DIVULGAÇÃO: A FANTÁSTICA VIAGEM...

DIVULGAÇÃO
Marília, 23 de setembro de 2007

Acabo de lançar meu livro:

SMANIOTTO, Edgar Indalecio. A FANTÁSTICA VIAGEM IMAGINÁRIA DE AUGUSTO EMÍLIO ZALUAR: ensaio sobre a representação do outro na antropologia e na ficção científica brasileira. Editora Corifeu: Rio de Janeiro, 2007.

Interessante para os interessados em conhecer a obra do primeiro escritor brasileiro de ficção científica.

Para adquirir: http://www.corifeu.com.br/comprar.asp?CODIGO=282.

Segue abaixo: descrição da obra e 3 trechos.
Edgar Indalecio Smaniotto
edgarsmaniotto@gmail.com

Descrição da obra:

Prefácio da doutora Christina de Rezende Rubim.
Introdução: ... encontramos no Brasil a figura do português naturalizado brasileiro Augusto Emílio Zaluar (1825–1882), era médico, tradutor, poeta, jornalista e autor do primeiro romance científico brasileiro O Dr. Benignus. (Benignus" = benigno), refletindo a sua visão de que a Ciência e a Tecnologia tinham vindo exclusivamente para fazer o bem ao ser humano. Foi este homem, com seu incrível entusiasmo pela ciência que deu o primeiro passo para constituir uma ficção científica brasileira.

1. Cap. Biografia de Augusto Emílio Zaluar.
2. Cap. Entre o relato de Viagem e a moderna antropologia: o papel que Zaluar teve nos anos em que os relatos de viagem (destaque dado para a viagem científica de Humboldt), e o surgimento da antropologia moderna.
3. Cap. Origem do homem: Para responder a estas questões, Zaluar se envolveu no debate existente entre duas correntes distintas de pensamento: poligenismo e monogenismo. Dominante até meados do século XIX, a corrente monogenista baseava-se na idéia de
uma humanidade una, sendo as diferenças fruto de uma maior ou menor degeneração da raça humana. Já os poligenistas, que marcam os finais do século XIX, pressupõem vários centros de criação, justificando assim as diferenças raciais observáveis. Apresentação dos debates entre as duas correntes de pensamento e a contribuição original de Zaluar que pretende, através da ciência, provar a origem do homem no continente americano (no Brasil), e daí sua posterior migração para outros continentes.
4. Cap. Pluralidade dos mundos habitados: ensaio histórico e analítico sobre a filosofia da pluralidade dos mundos habitados, as obras de diferentes autores são citadas e comentadas: Tales de Mileto, Epicuro, Lucrécio, Plutarco e etc.; com especial atenção para Giordano Bruno e Nicolas Camille Flammarion. Apresentamos também as principais idéias astrobiológicas de Augusto Emílio Zaluar.
5. O DOUTOR BENIGNUS DIANTE DO ROMANCE CIENTÍFICO EUROPEU:
análise comparativa da obra de Zaluar para com seus similares europeus: Júlio Verne e H. G. Wells.
6. O ALIENÍGENA NA LITERATURA BRASILEIRA : análise de obras recentes da ficção científica brasileira tendo por enfoque o personagem do alienígena, a partir do referencial teórico por Axel Honneth e Mary Elizabeth Ginway.
7. Conclusão e Bibliografia.

Trecho 1:
Outra critica dirigida ao romancista seria em relação ao personagem M. James Wathon, engenheiro-maquinista, estabelecido em uma importante fábrica de ferro na Filadélfia, nos Estados Unidos, uma vez que é este personagem quem constrói o dirigível, e não o brasileiro Doutor Benignus.
Podemos ver nesta crítica de Carvalho um certo nacionalismo. Afinal, Zaluar se mostrava conhecedor do progresso científico e das descobertas tecnológicas mais recentes em várias nações. Como já afirmamos (p. 29), ele era sócio da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional (SAIN), sediada no Rio de Janeiro, que na década de 1820, foi constituída por mais de duzentos sócios, que se reuniam com o intuito de incentivar o uso de máquinas e inventos na agricultura e difundir conhecimentos técnicos, por meio do periódico O Auxiliador, a partir de 1833. Participava, como já salientamos, da "Exposição Nacional Brasileira", dedicada a inovações, e tinha farta leitura no assunto.
Zaluar, assim como o próprio Júlio Verne, viu nos Estados Unidos o país onde seriam realizadas as grandes inovações tecnológicas. O escritor francês Michel Butor, especialista na obra de Verne, salienta que "os EUA, para ele, são uma das regiões na qual se observam melhor os avanços e o desenvolvimento do progresso técnico". Vale lembrar que, em todas as obras de Verne, o grande produtor de tecnologia são os E.U.A e não a França, sua pátria.
Aqui temos dois casos, Verne e Zaluar, em que a verossimilhança com a realidade suplanta desejos nacionalistas. A crítica de Carvalho se mostra, assim, infundada.

Trecho 2:

As novas pesquisas apresentadas acima, revelam que o debate sobre a origem do homem americano ainda não terminou. Entretanto, teorias como aquelas defendidas por Ameghino, Ladislau de Souza Mello e Netto, e Augusto Emílio Zaluar são definitivamente relegadas à
história da ciência.
Mas o estudos dos debates entre as teorias monogenista e poligenista ainda podem nos trazer informações valiosas sobre a história das idéias na América do Sul. Ameghino, Ladislau de Souza Mello e Netto, e Augusto Emílio Zaluar, ao postularem a origem do homem na América do Sul, e apenas nesta, estavam confrontando tanto o poligenismo
autoctonista de Agassiz quanto o monogenismo de Darwin, tentando, assim, criar um monogenismo autoctonista sul americano.

Trecho 3:

A ficção do século XIX, e mais tarde a do século XX, buscou no personagem do alienígena uma forma de representar aqueles outros que não podia nomear. Neste capítulo, enfatizamos sobretudo como o alienígena, este personagem representativo do conceito antropológico do "outro", é utilizado de forma distinta pelo autor inglês H. G. Wells e pelo brasileiro Augusto Emílio Zaluar. Cada um representa neste personagem a forma com que sua cultura interage com o "outro": uma ameaça no caso do inglês, ou um salvador no caso do brasileiro.
Verificamos que Zaluar foi um defensor da pluralidade dos mundos habitados, dando vida em sua ficção à forma com que via o alienígena (no caso, habitante do Sol), um ser evoluído e espiritual. Se Zaluar foi o criador de uma tradição que iria nortear a forma com que a cultura brasileira iria se apropriar do mito do alienígena, ele não foi o único ficcionista a dar uma nova forma a este mito.

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