e jornalistas têm uma visão diferente quando se trata do roteirista nacional. Um editor me confidenciou, certa vez, que, se pudesse, publicaria apenas histórias sem texto, apenas com desenhos, pois o roteiro, para ele, era irrelevante. Isso acaba se refletindo até mesmo nos créditos. Quando a graphic gótica A hora do crepúsculo foi lançada, o texto da capa dizia: Texto e desenhos de Bené Nascimento. No miolo, todas as histórias tinham roteiro meu.

Quando a história "Siren" foi lançada na coletânea Brazilian Heavy Metal, os editores simplesmente esqueceram de me creditar como roteirista.

Recentemente foi lançado um álbum com histórias minhas. O material promocional citava apenas o nome do desenhista e nenhum dos jornalistas que resenhou a obra percebeu que várias das histórias publicadas não tinham sido escritas por ele.

À falta de reconhecimento alia-se os problemas com desenhistas. Todo roteirista tem uma quantidade enorme de roteiros escritos e nunca aproveitados porque os desenhistas simplesmente abandonaram o barco. A situação é pior quando os personagens foram criados pelo desenhista, o que torna impossível apresentá-los a outro artista.

Tenho mais de mil páginas escritas e que nunca serão aproveitadas. O tempo gasto na produção desses roteiros dava para fazer uns três romances. O sistema das editoras brasileiras, de aceitar apenas projetos prontos, privilegia os desenhistas-escritores e torna quase impossível para o roteirista apresentar projetos.

Em países nos quais a editora compra o roteiro e contrata um desenhista para ilustrá-lo, isso permitiu o surgimento de ótimos roteiristas.Em todos os países do mundo em que os quadrinhos apresentaram um grande desenvolvimento, há a figura central de roteiristas. Na Argentina, os quadrinhos se estruturaram a partir do roterista Héctor Germán Oesterheld, ganhando não só reconhecimento popular, como os aplausos da crítica. Na França, Goscinny (Asterix) e Charlier (Blueberry) elevaram os quadrinhos ao mesmo nível da literatura.

Nos EUA, Stan Lee criou o fenômeno Marvel, com personagens como Homem-Aranha e X-Men, que hoje rendem fortunas para Hollywood. Lá, a reclamação é exatamente oposta: os desenhistas, como Jack Kirby e Steve Ditko, reclamam que seus nomes não tiveram tanto destaque quanto o de Stan Lee. Na Itália, os Bonelli (pai e filho, ambos ótimos roteiristas) transformaram o fumetti em um fenômeno cultural. No Brasil, nenhum roteirista jamais se destacou. Seria por falta de qualidade?

O escritor Júlio Emílio Braz, após deixar os quadrinhos, dedicou-se apenas à literatura juvenil, ganhou o prêmio Jabuti e hoje é um dos escritores de paradidáticos mais requisitados do país. Outros foram para a publicidade, para o jornalismo, e se destacaram nessas áreas. Mais cedo ou mais tarde, os roteiristas vão abandonando o gênero e se dedicando a outras áreas. Eles o fazem após constatar uma verdade triste: fazer quadrinhos no Brasil é coisa de quem sabe desenhar. E só. Não há espaço para roteiristas.

por Gian Danton/Ivan Carlo
http://roteiroquadrinhos.blogspot.com/

Qual é a Personalidade do Super Brasileiro?

“É possível fazer um super-herói que reflita a alma brasileira?”

Esta foi uma pergunta de um aluno do Projeto Mamute e confesso que não tive uma resposta concreta ou definitiva acerca do assunto. Afinal, o termo super-herói é, de fato, um termo associado aos comics americanos e, portanto, automaticamente nós vamos associar o nosso super-herói brasileiro a algum Homem-Aranha ou Super-Homem. Ou será que não?

Apesar dos super-heróis terem surgido de fato nos comics em 1938 nas mãos dos criadores Jerry Siegel e Joe Shuster na figura do Super-Homem, o Brasil tem vários personagens que possuem poderes e podem, por que não, serem considerados super-seróis brasileiros. Só para mencionar alguns deles, o Capitão 7, criado em 1954 por Rubem Biáfora, tem uma importância ímpar para os meios de comunicação no Brasil: é a primeira série brasileira feita com o tema super-herói. Os responsáveis pela adaptação do personagem para os quadrinhos foram Jayme Cortez e Júlio Shimamoto, pela editora Continental/Outubro. Era um personagem com todos os preceitos de um super-herói: identidade secreta, super poderes e capa, entre outros, apetrechos clássicos dos comics. Atualmente, Danyael Lopes vem realizando um trabalho de revitalização do personagem. Na internet, duas partes da HQ, com um total de 23 páginas, estão disponíveis para download (em PDF) no site Retrografia, onde também pode ser encontrado um perfil do Capitão 7; o Arquivo Secreto, com fotos e capas de edições da revista em quadrinhos; e A História do Personagem. (Confira a matéria publicada aqui no Bigorna.net)

Em 1966, Gedeone Malagola criou o personagem chamado Raio Negro. Ele é o piloto da FAB, o tenente Roberto Sales, que em sua primeira missão secreta em vôo orbital, encontra um disco voador avariado, original do planeta Saturno e, ao salvar seu ocupante da morte, recebe em agradecimento um anel magnético que o transforma em um super-herói: o poderoso Raio Negro! Que só tem poderes em defesa da justiça. Vale lembrar que quando Raio Negro foi lançado, os leitores brasileiros ainda não conheciam os hoje famosos X-Men. Segundo Franco de Rosa, “As aventuras do Raio Negro não eram confusas como as de Superman, cômicas como as de Batman, nem dramáticas como as da Marvel - estilos que predominavam na época. Raio Negro apresentava maior influência da narrativa fictícia dos seriados cinematográficos dos anos 40 como Buck Rogers, Flash Gordon e Homem-Foguete, que Gedeone assistia quando criança”.

O Gralha é um caso a parte nos quadrinhos nacionais: é uma releitura do Capitão Gralha de Francisco Iwerten, criado no início dos anos 1940. Em 1997, o Gralha reaparece como um herói curitibano, cujo alter ego é o jovem estudante Gustavo Gomes, que enfrenta, entre outros, inimigos inusitados como Araucária, Café Expresso, Bagre Humano em uma Curitiba idealizada e transformada em uma Megalópole. Apesar de possuir todos os clichês dos super-heróis convencionais como identidade secreta, poderes e deveres, sua interpretação é bastante original, já que são vários artistas que trabalham com as histórias do Gralha. Entre estes artistas, podemos destacar Alessandro Dutra, Gian Danton e José Aguiar, variando estilos, narrativas e até mesmo a forma básica do Gralha, passando de um herói extremamente musculoso a um personagem baixinho e gordinho. Publicadas semanalmente desde setembro de 1988 no jornal A Gazeta do Povo, o Gralha já teve uma publicação especial pela editora Metal Pesado, Via Lettera e até virou filme.

Simacnot é uma criança mandada para Terra por sua mãe, a Rainha Silena no intuito de protegê-lo de um planeta dominado por mulheres. Aqui no Brasil foi encontrado por cientistas que desenvolveram seus poderes e, após uma fuga, ele adota o nome Marcelo Vasconcelos e acaba trabalhando para o governo sob a alcunha de o Cometa. Cometa é um personagem criado por Samicler Gonçalves e tem todos os clichês necessários para ser considerado uma cópia de um Super-Homem, mas o personagem nada mais é do que um super-herói e seu embasamento não poderia ser diferente. Todas as origens de heróis e super-heróis já foram inventadas. Todos os tipos de poderes, uniformes, fraquezas... o que faz o Cometa ser original está em sua personalidade, no seu modo de resolver os problemas. Uma coisa muito importante que o Samicler vem fazendo é trazer em cada edição personagens de diversos criadores. Isso gera novas opções de leitura e identificação com o leitor.

São inúmeros os super-heróis que poderia citar aqui neste artigo: Mylar (Eugênio Colonnese), Ultrax (E.C. Nickel), Judoka (Floriano Hermeto e outros), Escorpião (Wilson Fernandes), e Velta (Emir Ribeiro), entre outros tantos, mas eu não estaria respondendo a pergunta inicial: qual é a personalidade do super-herói brasileiro? Apesar do termo super-herói ter surgido com os comics, os preceitos, virtudes e características psicológicas são universais, ou seja, o super-herói brasileiro vai ter o senso de justiça, de preservação da espécie, da doação - até da própria vida - para poder salvar o planeta, assim como um super-herói americano, japonês ou de qualquer parte do mundo. O que pode diferenciar o super-herói brasileiro dos outros está na forma como o super-herói é encarado por nós mesmos, enquanto leitores e criadores de super-heróis, por exemplo. Ao contrário de um Super-Homem, cujo sua importância é de um ícone cultural americano, o super-herói brasileiro tem como função propiciar boas histórias e criticar, de maneira despretensiosa, a própria figura do super-herói em uma sociedade.

Concluindo: é possível fazer um super-herói brasileiro, com personalidade brasileira, mesmo se baseando em clichês clássicos, pois independente de origem, roupa ou poderes, o que conta é como o autor conta essa história e é exatamente isso que vai fazer o super-herói, alien ou não, ter uma personalidade brasileira.

Por Alberto Pessoa*
04/10/2006

http://www.bigorna.net/

Supers BR - Eu Apoio Essa Idéia


Editora Savana: nova editora de mangás

Por: Anime Pró - 10/08/2009

Fazendo companhia para as já atuantes JBC, Panini Comics, NewPOP, Conrad e Zarabatana, mais uma editora chega ao país lançando mangás. A Editora Savana, segundo seu site oficial, entrou no mercado brasileiro para revolucionar a edição de mangás e manhwas, com um padrão de qualidade muito acima da média e um preço abaixo de muitos títulos do mercado nacional.

Seus primeiros títulos, com previsão para Setembro, são os três a seguir e, além disso, anuncia o lançamento de outra série coreana para breve, trata-se de Jack Frost:

Aflame Inferno
Muita ação, aventura e sutiãs tamanho GG. Realmente tudo o que a gente queria!!!

Autor: Im Dal Young – Artista: Kim Kwang Hyun
Formato: 13cm x 18cm / Páginas: 192
Preço: R$ 10,90
Genero: Ação, aventura, sobrenatural e romance.
5 volumes – ainda em andamento na Coréia

Unordinary Life
Um sonho, uma amizade e uma história de superação...

Autor: Yukari Yashiki
Formato 13 x 18 cm / Páginas: 192
Preço: R$10,90
Gênero: Romance, vida escolar
2 volumes

Tokyo Toy Box
Em uma empresa que cria jogos o que não faltam são situações fora do cotidiano normal.

Autor: Ozawa Takahiro e Seo Asako
Formato 13 x 18 cm
Preço: R$10,90
Gênero: Comédia, drama
2 volumes

Novos Mangás da NewPOP Editora

Em seu estande no Anime Friends 2009, a NewPOP Editora entregou um folhetinho com seus mangás e lançamentos futuros. Se você não esteve presente no evento, confira abaixo a lista das séries que ainda serão lançadas pela editora.

HANSEL & GRETEL
Ulisses Perez e Douglas MCT
3 Volumes

Conta a história de dois irmãos gêmeos albinos, com um passado trágico, de onde saíram mutilados, vítimas de atos canibais, em busca do pai na industrial metrópole de Echtra. Em suas desventuras, eles se deparam com uma garotinha acusada por um homicídio culposo; a apresentadora de um Circo de Horrores; uma dançarina de cabaré mal-humorada; um Mercenário arqueiro e um felino humanóide disposto a protegê-los a qualquer custo! Paralelamente ocorre a trama de uma jovem perturbada e um nefilin disposto a matá-los por propósitos mais complexos do que se aparenta.

OS CAÇA FANTASMAS
Vários Autores
Volume Único

Eles mesmos! Pete, Egon, Ray, Winston e, é claro, a secretária Janine e o indefectível Geleia, reinterpretados por uma nova geração de artistas. Nessa coleção de histórias, veremos os nossos bons e velhos Caça-Fantasmas novamente em ação contra todo tipo de criatura sobrenatural que ousar meter as mãos em Nova York! Se você é um fã das antigas, você não pode perder – e se você jamais assistiu ao filme ou ao desenho animado, esse é o momento perfeito para começar!

KANPAI!
Maki Murakami
2 Volumes (em andamento)

Yamada Shintaro é um garoto que defende os monstros da humanidade – porque de tanto se verem derrotados pelos humanos, eles acabaram por se tornar uma espécie em extinção. Tudo o que ele precisa é vencer 300 exorcistas para que possa garantir uma licença temporária como Guardião de Monstros. Tudo ia muito bem até o momento em que, fetichista que só, se apaixona pela NUCA de uma menina, passando a grudar no seu pé e tornando a coitada um ímã de criaturas perigosas…

EL-ALAMEIN
Yukinobu Hoshino
Volume Único

Yukinobu Hoshino é um dos maiores quadrinistas de ficção científica japoneses – autor de clássicos como 2001 Nights e As Duas Faces do Amanhã – e El-Alamein é sua primeira obra a chegar ao Brasil! Aqui, ele mostra uma visão única da II Grande Guerra, em histórias fechadas como “O Leão do Mar”, “As águias e a fortaleza” e a obra que intitula o livro, “O Templo de El-Alamein”, remetendo à batalha decisiva que marcou o início da vitória dos aliados no norte da África em 1942. Um quadrinho obrigatório!


SAVE THE QUEEN
Suzuki Yuka e Mori Hiroshi
Volume Único

Século XXII. Michiru Saeba e seu parceiro se perderam no deserto... e descobrem uma cidade onde tudo lhes parece estranho. Modos de agir e de pensar diferentes, legislação e arquitetura incomuns – Tudo indica a utopia de uma civilização perfeita, aonde o crime e o mal não existem. Mas o que se esconde por trás destas aparências – e até que ponto o que eles estão vendo é real? Uma mangá que, via metáfora, levanta questionamentos sobre o Japão moderno.

Tarot Café Novel
Chandra Rooney e Sang-Sun Park
Volume Único

Depois do sucesso do manhwa (mangá coreano), os leitores poderão acompanhar o romance “Tarot Café - The Wild Hunt”, que mostra outras histórias de Pamela e seus clientes, com a engraçada participação de Aaron, além da presença discreta de Belus ainda no clima de mistério que o cercava nos primeiros volumes do manhwa. Os leitores poderão acompanhar de bônus uma nova história da desenhista Sang-Sun Park.


Shinshoku Kiss
Kazuko Higashiyama
2 volumes

Da mesma autora do mangá Tactics, vem uma história nova e emocionante cheia de belas moças e rapazes, magia, e espíritos encantados que cairão nas graças dos fãs de contos de fadas. Kotoko Kashiwagi, uma jovem aspirante a fabricante de bonecas, é amaldiçoada por um beijo: ela terá que fabricar bonecas que serão creditadas ao maior fabricante do mundo, conhecido como “Tolo”; caso contrário, ela envelhecerá prematuramente. Conseguirá ela escapar de sua maldição?

Needless Anime

O manga Needless de comédia e ação de Imai Kami ganhou sua série animada de tv produzida pelo estúdio Madhouse (Hajime no Ippo, Death Note). Ele está produzido pelo diretor Sakoi Masayuki (Maid-guy, Kaibutsu Oujo), pelo roteirista Nishizono Satoro (Zoid Genesis) e pelo desenhista Katou Hiromi (Azumanga Daioh The Animation). Segundo o site do autor, o anime terá cerca de 20 episódios e tratará até o 7º volume do manga.
Veja a abertura deste anime que promete.


Mais OVAs de To Love-ru

A série OVA de To Love-ru, prevista para terminar no terceiro volume, continuará com uma nova série de três episódios. Novamente, os episódios serão vendidos junto dos próximos volumes do manga de To Love-ru, começando no volume 16, com previsão para 11/2009, indo até o 18.
O terceiro episódio da primeira série está ainda para ser lançado no dia 4 de agosto de 2009. O palco deste episódio será uma praia isolada e promete mostrar o "maior oppai" da série.

SCARIUM 25: ESPECIAL MULHERES


Uma edição de homenagem às mulheres? Não é bem assim! Afinal, uma revista carregada de homenagens também não combina muito com o horror. Então, que tal falarmos apenas de mulheres? Mulheres sombrias, bruxas, fantasmas, guerreiras, mocinhas, dondocas etc... Foi assim que surgiu mais uma edição com o "modo Scarium de ser".

Demos liberdade aos autores para escreverem sobre o tema, e o único requisito era que fosse um conto de horror e - que contasse uma história de mulheres, claro! Essa interessante miscelânea de estilos e formas resultou na edição nº25 da Scarium Megazine, entregue ainda a tempo de comemorar os 7 anos de história da Scarium!

Giulia Moon, que publica o seu primeiro trabalho em quadrinhos, coordenou mais esta edição de Horror. A bela garota da capa foi criação de Alexandre Lancaster. As meninas foram representadas por Nilza Amaral, Regina Drummond, Martha Argel, Cristina Lasaitis e Ana Cristina Rodrigues. Os meninos por Nelson Magrini, Richard Diegues, Mario Carneiro, Marcelo Augusto Galvão, Ademir Pascale e Marco Bourguignon.

Capa de Alexandre Lancaster.

70 páginas
Edição 25 - Vários Autores Páginas: 70 Formato: 13,5 x 20 cm

Adquira a sua em : Scarium Loja On Line

Gourmet

"Você não conhece praticamente nada sobre ele. Sabe que trabalha com comércio, mas não é o típico vendedor apressado. Sabe que gosta de mulheres, mas prefere viver sozinho. Sabe que é um apreciador da boa cozinha, mas reconhece e valoriza a comida simples dos bairros".

"Dezoito pratos, dezoito lugares diferentes. A cada capítulo, o personagem principal experimenta um prato tipicamente japonês e traz à tona lembranças perdidas e encontros furtivos, enquanto aproveita os pequenos instantes de descanso solitário para saborear sua refeição".

Este é o mote de Gourmet (volume único, formato 14 x 21 cm, 200 páginas, R$ 26,90), de Jiro Taniguchi e Masayuki Kusumi, novo mangá da Conrad Editora.

A Editora disponibilizou um preview online para aqueles que não sabem se vale a pena comprar Gourmet. [ e acreditem vale muito a pena]. O preview pode ser lidos aqui.

Jiro Taniguchi nasceu em Tottori, no Japão, em 1947, e foi o primeiro japonês a ser premiado no festival de Angoulême. Masayuki Kusumi nasceu em Tóquio, no Japão, em 1958. Ensaísta, desenhista e roteirista de mangás, ele ainda atua como designer, capista e músico.



A obra já está à venda.

GRIMMS MANGÁ: NOVAS HISTÓRIAS


Depois do sucesso na primeira adaptação, leitores de diversos países pediram e Kei Ichiyama presenteia a todos com uma nova edição do mangá baseado nas obras dos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm.
Em Grimms Mangá – Novas Histórias, Kei Ishiyama volta a se apresentar com quatro novas e inusitadas interpretações saídas diretamente das fábulas dos Irmãos Grimm!
Branca de Neve e o caçula dos sete anões formam uma dupla que é pura ternura e numa adaptação livre da famosa história do Sapo Rei, a artista nos prepara uma grande surpresa mostrando que o amor pode superar qualquer obstáculo.
Muitas aventuras com o atrevido – e cativante – Gato de Botas e ainda, muito romance com o casal de A Bela e a Fera que, com a ajuda de uma andorinha cantante, finalmente pode viver uma grande história de amor.
Desenhos fantásticos, emoção, risos e corações palpitantes: não há modo mais bonito de contar essas histórias... [Tentei comprar o 1º volume num evento local mas estava esgotado - de acordo com o lojista - agora não sei se compro via loja da animepro ou espero sair o 2º volume assim compro os dois ao mesmo tempo, de qualquer forma vou adquirir esta obra mais do que recomendada]


OS IRMÃOS GRIMM
O sobrenome Grimm, que dá o título ao mangá, faz referência aos dois irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm, que no início do século XIX coletaram mais de uma centena de histórias populares do seu país, antes passadas pela tradição oral. Os textos reunidos por eles, hoje, são conhecidos como Os Contos dos irmãos Grimm. Alguns são bem conhecidos por nós e fazem parte da nossa cultura, como Cinderela e Branca de Neve e os Sete Anões.
Os irmãos Grimm, que sempre viveram e trabalharam juntos, são referência para a literatura universal – e não apenas para os alemães ao contribuírem para a preservação e difusão da tradição alemã e da gramática. Afinal, quem de nós pode dizer que nunca leu ou conheceu um de seus contos?


Ranma ½ e DNA² novos mangás da JBC

Depois de 112 edições de Inuyasha, a editora traz ao Brasil, pela primeira vez no formato original e por completo, Ranma 1/2, mangá da mesma Rumiko Takahashi que é um sucesso no mundo inteiro. O mangá conta a história de Ranma Saotome e Akane Tendo. Os dois ficaram noivos por decisão dos pais, que querem manter o legado de uma academia. Mas Ranma tem um pequeno probleminha... quando ele é molhado com água fria, ele se torna uma mulher. [Ranma teve uma conturbada publicação pela animanga nos anos 90 onde se usou a versão da Viz. Agora espero que ele seja finalmente concluido - assim posso fechar minha coleção - e resta saber se virá a versão original o a da Viz]


Já o outro mangá revelado é DNA², do Masakazu Katsura (mesmo autor de Vídeo Girl Ai). O mangá conta a história de Junta Momonari, um garoto que tem o problema de vomitar quando está excitado. Mas aparece uma moça vinda do futuro para modificar o código de DNA dele. Por quê? Porque no futuro ele vai desenvolver o DNA conhecido como Mega-Playboy e vai engravidar mulheres a ponto de aumentar e muito a população mundial. [Não sou um dos maiores fans do Katsura, mas dentre as obras dele que conheço DNA² é a que mais me chama a atenção - apesar do personagem principal]

Reativando o Blog!







O HAREM ESPACIAL - PARTE III

Ao contrário da porta do harém, esta porta ao se abrir não fez barulho. Alesia avançou dois passos e a porta fechou automaticamente atrás de si: finalmente estava nos aposentos do regente de Eta-Vërefgn IV. A elfa vestia-se, como uma odalisca, com véus de seda galaadita transparente, que nada ocultavam. Olhou para todas as direções naquele mar de véus, lâmpadas e almofadas, mas não viu ninguém. Então avançou.

- Não continue. Fique ai mesmo princesa!

Mais curiosa que assustada Alesia olhou em volta procurando a origem daquela voz. Nada encontrou. Era como se a mesma viesse de todos os lados. Certamente o regente estava fazendo-se valer de um sistema de som para impressioná-la.

- Princesa?! - disse por fim - Engraçado, faz tempo que não sou chamada assim. Aliás, isso quer dizer que sabe quem sou e se sabe quem sou, também sabe que estou aqui contra minha vontade e que meu pai deve ser contatado e um preço estipulado pelo meu resgate!

- Quem disse que quero um resgate por você Alesia Alaisten, de Manasses. O que quero é que seja minha rainha.

+++++

- De acordo com o mapa, devemos estar no andar logo abaixo de onde ficam os aposentos do regente - Feenah olhava para a tela do palm-top que exibia o mapa do complexo - Devemos avançar com mais calma. Pode ser que encontremos guardas humanos neste andar...

- Não se preocupe. Se aparecer algum, a gente desvia ou enfrenta. E quanto a estes homens de lata, esta belezinha - Larrar deu três tapinhas no aparelho preso à cintura - Deixa-os mais cegos do que morcegos rhotundijins...

Como a maioria dos déspotas, o regente de Eta-Vërefgn IV não confiava em seres vivos, então delegava a maioria das funções de seu palácio a robôs. Facilitando, assim, o avanço dos dois companheiros.

Feenah deu de ombros e o acompanhou. Avançaram alguns metros e pararam. Haviam percebido que há frente encontravam-se dois pares de guardas robôs perfilados de ambos os lados do corredor. Eles seriam obrigados a passar entre eles, se quisessem continuar.

Já haviam estado naquela situação antes. Praticamente todos os corredores possuíam uma dupla de guardas robôs de sentinela. Então avançaram confiantes, ou excessivamente confiantes, e passaram pelos guardas que permaneceram impassíveis.

Alguns passos à frente, Larrar soltou um riso triunfante. Um riso que desapareceu de sua face no mesmo instante, trocado pelo pavor. A luz que piscava intermitentemente no aparelho preso em sua cintura tinha se desligado com um clique seco e maligno. O de Feenah emitiu o mesmo som dois segundos depois. Os olhos dos autômatos moveram-se e enquadraram os dois amigos.

- Alto! Identifique-se! - a voz artificial do homem mecânico ecoou pelo corredor, ao mesmo tempo em que quatro pares de desintegradores eram apontados para o aventureiro - Prepare-se para ter seu DNA checado!

Eles tinham segundos para agir.

Num salto felino, Feenah sacou quatro adagas vibratórias e arremessou contra os dois primeiros guardas. Sua precisão foi perfeita e os homens metálicos cambalearam com suas cabeças perfuradas, antes de caírem pesadamente.

Os dois robôs restantes dispararam, mas já era tarde. Larrar se jogou ao chão e efetuou dois disparos precisos, arrancando a cabeça do guardas.

- Rápido! Vamos para as escadas! - Feenah indicou a porta maciça.

Sem os inibidores eletrônicos, eles haviam atraído a atenção de toda a rede de segurança do palácio. Era questão de segundos até que as primeiras unidades de guardas chegassem até eles. Então, a única saída era se refugiarem nas escadas de incêndio; não porque ali houvesse menos vigilância, mas porque robôs de combate não abrem portas, nem sobem escadas.

Larrar foi o primeiro a entrar, olhando em volta. Era uma simples plataforma metálica com escadas em caracol que desciam e subiam, e que continham alguns engradados empilhados displicentemente. Feenah entrou em seguida e pegou-o pelo braço, arrastando o humano para trás dos engradados. Sabendo que uma das características da raça de Feenah eram os sentidos aguçados, ele deixou-se levar e permaneceu calado.

Segundos se passaram até que duas figuras surgiram. Ficaram surpresos por serem os dois ladrões que haviam entrado com eles no palácio. Cada um carregava um disruptor destravado e exibiam caras de poucos amigos.

- O que eles fazem aqui? A copa ficou alguns andares abaixo - o rapaz sussurrou assim que os dois desapareceram na primeira curva sobre eles.

- O que me intriga não é isso - Feenah levantou-se - Mas o fato de estarem avançando pelas escadas, se os seus inibidores ainda continuam funcionando. Tem algo fedendo, e não são estas caixas...

Trocaram um olhar e confirmaram suas intenções com um balançar de cabeça, antes de começarem a subir.

+++++

Alesia havia se preparado mentalmente para oferecer ao regente aquilo que era esperado de uma concubina; seu corpo. Por esse motivo as palavras de Sem III pegaram-na de surpresa e ela demorou-se alguns segundos para se recuperar.

- E o que lhe leva a crer que eu queira desposar um déspota assassino como você?

O silencio imperou por mais alguns segundos até que um vulto surgiu atrás dos véus. Era um homem de mais ou menos trinta anos com a pele curtida de sol e músculos definidos. Leila sorriu; entendia do porque das outras garotas não quererem abandonar o harém.

- Déspota? - o regente avançou, retribuindo o sorriso - Pode ser; muito do que faço poderia ser chamado de despotismo, principalmente por meus inimigos. Mas, assassino? Acho que não! Se tirei a vida de alguém foi porque era inimigo do Estado e somente fiz o que um regente deveria fazer!

- Desde quando o assassinato de inocentes faz parte das atribuições de um regente?!

Sem III soltou uma gargalhada de puro deboche.

- Você está falando de Hanlder? Não, princesa, aquele velho matreiro pode ser tudo menos inocente. Ele era o membro mais influente das antigas oligarquias que mandavam e desmandavam neste mundo. E como tal sentiu-se prejudicado quando extingui a servidão nos campos e confisquei terras para a reforma agrária. Não tive outra escolha a não ser exilá-lo. Principalmente depois que descobri seu envolvimento numa tentativa de me assassinar. Mesmo assim ele continuava maquinando, muito do que se fala nas estrelas sobre mim foi espalhado por ele. Por fim não tive outra escolha a não ser declará-lo inimigo do estado!

- Então pode eliminá-lo com a consciência limpa, não é?

- Princesa. Você é uma nobre. De uma das casas mais tradicionais de todo o braço galáctico! Verdadeiramente eu admiro sua linhagem. E é por causa desta admiração que resolvi mudar a sorte de meu povo! Quero dar a eles um lugar na galáxia. Um lugar na história. Mas para que se possa realizar este sonho devo, primeiramente, substituir a velha ordem pela nova!

- É por isso que quer minha mão? Acha que ao se tornar parente da casa real de Manasses, você poderá desafiar seu suserano, ou seja, Betânia? Infelizmente, sinto em dizer que nunca desposaria aquele que é o assassino de meus amigos.

- Seus amigos? - Sem III fez uma expressão de que tentava se lembrar de algo sem importância.

- Você se refere a basteth e o rapaz? Achei que eles fossem asseclas de Hanlder. Aliás, achei que todos vocês estivessem com aquele cabeça dura! Você só está aqui porque um de meus oficiais achou-a suficientemente atraente para meu harém.

- Não sei se me sinto lisonjeada – Alesia fez uma mesura - Ou enojada!

- De qualquer forma: somente depois que você chegou é que descobri quem era.

O regente se aproximou. Suas mãos pousaram, ternamente, nos ombros de Leila.

- Sei que não vai adiantar, mas sinto muito. Se soubesse que você era quem é, e que eles eram seus amigos, teria poupado a todos. Desde que sucedi meu pai tenho sido rodeado por maquinações. Acho que tudo isso acabou me deixando um pouco paranóico.

Seus olhos se cruzaram e Alesia sentiu uma profunda solidão refletida neles. Seria aquela a tão falada “solidão do poder” que seu pai dizia? Ela sentiu vontade de tocá-lo. De confortá-lo.

- Alteza eu...

Um baque seco escancarou as portas. Duas figuras avançaram com os disruptores em riste.

- Sem III! - um dos homens gritou - Em nome do povo etavërefgense viemos cumprir a sentença justa pela morte de Hanlder Burenmdenher !

Então apertou o gatilho.

Num ato reflexo Alesia levantou a mão espalmada. Sem III pôde sentir o calor em suas costas quando o raio mortal chocou-se contra uma parede invisível e se desmanchou. Os atacantes entreolharam-se desconcertados e dispararam furiosamente seus disruptores, mas todos os disparos tiveram o mesmo destino do primeiro. Palavras de escárnio e maldizeres foram proferidas. A elfa foi chamada por nomes que fariam uma puta de mineradores ruborizar.

- Mas o que está acontecendo? - Sem III perguntou, se aproximando ainda mais de Alesia - É você que está gerando este campo?

- É apenas uma técnica que aprendi em meu mundo natal! Agora fique quieto porque preciso manter a concentração! - o suor começava a umedecer suas têmporas indicando que o esforço estava sendo excessivo - Onde estão os malditos robôs?

Como que atendendo ao seu pedido, os atacantes voltaram-se rapidamente na direção do corredor e começaram a disparar freneticamente. Um ato inútil, pois foram abatidos em segundos. E assim, sob o disparo certeiro das armas, terminava mais uma tentativa de assassinar o regente. Percebendo que o perigo passara, Alesia desfaz o campo e deixa-se cair, respirando pesadamente.

- Onde este universo vai parar? Não se pode confiar mais nem em ladrões!

Ela voltou-se imediatamente para a porta; acabara de ouvir o som de uma voz que imaginara estar calada para sempre. Seu coração disparou, pois sob o arco da porta estavam dois fantasmas, ou pelo menos assim ela os considerou por alguns segundos. Eles olhavam surpresos para a cena que tinham à sua frente.

- Larrar? Feenah? Mas... - gaguejou.

- Ah! Oi, Alesia... - Feenah acenou, displicente.

Esquecendo-se do cansaço ela correu na direção de seus amigos, jogando-se em seus braços. As lágrimas escorriam caudalosas pelas bochechas. Ela os abraçava fortemente e beijava-os compulsivamente. Larrar e afastou os braços da princesa e caminhou na direção do regente.

- Larrar?! - Alesia perguntou surpresa.

O golpe foi tão rápido que quando o regente percebeu já estava no chão. Seus lábios sangravam, o maxilar doía e a visão turvava.

- Isto é por ter tentado nos matar! - o rapaz gritou sacudindo ameaçadoramente o punho ainda fechado -E, o que pretendia fazer com minha amiga? Seu safado, pervertido!

- Nããoo! - Sandra gritou segurando o amigo pela cintura - Não faça isso Larrar! Você não deve tocar nele! Um rei não deve ser espancado como um cão sem dono.

- Mas? - ele recuou, sem entender.

- Eu entendo seus atos alteza. Pode parecer estranho, mas os entendo. Deve ser porque também possuo o que chamam de ‘sangue nobre’ mas isso não quer dizer que os aprove. Por este motivo declino de sua proposta. Vamos sair daqui! - Alesia segurou na mão de Larrar puxando-o na direção da porta. Deteve-se ao deparar-se com Singht.

- Não quer reconsiderar princesa? - Sem perguntou - Juntos poríamos Eta-Vërefgn no mapa da galáxia. As garotas ficariam felizes em tê-la como rainha.

Alesia balançou a cabeça negativamente.

- Obrigada, alteza, mas este tipo de vida não é para mim! Apesar de ter nascido princesa sei que nunca seria feliz dentro das paredes de um palácio! Meu pai, apesar de tudo, sabe disso! Singht e as outras, irmãs de meu coração, também sabem e compreendem!

Os olhos de Sem III encontraram-se com os de Singht que meneou a cabeça.

- E sei que o senhor também compreende! – Alesia fez uma mesura - Aqui me despeço. Adeus Alteza. Adeus irmã. Que os deuses galácticos sejam generosos com para o povo de Eta-Vërefgn.

- Adeus irmã! - Singht murmura, dando passagem para a amiga e seus companheiros - Seja feliz com o destino que escolheu!



ENDE

O HARÉM ESPACIAL - PARTE II

Eta-Vërefgn IV foi colonizado ainda durante o exodoo da humanidade, mas, seja por causa de líderes déspotas ou pela índole do povo, exibe apenas resquícios das comodidades modernas, tão comuns nos mundos mais importantes da Dispersão. Vërefgnaria, a capital, é um aglomerado de edificações, com quatro andares, pontilhada por um estádio e alguns palácios cujo esmero arquitetônico contrastava com a monotonia vermelho-cobre das habitações ao redor.

Alesia, não acostumada à perda de entes queridos, chorara até entrar numa espécie de torpor. Só então percebeu que haviam pousado e que ela fora conduzida até um dos palácios, onde teve de esperar em frente a uma ampla porta de duas folhas, ornamentada com arabescos. A porta se abriu automaticamente.

Era uma vasta sala decorada naquele padrão das ilustrações dos livros das mil e uma noites; as pilastras, arabescos e véus estavam por toda parte. Até mesmo havia uma piscina aquecida no centro. A poucos metros diversas mulheres, das mais diversas raças, dedicavam-se a afazeres frívolos. O estrondo, produzido pelo fechar da porta, fez com que todas interrompessem o que estavam fazendo. Seus olhos curiosos caíram sobre a estranha.

- Seja bem-vinda, irmã – uma basteth se aproximou, sorrindo - Sim, querida, é assim que nos tratamos. Porque, assim como nós, você teve a honra de ter sido escolhida para fazer parte do harém de Sem III, regente de Eta-Vërefgn.

Alesia sabia o que era um harém. Eles eram comuns na sociedade élfica, principalmente entre os lordes planetários. Sua própria mãe fez parte de um. Mas saber o que era um harém e tornar-se parte de um eram duas coisas completamente diferentes.

- Venha!- a basteth estendeu a mão ao perceber que ela estava mergulhada na confusão - Deixe que cuidemos de ti.

Ela aceitou e a mulher gato conduziu-a para o centro da sala.

+++++

A cidade amanheceu em polvorosa. Era dia de feira e as ruas estavam lotadas de comerciantes e suas barracas, onde se vendiam produtos de todos os cantos do planeta e além. Decididos a resgatar sua companheira, Larrar e Feenah partiram em direção ao planeta-capital, assim que recuperaram o saveiro, e agora andavam entre os pedestres, completamente incógnitos e mesclados.

Como a presença de não humanos era escassa, a basteth estava envolta em um manto com um capuz que lhe cobria a cabeça, escondendo o rosto e as orelhas de gato. Ela olhava para todos os lados, como se procurasse algo.

Próximo a uma barraca que vendia frutas parecidas com melões, encontrava-se um garoto, que os olhava de soslaio. Quando ela olhou em sua direção, ele pegou um dos melões e ergueu contra o sol. As mangas de sua camisa escorreram e uma tatuagem em forma de serpente se mostrou. Era o que ela procurava.

O pivete abandonou o melão e começou a caminhar. Feenah, para não perdê-lo de vista, puxou Larrar pela camisa e partiu em seu encalço. Entraram num beco e viram-no desaparecer por uma porta que, ao ser aberta, revelava uma escada. Sem muita alternativa, começaram a descer. Após meia hora, se viram numa ampla sala, cercados por vários homens de olhares frios e ameaçadores.

Larrar levou a mão ao disruptor preso em sua cintura.

Nos dias subseqüentes à sua chegada ao planeta, Feenah, com a desaprovação de Larrar, iniciara uma série de furtos. Que se tornavam cada vez mais ousados, na tentativa de contatar a guilda de ladrões local, a única capaz de ajudar-lhes a resgatar Alesia. E eles finalmente haviam conseguido.

- Quem ousa trabalhar em meu território sem pagar a taxa devida a guilda? - indagou o líder, um homem de tez esverdeada e várias cicatrizes pelo rosto.

- Eu! – a basteth respondeu com firmeza, descobrindo a cabeça - Feenah Fhorca, filha de Tulah Fhorca, neta de Nhorah Fhorca, bisneta de Hyj...

O líder levantou a mão e ela calou-se. Suas palavras ecoaram pelas paredes do salão e Larrar jurou que podia ouvir o próprio coração batendo, tamanho o silêncio.

- A que devo tão ilustre presença? - o líder perguntou. Havia deboche em seus olhos.

- Venho até vós para solicitar ajuda para resgatar uma amiga.

- E porque devo ajudá-la, filha de Tulah Fhorca?

- Porque assim dizem as leis inquebrantáveis da Irmandade! - Feenah respondeu, não gostando do tom de desafio da pergunta.

Neste instante, alguém se aproximou do líder e sussurrou algo em seu ouvido. A hostilidade que havia em sua face desapareceu como por encanto. Ele sorriu para Feenah.

- Claro! Claro! Como pude me esquecer das leis da Irmandade? - ele sorriu cinicamente - Todos os ladrões são irmãos, não são?

A basteth fechou a cara.

+++++

Anexo à 'sala das mulheres', existe um jardim suspenso que nada deve aos jardins suspensos dos próprios palácios elficos. É um dos locais mais belos que Alesia já viu, com canteiros pontuados com centenas de variedades de flores, árvores ornamentais e viveiros de pássaros. Era onde ela estava naquele momento, recostada sobre um balcão e olhando o céu cinza-claro de Eta-Vërefgn IV. A doce brisa vespertina brincava com seus cabelos.

Nos primeiros dias Alesia não reparara na beleza daquele lugar, pois tinha apenas um único pensamento: escapar. Várias oportunidades surgiram e se perderam; seja por causa da rígida segurança do palácio ou pela indiferença de suas companheiras.

Longe de ficar aborrecida com o comodismo das moças, ela as compreendia; eram canários que nunca haviam saboreado o doce vento da liberdade e que temiam abandonar sua gaiola dourada por algo incerto. Singht, a jovem basteth que a recepcionara quando fora introduzida no harém, aproximou-se e debruçou sobre o balaústre.

- É tão bom ver Hikari sorrindo - disse após alguns segundos.

Alesia lançou um olhar para a amarna, que alegremente colocava uma tiara de flores na cabeça da garota humana. As duas sempre estavam juntas, e a ela começava a se perguntar se existia algo mais que amizade entre as duas.

- O senhor a encontrou num circo, onde vivia acorrentada e nua com as costas infeccionada por causa de um grotesco implante de asas. Eles viajavam de aldeia em aldeia, exibindo-a como um ser maligno da mitologia humana. Quando a trouxeram, estava tão assustada, tão desesperada, que poucas de nós achamos que fosse se recuperar. E teria realmente, enlouquecido, se não fosse por Key, que sempre a consolou e a aconchegou, nos momentos de maior desespero.

Alesia continuou olhando o horizonte.

- Por que está me contando isso?

- Porquê? Porque sei o que pensas de nós, irmã. Está na forma como nos olha. Pensa que somos pobres coitadas que não conhecem outra vida, a não ser a de servir um homem como dóceis concubinas. Mas não é assim! O caso de Hikari não é uma exceção. Era a realidade de todas nós, até sermos trazidas para este lugar...

A elfa balançou a cabeça e encarou a outra.

- Você não precisa dar explicações para mim, Singht. Aliás, nenhuma de vocês precisa. Mas entenda, eu passei a vida toda fugindo deste tipo de vida! Foi para não me tornar um simples adorno no palácio de alguém que abandonei meu planeta natal...

- Irmã? Irmã Alesia! – a voz de uma das moças, uma elfa pouco mais nova que Alesia, ecoou pelo salão, fazendo com que suas irmãs levantassem os olhares.

- Estou aqui! - Alesia sinalizou sua posição sacudindo o braço levantado - O que se passa?

- Me mandaram avisar que o Senhor vai recebê-la hoje.

+++++

No piso de um dos corredores dos níveis inferiores do palácio existe uma grade que dá acesso para os esgotos da capital. E é exatamente nesta grade que dedos nervosos aparecem e a forçam até que ela se solte, liberando a passagem para quatro figuras soturnas. Feenah foi à última a sair do túnel, ajudada por um dos ladrões que acompanhavam-na naquela incursão. Trocou algumas palavras com eles antes que desaparecessem, deixando-a a sós com o humano.

- Aonde eles vão? Pensei que iam apenas nos colocar dentro palácio...

- Eles são ladrões, Larrar! Disseram que, como já estão aqui, não voltariam de mãos vazias. Na certa, vão roubar alguns talheres de que ninguém achará falta...

- Ladrões, hunf! - o rapaz deu de ombros - E agora?

- Bom, de acordo com o mapa que a guilda nos forneceu, só temos que subir uns 50 andares...

- Cinqüenta?!

Ela balançou a cabeça afirmativamente e conferiu um aparelho que estava preso à cintura; uma luz vermelha piscava intermitente.

- Confira seu inibidor eletrônico também, Larrar. Afinal, não queremos ser pegos antes de acharmos Alesia.

O rapaz conferiu o aparelho que os mantinham invisíveis para os sistemas de vigilância do palácio, antes de começarem a caminhar. Não avançaram dez metros e o som de passos foram ouvidos no corredor. Diante de seus olhos estupefatos, uma dezena de robôs surgiu de uma porta lateral e seguiu na direção dos companheiros. Automaticamente, Larrar levou a mão ao coldre, preparando-se para o pior.

- Não! - Feenah advertiu-o - São apenas robôs operários. Fique fora do caminho deles que nem nos notarão. Para este tipo, não é preciso nem usar um inibidor. Assim dito, ambos grudaram nas paredes e deixaram os robôs passarem. E como dissera a basteth, os homens de lata nem perceberam suas presenças. Mesmo assim, Larrar não deixou de suar.

- Agora, Vamos! - ela indicou o caminho, assim que os robôs desapareceram numa curva - Temos muito que caminhar...

- Cinqüenta andares, ai, ai!

- Olhe pelo lado bom: pelo menos você vai perder esta barriguinha de chope...

- Eu não tenho barriga! - o humano indignou-se.

- Claro... há, há, há!

Continua...

O HARÉM ESPACIAL

PRIMEIRA PARTE

- Duas vezes na mesma semana! Deve ser um novo recorde...

Larrar apenas ouvia as palavras irônicas de Alesia de sua cela, já que não conseguia vê-la. Externamente parecia não se importar, mas sua mente procurava respostas para a atitude da elfa. Ironias não eram do feitio de Alesia, mas era a especialidade da basteth que, alias, estava estranhamente quieta.

Os três amigos eram trabalhadores autônomos que atuavam no segmento de transporte de carga interplanetária. Infelizmente algumas destas cargas eram classificadas como contrabando em alguns planetas da Dispersão. E foi com uma destas cargas que foram pegos por uma patrulha de fronteira. A carga foi imediatamente apreendida e só não tiveram a mesma sorte graças à manha de Feenah.

Endividados, eles se lamentavam numa taverna espacial quando um ancião os contratou para levá-lo de volta a seu mundo natal. O problema era que o planeta estava sob o controle de um déspota que fechara o sistema solar inteiro. Era praticamente impossível entrar ou sair. Mas, a perspectiva de recuperarem o que haviam perdido inibiu qualquer receio.

Infelizmente a sorte resolveu olhar novamente para o outro lado e a astronave emergiu diretamente sob o bojo de uma nave de patrulha. Totalmente dominado o saveiro espacial foi recolhido a bordo. Foram recepcionados por dez guardas robôs que, em questão de segundos, trancafiou-os em selas individuais.

- Oi!

O rapaz deu um salto com o súbito aparecimento de Feenah em frente a sua cela. Ela piscou alegre, ao ver sua cara de espanto. Feenah era uma típica representante de sua raça com olhos maliciosos, orelhas e cauda de gato, corpo lânguido coberto por uma fina penugem castanha clara pontilhada por manchas de tom mais escuro.

- Achou mesmo que uma mísera trava eletrônica me deteria.

Segundos depois, Alesia já estava livre e Larrar retornava após ter inspecionado o bloco de celas.

- seu Hanlder não está em lugar nenhum.

Eles se entreolharam.

+++++

Após tantos anos de exílio Hanlder Burenmdenher precisava voltar urgentemente a Eta-Vërefgn, sua estrela natal. Foi este objetivo que o impulsionou a contratar os livre-cambistas naquela taverna espacial. Não porque eram bons, mas porque pareciam estar desesperados. Por isso, não recusariam sua oferta.

Eles titubearam quando ouviram o destino. A elfa pediu mais e um ou dois pensamentos ignóbeis passaram pela cabeça branca de Hanlder. No fim concordou em pagar o que pediam desde que o levassem para Eta-Vërefgn.

Só não imaginava que fossem idiotas. Porque somente idiotas conseguiriam sair do hiperespaço diretamente sob o bojo de uma nave de patrulha. Hanlder amaldiçoou os três aventureiros por estar atado àquela cadeira com o suor escorrendo de suas têmporas.

O arfar de sua respiração indicava que acabara de receber mais uma descarga da sonda psíquica.

Além dos dois robôs inquisidores que monitoravam a sessão, também havia um homem em farda de oficial que acompanhava tudo com um sorriso irônico no canto da boca.

- Você devia ter aproveitado a chance e ficado bem longe de Eta-Vërefgn, conde...

- Como eu poderia deixar meu planeta na mão de um louco? - o ancião vociferou antes de mergulhar num acesso de tosse.

Os olhos do oficial estreitaram-se e sua testa franziu, irada.

- Louco! Louco! Você ousa chamar de louco aquele que colocara Eta-Vërefgn nos livros de história galáctica. Não. O louco aqui é você, que mesmo tendo a oportunidade de fugir, retorna...

A sonda voltou a se aproximar das têmporas de Hanlder. O ancião sentiu que esta seria a ultima vez. Fechou os olhos e esperou a sonda fritar seu cérebro. Apesar de não ter conseguido libertar seu mundo consolava-se com fato de que a dor acabaria.

Mas o fim não viria desta vez.

A porta deslizou e três disparos certeiros liquidaram os robôs inquisidores e o oficial. Rapidamente, Larrar e Alesia livraram-no das amarras.

- Desculpe a intromissão, mas, temos um acordo com este velho – Feenah dirigiu-se a uma câmera espiã fixada no teto antes de destruí-la.

+++++

O plano era simples. Resgatavam Hanlder, chegavam ao hangar, recuperavam a nave e davam o fora daquele sistema de loucos. Simples na teoria. Mas complicado na prática.

Era como se estivessem há horas correndo pelos corredores, desviando e revidando os disparos dos guardas robôs por isso quando começaram a temer que estivessem perdidos entraram na primeira porta que surgiu a sua frente.

Pararam pasmados. Haviam encontrado o hangar, mas impedindo-os de chegarem ao saveiro estavam cinqüenta guardas robôs.

Não havia como lutar, então recuaram. Infelizmente, o som característico dos desintegradores sendo carregados disse-lhes que o recuo não era uma opção.

Estavam cercados e sem alternativas. Soltaram as armas.

Os robôs abriram passagem para um homem de meia-idade ostentando um uniforme igual ao do homem da sala de interrogatório. Ele sorria zombeteiro.

- Foi muito feio o que fizeram, meus jovens. Suas mães não lhes ensinaram a não interromper os mais velhos? Hunf... não tem problema, eu e meu amigo podemos terminar nossos assuntos agora...".

Três robôs dispararam em Hanlder, que se apoiava no ombro de Larrar, acertando em cheio. Quando sentiu a temperatura do corpo do ancião elevar-se ao extremo, o rapaz o soltou horrorizado.

E, onde segundos antes havia um ser humano, restavam apenas uma nuvem de gás e o fedor de carne queimada que tomava conta do ambiente.

O homem voltou sua atenção para os três. Seus olhos brilhavam com uma mistura de insanidade e prazer que lhes revolveram os estômagos.

Larrar, Feenah e Alesia tiveram a certeza que seus destinos seriam o mesmo. Já se viam transformados em fumaça, e se maldiziam por terem aceitado aquela viagem. Recuaram e sentiram o cano frio das armas dos robôs em suas costas. Suas mentes procuraram febrilmente um jeito de escapar, mas não havia nenhum.

- Joguem todos no espaço! - ordenou, por fim, enquanto seus olhos caíam sobre Alesia - Esperem! Menos a elfa, ela será uma ótima aquisição para o harém do regente!

E assim eles foram separados. Alesia foi encaminhada às celas, e seus companheiros foram para a sala de descompressão mais próxima.

Os dois amigos caminharam, todo o percurso, calados. Cada um, a seu modo, procurava um meio de escaparem daquela situação. Mas toda a esperança acabou-se quando pararam em frente à câmara de descompressão. Eles se olharam, e o guarda empurrou-os para dentro assim que a porta se abriu. Era o fim.

Seus corações começaram a se acelerar conforme a voz metálica do computador anunciava os segundos restantes para a descompressão. Incapazes de dizer uma palavra de consolo sequer, seus olhos vagavam pela sala, iluminada pela luz vermelha de alerta. Suas gargantas já ardiam com a falta de oxigênio e a sirene ressoava pelo aposento quando avistaram os trajes de vácuo, presos nas paredes.

Lançaram-se sobre os trajes e só tiveram tempo de ajustá-los antes de serem sugados para o espaço exterior. Mas, ao se verem flutuando no negrume cósmico, estavam chegando à conclusão de que haviam apenas adiado o inevitável por vinte minutos.

- Pronto! E agora? - Feenah perguntou, flutuando no nada.

Estava ofegante. Fizera um esforço excessivo, lutando contra a perda de consciência causada pela quase inexistência de ar, para vestir o traje antes da comporta se abrir.

- Sei lá! - a voz de Larrar ressoou, ofegante, no comunicador - Tem alguma idéia?

- Talvez possamos tentar voltar à nave...

- Pode ser, ela não está muito longe. Se economizarmos os jatos, podemos conseguir - Larrar disse, checando os propulsores de manobra do traje.

Era uma idéia, e eles preferiam tentá-la a ficar pairando no vácuo, esperando. Infelizmente os etavërefgnianos não permaneceriam parados para sempre e enquanto eles checavam seu traje, eles se puseram em movimento. Levando a única esperança que lhes sobrava. Ou não.

O hangar se abriu e expeliu, com a ajuda da inércia, o velho saveiro.

- Sua nave é tão velha que eles não a querem nem como sucata - Feenah permitiu-se um gracejo.

Larrar apenas sorriu, ignorando o deboche. O empurrão inicial dado pelo raio trator fazia a velha nave se aproximar mais e mais.

CONTINUA... (daqui uma semana)